Oct 29, 2008

Da capo to coda

Notícia boa para os escritores, mas não notícia nova! A Petrobrás mantém um generoso programa de incentivo em que uma das categorias prevê o financiamento da escrita de um livro em prosa ou poesia, além de uma generosa ajuda à editora que se propor a publicá-lo. Poderia parecer algo suspeito, mas uma fonte inatacável me disse que é um trabalho muito sério e justíssimo em relação às escolhas. Portanto, aqueles que se animarem, e tiverem bons livros e projetos na gaveta, eis uma grande oportunidade para publicação (dentre os leitores habituais, sei que o Heyk e, talvez, a Béa já se prontifiquem). O prazo é dezembro, sigamos! Por hora, e por conta de uma semana de Seminário sobre o imortal Machado (ainda mais imortal nas celebrações infindáveis do centenário de sua morte), deixo o poema que abre e o poema que fecha minha próxima tentativa de multiplicar relevâncias. Conto com a crítica impecável que encontro sempre por aqui e que me anima e incentiva imensamente!


primeiro as nuances depois a voz
− uma chuva branda – divide os guarda-chuvas
o corpo
debruado
perpetua em sua cesta a desembocar no futuro

se há algo imutável
no fim de todas as coisas
este é o silêncio

a morte dentro do lago

um barco letárgico flutua no lago da noite
nele foi plantado
um corpo

tudo diz ser suicídio não assassinato

o número exagerado das pequenas tábuas suspensas
a indiferença constante dos peixes e dos insetos
o pó superficial que deita a casa de máquinas
o verde conspurcado o mexerico das algas

nada é indício

o vento amarelo traz sensações de incômodo
quando dobra
há um movimento suspeito no corpo
do barco

5 comments:

Heyk Pimenta said...

Rapaz,

é vamos de petrobrás. E vamos tbm de poema do guto e já aviso de antemão: propaganda é foda, mas: eu e o victor começamos uma série de discussões no maná zinabre. Vai ser legal.

Vamos de poema:

Rapaz, euforia é foda, mas ajuda: li o poema com muito carinho e declamando e dando o tempo do tempo fazer efeito depois do verso na minha cabeça: gostei muito do primeiro. Putz. é Uma merda não ter o que reclamar. Me sinto meio porco quando só elogio.

E o segundo é lindo. Pensa só: é um suicídio lavrado pelo que ocorre em volta: morte leve sem barulho, senão a poeira se mexeria.

Que bonito.

Dei sorte de ter vindo logo.

Tagg said...

chorei te ouvindo no myspace. terceira música. a gente aguenta, carrega, releva, vela.

Tagg said...

amo mais do que deveria.

Victor Meira said...

O segundo me encanta mais. Tem uma sagacidade genial no caráter narrativo e no uso da "dobra" entre versos. Dos dois últimos versos exemplificam isso. Prega peça. É ótimo.

A poesia é firme, centrada na figura proposta, e construída sem conversinha.

Bom, guto.

Guto Leite said...

Obrigado, meu caros, pela sempre norteadora crítica! Heyk, propagandeie mesmo, meu velho, este espaço é mesmo tanto seu e do Victor quanto meu, fico feliz de ajudar com encontros que devem ser. Tá, escrevi pra você no Yahho e fico no aguardo. Victor, também prefiro o segundo, mas costumam gostar mais do primeiro. Estamos rio acima, parceiro. Abraço grande e lá vou cenferir o Maná Zinabre