Jun 4, 2007

Um pedido de ajuda


Em conversas com um grande amigo, diretor, e mais do que isso, envolvido com cinema, ficamos por tentar elaborar uma idéia de um filme para conseguir rodar ainda em julho. O ideal, portanto, era ser simples, cândido, direto, mas sem ficar muito óbvio ou entregue demais. Fiquei às voltas com esta idéia desde quinta-feira, tentando encontrar uma saída para o impasse entre minhas preferências e a pragmaticidade de um filme menos polissêmico. Assistindo a uma brilhante comédia de Jacques Tati, "Mon Oncle", tive o insight de que precisava. Se aprovada pelo restante do grupo, iremos filmar um casal numa situação de romance, enquanto no cenário em que eles representam, surgem os versos de um poema. Tanto lugares esperados como paredes ou no corpo dos amantes, quanto projeções de luz ou lanternas chinesas, são candidatos a portar os versos, mas mantendo a idéia da película e, por isso, sem inscrições digitais dos versos na imagem. Tendo isso em mente, e também impelido por reflexões recentes, fiz um poema. A ajuda, por fim, é essa: quem puder, é claro, e quiser, por favor, comentem se consideram o poema adequado para ser impresso no cenário em que um casal de amantes irá desenvolver fisicamente o amor. Uma semana de muitos amores a todos.

Os criadores de Deus

mesmo que o amor não seja físico
feito lâmina áspero fome
mesmo que não nos furte a percepção
como o frio o baixo o sobrado
poucos deixam de sentir
pela alma o arrepio estreito
que podem chamar de amor

e então em estado de amante
os seres vivem
temporariamente completos
na única forma existente
de se envolver com o divino

mas como todas as coisas
por serem coisas simplesmente
trazem no fundo o finito
(e as coisas infinitas só esperam
para cumprir sua finalidade)

já separados daquilo que não chama
nem bate quase não existe
todos anseiam pelo meio
de mais uma vez que seja
criarem com outra pessoa
este deus íntimo

por Deus como somos felizes quando amamos!

3 comments:

daniela said...

Acho um cenário bonito, e acho o poema bonito também. Adequado não sei, simplesmente por não fazer a mínima idéia do que funciona num filme.
Não sei qual o tipo de relação o casal tem, nem se é a primeira vez que eles desenvolvem fisicamente o amor (odeio, ódio mortal, esses eufemismos), mas pelo que eu lembro, a primeira vez não é em lugares romanticos, nem com a luz certa, nem com romantismo. É uma mistura de caos, medo, ansiedade, insegurança... Mas talvez seja porque hoje eu acho que nunca amei. Se eu tivesse amado, talvez fosse diferente.
Adorei o poema. Só que já senti isso que foi descrito (talvez não tão plenamente), e acho que nunca amei. Não sei. Vai ver amei, e hoje acho que não.
Uma coisa é certa: pessoas menos do contra, e não umbiguistas vão gostar do que foi escrito e da cena criada, porque é pura e certa, como o amor deveria ser.

daniela said...

P.S.: Apesar do meu pessimismo, teu poema me fez querer aquilo tudo pra minha vida. É tipo uma propaganda do amor bem feita. Se cansares da poesia, e do cinema (que são pesados pela imensidão que carregam), acho que poderias pensar em publicidade. Mas que seria um desperdício te perder pro materialismo, ah, isso seria.

Kah said...

Me pareceu uma idéia interessante, o poema aparecendo atrás do casal.esse poema que postaste é lindo!!!Amar é isso, só se sentir completo ao lado da pessoa amada.Lindo poema.Um beijo e linda semana!!!