May 27, 2008

Novo livro

Estou começando a escrever um novo livro. Traz o nome, ainda não estabelecido, de "Aperitivos & Sobremesas", com o projeto lírico de ser repleto de poemas burguesinhos, antiquadros, poemas de almoço de família. Claro que é impossível não pensar num discurso inverso que corra paralelamente a esta superfície amena. Após a Dedicatória (também um poema), segue este que lhes apresento. Espero as acertadas opiniões costumeiras! Muita arte a todos!
p.s.: mais uma vez deploro a impossibilidade de reproduzir a forma original do poema.

Onde as luzes se acendem

a noite carrega a luz para fora das casas
acende-as

os homens que à primeira luz
saíram
chegam apagados

as luzes que a noite acende
fora das casas
despedaçam-se

brutalmente
pálpebras se contraem
no espaço peque
no que sonham

quanto mais os cenhos apertados
desfiguram os cílios
de sua cilha natureza de trabalho

mais a noite segue retomando
o espaço à corrente

e assim que não se reconhecem
reconciliados
as luzes apagam de novo
a noite fora

8 comments:

FlaM said...

quado as mesmas pálpebras
enfim se cerram
entregues ao anelado cavalgar
de sonhos encilhados
ou, por outra,
mantém-se abertas
na clara escuridão da vigília

ah as sincronicidades!Eu estava estava escrevendo isso aqui, quando chegou seu cometário lá. Então nem revi. Achei que tinha que te entregar como está.
Abç, Flávia
Ah, obrigada pela visita e comentário! Adorei!

compulsão diária said...

Sublime esse cotidiano entre acender e apagar de luzes, abrir e fechar de olhos, trabalho, sono e vigília.
Você surpreende, moço.

Guto Leite said...

Redundantemente agradecido pelas críticas. Fora a abordagem da A.D. de formação discursiva e afins, acredito na arte como esse momento de encontro entre algo que perpassa e o indíviduo, por isso também adorei a sincronicidade, Flávia. Juntemos os poemas! Quem sabe em algum tempo não teremos arte o bastante para encher nós todos de nós mesmos!

compulsão diária said...

Ah, desde ontem queria perguntar: o que é A.D.?
Desculpa prá não ficar de fora da conversa (edipiana mal resolvida é isso rsrs) e sorry pela ignorância.

FlaM said...

Ai Bea, eu ai te perguntar agora mesmo no msn!KKKKK Eu ia dizer, Bae tu que é culta e instruída, me explica aquele comentário do Guto...
Ô rapaz sabido seu! Não me superestime, Guto!
Sabias que superestimar ou subestimar o leitor ou a platéia, é um bom jeito de perder o interlocutor?
Mas não se preocupe, eu e a Bea somos insistentes. QUer dizer... eu sou insistente, ela é compulsiva...
KKKK!

Guto Leite said...

Rs... incorro propositadamente neste erro de autor mal-criado, mas tenho certeza de que só superestimei no vetor errado. A linha culta, rigorosa e afiada de vocês não deixa dúvidas da qualificação exímia das interlocutoras. A.D. é Análise do Discurso, uma teoria dentro da Linguística que defende que você mais "é falado" por sua formação discursiva do que propriamente fala. Em linhas gerais, é como dizer que existem feixes discursivos que, intercruzados, te qualificam como o autor, enfraquecendo muito a idéia de autoria. Enfim, teorias, teorias. Rs...Quanto a vocês, não perdôo. Agradeço, sempre! =)

compulsão diária said...

Ah, Guto. Agora eu quase entendi.rsrs. Analiso discurso de desejo, deve ser por isso o "quase". A Flávia é mais rápida.
Teorias, teorias são bem-vindas. E você não é mal-criado, você é "malvado" de bom poeta, bom interlocutor, bom em A.D.(incorporei a cifra). Aqui tudo é bom ;)

FlaM said...

Ah, análise de discurso! é que eu sou uma reles antropóloga nao tenho toda essa intimidade com a coisa.
Mas falar em falas, falo, lembrei de um poeminha que fiz outro dia, mas ainda não tive... tempo, mentira, coragem de publicar. É que do jeito que a coisa vai por lá vou ter que botar uma tarja de "conteúdo adulto".
Acho que tenho que dar um tempo para liberar certas falas...
Ai falo demais. Não falei? Mais um pouco vira discurso! Vai uma análise aí, Guto?
[ai Guto desculpa a besteirada, mas hj naquele meu blog foi só bobajada, que se estendeu por email e msn, né Bea?. Desculpa os maus modos!]
Guto, vc é uma graça. Um abraço, Flávia