Apr 19, 2007

Sem comentários

Sem comentários que o dia não está para isso. Somente o lírico pode ancorar algo de razoável no deslíneo da paisagem.

Monte de água

todo monte de água
é feito de lâminas
maleáveis
finas e sobrepostas

pode cair o que for
leve ou pesado na água
que foge só gota de espelho
sólida
e resta o espelho de baixo

por isso que a pedra rola na superfície da água
e afunda

de dentro o monte de água
é feito de inúmeras
lentes
falhas e retorcidas

pode-se olhar do fundo
com o desejo que for
que o seco sempre vem turvo
sólido
sempre com as quinas trocadas

por isso que a pedra rola na superfície da água
e afunda

5 comments:

daniela said...

Não sei se li o poema da maneira correta, mas ao ler devagar, fui invadida por um sentimento de paz, tranquilidade e isolamento (apesar do ruído constante do "cooler").
Se a admiração que sinto pelo seu trabalho (e mais ainda por você, porque és feito dele e muito mais) continuar crescendo dessa maneira a cada post, vai chegar o dia em que sentirei necessidade de pedir licença pra lhe dirigir a palavra.

daniela said...

Ah, não consegui decifrar as verdades ocultas desse poema. Acho que o problema é não saber quando os poemas são uma vida, ou quando são só uma imagem bonita (o "só" parece que diminui a beleza e profundidade desse tipo de arte, mas não é a intenção. Há muita coisa boa, que é o que é, e mais nada, e nisso também há poesia).

Kah said...

Tua poesia é pura paz, calmaria.Como água.Sou fã de carteirinha tua.Você escreve divinamente!!!Beijos e lindo final de semana.Mais uma vez,parabéns pela música,obrigado por me enviar!!!

isaac said...

grande, sempre as poesias de forte apelo quase que visual e muita textura...
a água, que bênção.

Anne Baylor said...

Uau...

Delícia de poesia...

Sempre suave...

Bjs e venha tomar café...