Apr 9, 2007

Paraleta


Nunca havia postado letra de música, mas esta, modestamente, acho um brinco. Busquei, na melodia, fundir o aspecto imprevisto do vôo das borboletas que encontrava lá no sítio de meu avô, em Minas. A quem interessar, comente com e-mail, que mando a música. A tela ao lado, esta sim arte verídica, é de uma amiga, também um brinco. A postagem de hoje é à moda das mulheres que usam brincos aos pares.

Paraleta
Guto Leite & Thiago Lourenço

Borboleta, Leta. Pano colorido.
Quando se imagina que ela pára,
Surpreende as luzes, pára-
raios refletidos.
Por onde que voa a borboleta? Não tá.

Borboleta, inseto de asas, corrompido,
Vai por cada quarto até que pára.
Morta de cansaço, para-
lítica do espaço.
Quem ela caçoa, a borboleta? Não tá.

Borboleta, dança, faz, borboleteia.
Sabe quando segue e quando pára.
Ela se penteia ao para-
peito perigoso.
Ama, cansa e odeia a borboleta. Não tá.

Borba, borboleta, qual sua palavra,
Vale um bom tesouro quando pára.
Nada quando voa, para-
quedas, ventania.
Ergue, saia sem a borboleta. Não tá.

Borboleta, vaca, dei todas as flores.
E o único pedido ou ordem “Pára!”.
Não há mais sentido. Pará-
Frase: não se doe,
Que eu te reencasulo, borboleta. Não tá.

Borboleta, nada
Muda nesse mundo.
Lembro o teu gemido à faca “Pára...”.
Pálpebras rasgadas, para-
pluie que não protege
Das noites vermelhas, borboleta.
Não tá.

6 comments:

daniela said...

N tem refrão mesmo? É raro encontrar músicas sem refrão. A única da qual me lembro agora é "faroeste caboclo", dos meus tempos de legionária fanática. Admiro o risco q se corre, pois n é uma opção muito comercial.
Gosto do "Não tá", parece q quebra a sequencia da música, imprevisivel, justamente como o voo de uma borboleta.
"Vale um bom tesouro quando pára". Gostei!
Em relação ao quadro. Gostei da escolha de cores, ao me ver inusitada, pra representar uma borboleta.
Estou super curiosa pra ouvir a música q encaixa nesse poema.
dani_dm@yahoo.com
Bjs

Kah said...

Nossa, que coisa mais linda menino!!!Adoro música sem refrão,parece história.Vou ter que repetir o que disse Dani, pois achei fascinante o Não tá,quebra a seriedade, parece mesmo coisa de borboleta,quando voa perto do nariz.Correr riscos, isso é o que devemos fazer de vez em quando, sermos borboletas no parapeito perigoso.Um beijo carinhoso, e parab´ns ,você é realmente um poeta!!!

Anne Baylor said...

Que maravilha..
Que pérola..
Adorei..
Bem como adorei a visitinha nom eu blog.
O café está oferecido a todo instante...
Se um capuccino tornar sua visita mais prolongada, coloco até chantilly!!!!
Bjo na alma.

Ta said...

...
meu scrap explica!! heheheh
Poeta, lindo! tudo! e brigada de coração por me colocar ao seu lado... fazemos uma boa dupla!! hehehe...
"ama, cansa, odeia a borboleta não tá"

Anne Baylor said...

É mesmo??
Que coincidência gostosa..
E...
Pense.
O post de guto leite, o 1º, estava lá mas não tinha blog, então, zapeando pelos blogs, vi um Guto Leite que não era aquele, era esse..
Valeu a pena..
De qualquer forma!!!
O café???
Está de pé.
baylor_anne25@hotmail.com

Abração

Anne Baylor said...

Nhum.. Esqueci de falar...
eu te linkei lá viu!?
Bjus