Jun 19, 2007

O dilema de Ulisses

Teho me maravilhado muito com a leitura da Odisséia, de Homero. Menos pela beleza das imagens (impressionante) do que pela percepção de como, de certa forma, todo o embrionário da cultura ocidental já está presente na construção da história grega, sendo ela real ou mítica. Na rapsódia XII, há, por exemplo, a célebre passagem em que, alertado por Palas Atena, o herói Ulisses proíbe seus homens de ouvir o canto das sereias e ordena-os a amarrá-lo fortemente ao mastro para que possa desfrutar do prazer de ouvir o belíssima canto sem, contudo, se sujeitar ao risco de se ver encantado. Que interpretações se pode tirar desta passagem? A relação entre o canto das sereias e as sereias é de natureza metonímica ou aráutica? Que tipo de postura moral denota a atitude de Ulisses ao apreciar sozinho a beleza indescritível de seu canto? O conhecimento prévio do sortilégio realmente não invalida sua eficácia? E se tomarmos toda a passagem como metáfora da relação entre o divino e o humano? Entre o homem e a mulher? Entre o escolhido e o resto? Entre classes distintas?

Sendo este o número de desdobramentos de duas ou três páginas, imaginem a proliferação de sentidos que a leitura deste clássico é capaz de causar. Se Shakespeare inaugurou a concepção moderna de homem, foi Homero quem lhe fez os primeiros rabiscos. Além de Deus, é claro...

2 comments:

said...

Ok. Ninguém é perfeito... você gosta da Odisséia... fazer o que, né?
Ehehehehe!

Beijos!

Kah said...

Saudades moço.Voltei.Eu comprei esse livro ´faz anos, e ainda não achei coragem prá ler.Quem sabe você não tenha me incentivado.Depois te conto.Um beijo e lindo resto de semana!!!