May 9, 2007

Despretensioso

Nestes aspectos de trabalho lírico, peso do avesso, com um poema para lá de despretensioso, quase dedicado a uma amiga só, um poema-acalanto. Lembro também que muitos outros amigos fazem grandes sacrifícios em suas vidas de poeta-operário. Lembro, por alto, Isaac, Vinícius, Tággidi, Paulo Vieira, Luís Henrique e André Barbosa. Se tivesse chapéu, ergueria um. Se tivesse talento, versos melhores. Mas se reverencia, quando se deve, com o que pode.

Ao coração dos queridos

muitos dos meus queridos têm andado
com graves problemas do coração

os outros
sentem até por capricho
o desagrado

mas não os meus queridos
eles
sentem na pele de dentro

tenho por vontade quando fracos
guardá-los conchas entre as mãos

massageá-los
revivê-los num beijo
com cuidado

táctil e visceral por eles

aceito todos os meus próximos segundos
até a morte
restrito a ter as duas mãos em guarda

3 comments:

daniela said...

Poema-acalanto, foi isso mesmo que li. Quantas vezes vou chorar chorinho de saudade, de ai que bom que ainda tem gente boa no mundo, de ai quanto carinho em tão poucas palavras, em frente ao computador?
Alguns de seus poemas são visuais, outros são táteis. Já recebi abraços (bons) menos acolhedores que esse poema.

E não me venha com falsa modéstia, que ando sem paciência pra isso =) Falta de talento, ai, ai... Faça-me o favor!

"Mas se reverencia, quando se deve, com o que pode."
Bonito, simples e bonito. Meu jeito é esse: comentários. Fazer o que? Mais não posso =(

Má said...

=)

Kah said...

Quanto carinho em tuas palavras!me senti sendo abraçada por ti.Lindo Guto.Posso até agradecer, visto que me vi em teu poema.um beijo e ótimo final de semana!!