May 16, 2008

Felizmente triste


Queria postar algo antigo, que minhas mais novas incursões aos versos andam sensíveis demais ao golpe crítico, porque ainda frágeis, mudando. Posto, então, no meu gosto, talvez o poema mais competentemente triste de meu último livro, sempre disposto a críticas, opiniões, rearranjos. Desejo arte a todos, perpetuamente!

Quando não há aniversário

em dias de tristeza
não se faz aniversário
as velas queimam cerejas

o tempo áspero trapo
arrasta no espaço buracos
miasmas lábios do avesso

destino enviesado
range demora e se chega
não há quem fomente o azo

batendo palmas
há o enfado do atraso
que não é seqüência nem pausa

não é calma nem pressa:
um sopro do desabafo
que infesta se as velas vazam

3 comments:

daniela said...

Tem a tristeza do vazio e da sensação de tempo parado que o acompanha.Foi o q senti. Poema que retrata aqueles dias em que esperamos que o mundo todo mude, pq é preciso mudar, mas que já n temos força nem vontade pra agir. Por sorte, esses dias vão-se embora e levam seu vazio consigo.

Guto Leite said...

Bom saber que deu esta sensação, Dani. Me explico. Alguns dizem que a arte serve para se sentir sem os fatos externos que o obrigariam a sentir. Algo como experimentar sem risco. É sempre um prazer ter tua crítica sensível por aqui.

Anne Baylor said...

Interessantísssimo.
Gostei demais do que li nesse poema.
Muito diferente.
Muito bom.


beijoS.