Jun 25, 2007

À busca de musas

Todo sujeito metido a artista é, antes de tudo, egocêntrico. Só o desejo, mais ou menos consciente, de deixar para a posteriadade o que quer que seja já justifica essa afirmativa. Imagine então a redução de alguém ao reles e ingrato lugar de musa! Escusas apresentadas, devo confessar que ando desesperadamente à procura de musas. Estes tempos corrediços, o aperto incomunicável das cidades, as relações ásperas entre as gentes, parece, têm afastado do ambiente comum da convivência estas pessoas míticas e maravilhosas. Ou, mais provavelmente, têm retirado delas a capacidade de transtornar sobremaneira a alma dos artistas. Cabe aqui, contudo, uma ressalva, não afirmo que busco o amor, que sei que não existe (disse ontem, só por maldade, diante de um bom número de par de olhos esbugalhados que o amor é um eco do sexo). Nem afirmo que busco um envolvimento fútil, que todos sabem ser das coisas mais simples de se arranjar, infelizmente. Menos ainda confesso ir em busca da beleza, que, mesmo mais rara que os encontros descartáveis, ainda é bem comum e mais dia menos dia se encontra alguma beleza atordoada. As musas, que não existem ou se escondem (pragmaticamente dá no mesmo!), não poderiam vir aqui descritas, auxiliando os amigos que freqüentemente lêem este blog a ajudar este pretenso artista na busca. Talvez por isso, por serem aquelas em que toda uma vida se passa a fim de trazer uma amostra de sua natureza para a página inóspita, é que raras vezes deparei-me com uma. Talvez por serem propensas ao complexo, eu sempre as tenha perdido facilmente, que reúno pouco de mim na arte do namoro. Veio-me agora, como num contratempo, que definir alguém como musa não seja tão redutivo assim. Ao menos não mais redutivo do que dizer "homem", "mulher", "paisagista", "visionário", "comunista" ou "escritor". "Musa" assim pode ser uma espécie de super categoria para onde seletas pessoas ascendem de suas categorias menores e humanas. Muito provavelmente digo bobagens, mas engano-me bem momentaneamente...

3 comments:

Anonymous said...

Eu acredito que as musas são os gnomos que podemos ver e para quebrar o feitiço que elas produzem basta o primeiro "oi" e pronto, bye bye musa!

Má said...

Já me encontrou.
Estou à disposição.
HAHAHAHA
Sem mais.

daniela said...

De volta às musas e ao amor....
Gostei da fluidez desse texto. Devido a minha quase certeza a respeito da minha incapacidade de amar um homem, começo a aceitar a idéia (repugnante, mesmo assim) de que o amor é um eco do sexo.
Quanto às musas... Nunca acreditei nessas coisas, apesar de continuar vivendo a espera de que um principe encantado apanhe minhas folhas (sou um pouco desastrada, ele teve várias chances de aparecer...) e se apaixone por mim. Como acho pouquíssimo provável que isso aconteça, faço o possível pra ser uma pessoa com quem eu gostaria de passar o resto da vida, mesmo que por falta de melhor opção.
Há coisas bem mais redutoras do que as que você citou, e muita gente se conforma em não ser mais do que aquilo, apesar de ter opção de mudar. Rótulos existem, e já que isso é um fato, melhor usar um que combine com o que eu quero ser, certo?
Viva as bobagens, que elas é que dão boas conversas! Quem se importa se são verdades ou não??