Feb 2, 2007

Pelos próximos dias

Nem ia postar antes da viagem, mas o comentário da Aline convida-me a alguns esclarecimentos. Simples porque ela mesma (com sua doçura característica) é prova do que pretendo. Não estou triste, nem feliz, pois não estou nada. Creio na paixão sim, mas tenho mantido por ela um sentimento cético. Também pelo amor do desconcerto, do pacto, do aborrecimento, da posse. Cito a Aline porque ela mantém uma das relações amorosas em que mais confio. Uma relação bonita, de um amor, talvez, transcendente. Eis minhas influências de um dos livros de cabeceira. Não sei se tenho visto as coisas deste modo atual pela perda recente que sofri. Nem sei se breve ou algum dia olharei de novo as coisas com o olhar exigente da esperança. Sei, e mais agora, eu sei, que tenho afazeres e vou trabalhar nisso, sem grandes sensações, espasmos, sofrimentos, aproveitando todas as oportunidades para arrancar os sorrisos que consigo. Hoje em dia, infelizmente, facílimos de serem arrancados. O Guto de seus grandes sentimentos partiu-se para restar a alma dos grandes sentimentos dos outros, que gosto cuidar. Deixo pelos próximos dias, um poema, feito nos últimos sete minutos, ainda de improviso. Um poema de resposta, carinhosa e agradecida, à Aline. Espero que goste, senhorita. Grande abraço aos que lêem, e se não morrermos, espero postar mais intimidades publicáveis.

Outros objetos

no fundo de todos os objetos
guardam uma carícia

a rocha compacta e antiqüíssima
quando certa
pode reaver os ânimos
e a nuvem mais inofensiva
para o parque
trazer os desagrados

a bala para o suicida
os travesseiros

não se deixe guardar o engano
nos objetos encontrados
mesmo que dele façamos as carícias

não se deixe objeto guardado
pelo medo da malícia
no esperado de não obter enganos

1 comment:

Dani S. said...

oi, guto!!! confesso que não li seu post (nenhum deles), mas só porque ^tô correndo aqui. Prometo deixar um comentário mais construtivo da próxima vez! hehe
bjos