May 23, 2007

As mulheres e as incrivelmente

Quem me conhece, sabe. Muitas vezes falo coisas só pra provocar nas pessoas aquele estado irritadiço, que é sempre melhor do que nada. Sei que muitos não concordam, mas, quando morrerem, me darão razão. Enfim... Há um ou dois dias, provoquei uma grande amiga com a frase: abro mão das mulheres incríveis pelas mulheres incrivelmente burras. Calma, calma, sei que talvez seja a frase mais machista proferida nos últimos cinqüenta anos, e é mesmo, mas até pelo ridículo me disponho a argumentar. As mulheres incríveis raramente se saciam e, por mais que façam as melhores declarações de amor possíveis da criatividade humana, sempre exigem mais do pretendente, que portará em diante um resquício de frustração por não agradar à mulher amada. As mulheres incrivelmente burras aceitam safanões, despistes, falas ríspidas e desmancham-se apaixonadas por um aceno, um bombom, ou qualquer outra declaração mínima de interesse. As mulheres incríveis são extremamente esquivas e só se tem certeza de as ter conquistado instantes depois de tê-las perdido, se é que é possível conquistar uma mulher incrível. As incrivelmente burras ainda residem no território moral de que as pessoas se possuem mutuamente e aceitam, portanto, serem possuídas, desde que possa, em contrapartida, possuir o objeto amado. Justo. As mulheres incríveis raramente riem das piadas idiotas, o que exige do pretendente um refinamento constante na arte do humor, se quiser se mostrar constantemente interessante. As outras dificilmente entendem qualquer piada, riem normalmente pelo ato social do riso, facultando ao pretendente o direito de provocar o riso simplesmente... rindo. As mulheres incríveis vivem no campo do etéreo, no entreato, no Princípio da Incerteza (se é possível definir sua velocidade, não é possível definir exatamente sua posição no espaço). Nunca se sabe exatamente onde se pode encontrar uma mulher incrível, pois ela domina inconscientemente grande parte da desenvoltura do espaço sobre ele mesmo para se ocultar de olhos afoitos e exagerados. Ao contrário, não há um lugar pelo qual não desfile vagarosamente uma mulher incrivelmente burra. Nos teatros, cinemas, lançamentos de livro, bares, repúblicas de estudante. São como carros em São Paulo, por exemplo, inalienáveis ao panorama. Fora serem barulhentos, expelirem fumaça etc. Por fim, as mulheres incríveis impacientam permanentemente os artistas, gerando um tal estado de inquietude que os deixa sempre em estado de transição. São capazes de gerar inspirações instantâneas e duradouras, semanas inteiras sem pregar os olhos. São dotadas de proporcionar o vislumbre da infelicidade permanente, caso os amantes se descubram isentos de suas presenças incríveis. Já as mulheres incrivelmente burras acalmam-nos (colocando-me entre os artistas) com a impossibilidade suprema de causar-nos qualquer estremecimento na alma. Passamos por elas com a mesma facilidade ou a dificuldade que passamos pelos dias. Eu diria também, da mesma maneira inevitável.

Não existem homens incríveis.

10 comments:

daniela said...

Ai, Sr. Carlos Leite! Faça-me o favor! Tô indignada! E não deveria, porque sou do contra, e teu objetivo era justamente despertar essa sensação. Mas tô mais indignada do que sou do contra.
Pelo menos os homens incrivelmente burros se sentem intimidados pelo meu olhar de desprezo diante de piadas imbecis (me disseram isso a semana passada. Mais uma vez). Salve, salve meus olhares de desprezo. Me tiraram do grupo das mulheres incrivelmente burras (digo isso tendo a certeza de que não é a única coisa que me nega o privilégio de entrar pra tão seleto grupo).
Bom mesmo sabe o que é??? Perder amores pra mulheres incrivelmente burras. Não me canso da sensação! Pensar: "O que ela fez que eu não fiz, o que ela tem que eu não tenho???" Hum... Resposta tão evidente e nojenta, que prefiro ficar sozinha.
Como disseste (e isso corre o risco de virar dogma), não existem homens incríveis. Tendo isso em conta, que sejam felizes com suas mulheres incrivelmente burras!!!
Ah, mais uma coisa... Apesar de não existirem homens incríveis, há uns que não são incrivelmente burros. Espero...
P.S.: Não aceito flores mortas. Se vierem num vaso, com raiz e caule, acho lindo, mas não me dêem coisas mortas.

daniela said...

Ah, li não sei onde, que é comum as pessoas casarem com quem tem características que admira, que queria ter, numa tentativa de esconder (sendo otimista, equilibrar - o otimismo vem sempre entre parênteses) falhas. Sendo simplista, me atrevo a dizer que olhando para o cônjuge de alguém, podemos ver aquilo que essa pessoa gostaria de ser. Pelo menos no início do casamento...

said...

Eu preciso pensar muito antes de reponder... pra não tender ao ton agressivo...
Que tal numa mesa de bar? Liga pra Gorda e combina de sairmos no sábado pra falarmos sobre as mulheres burras.

Beijos!

Anonymous said...

Talvez existam homens incríveis,porém covardes, preferindo as mulheres incrivelmente burras que não lhes apresentam nenhum desafio,que são fáceis de manipular e facilmente substituíveis.O difícil de entender é como homens incríveis conseguem ficar ao lado de mulheres assim,talvez porque realmente não sejam tão incríveis assim.

Guto Leite said...

Rs... estou adorando a polêmica e, sinceramente, acho, sincera e humildemente, que não se indignem antes de uma segunda leitura.

daniela said...

Por onde vou recomeçar???
Fiquei com a impressão de que seu pedido de uma segunda leitura tinha o propósito de me fazer ver que esse comentário é uma ode às mulheres incríveis (ou solteiras, geralmente solteiras, mesmo que estejam saindo com alguém, e por solteira não quero dizer disponível). Pois bem, continuo achando um absurdo teres ousado fazer um paralelo entre mulheres incríveis, e as outras. Também acho ultrajante teres proferido a célebre frase, uma vez que para faze-lo tiveste que pensar e momentaneamente considerar a hipótese, nem que fosse pra imediatamente recusa-la e pensar "mas onde é que estou com a cabeça?". Pensou, falou e escreveu. Ai que horror!
"...se é que é possível conquistar uma mulher incrível", e mais uma vez volta-se a polémica sobre a capacidade das mulheres de amar.
Só me resta concluir, a partir do seu comentário, e de alguns bons exemplos reais, que os homens se apaixonam, se perdem e amam as mulheres incríveis, mas cuidam e vivem com as incrivelmente burras (com o devido respeito aos meus pais, que considero exceção à todas as regras de relacionamento, e os quais respeito por me conferirem a capacidade de sonhar com uma união digna e realizadora).
P.S.: sou uma velha mal-amada, apesar dos meus 22 anos, e dos meus amigos preciosos. Há amores insubstituíveis.

Má said...

Oie...
Acho que só eu gostei do seu texto, né? Apesar de eu ter consciencia de que não tenho capacidade de interpretação e conhecimento literário suficientes para análisá-lo tão a fundo... ENFIM =), de qualquer jeito em algumas partes a realidade ficou bem clara prá mim... E isso é que faz com que eu realmente goste de um texto
=)
T vejo amanha, bjinho

Kah said...

Meu Deus, carlos, você não pode estar falando sério...Tenho uma ressalva a fazer, que talveaté pareça meio machista, mas mesmo as mulheres incríveis, acabam ficando burras quando apaixonadas, e riem sim, de qualquer besteira que seu homem diga.Já vi mulheres que eu achava incríveis, virarem pobres coisas burras quando apaixonadas, até brigar por seu homem elas fazem.
No final, burras ou incríveis,todas querem a mesma coisa no fim das contas, alguém que as ame incondicionalmente.
Que as mulheres não me crucifiquem, mas existem homens incríveis sim, apenas eles não o são o tempo todo.
No fim, até que gostei do post,hehe...Beijos e bom restinho de semana!!!

Paula said...

Também gostei do texto,de certa forma é um elogio às mulheres incríveis,as que assim se consideram sentem-se especiais após a leitura.Porém,a sensação que fica é que apesar de especiais e capazes de gerar inspirações instantâneas e duradouras nos artistas,essas são vistas como inatingíveis e distantes,ou seja,apesar do turbilhão de sentimentos que são capazes de despertar,os homens preferem manter a distância e se contentam com as incrivelmente burras que não trazem tantas incertezas.Acho que esse é o pensamento idiota de muitos homens.E a grande polêmica gerada é em função de vc ter tocado na ferida de muitas mulheres que assim se consideram e não conseguem entender a opção de dos homens pelas incrivelmente burras que muitas vezes são incapazes de estabelecer um simples diálogo.Nossa!Acho que dei uma de desiludida,é muita indignação,hahaha.Continuo achando que os grandes desafios e incertezas são capazes de gerar sensações únicas na vida,dessa forma,talvez alguns ainda prefiram arriscar,esse é o consolo,hahaha.

ligia said...

Voce sabe que escreve pela paixão que tem pelas incrivelmente...
e pela busca delas!

Eu, como sua leitora (e crítica), só posso agradecer por elas existirem... e por serem raras!