Jan 16, 2007

Aniversário

Completo hoje um quarto de século com a solidão mais amarga a que um homem se sujeita. Coloco-me como autor e receptor do verbo "solidar", pois realmente assim concebo o processo. Como dito por uma recém conhecida, quando nos acostumamos a lidar com a solidão, pensamos muito, sonhamos mais. Acho que um pouco mais complexo... O mundo em que se acostuma enquanto se está sozinho, essencialmente agradável, altivo, coerente, mostra-se absolutamente absurdo quando reentramos no mundos dos contatos pessoais, das interações... salvo algumas exceções notáveis. Naquele mundo acostumei o meu mundo e o meu gênio. Cada vez em que sou apontado como estranho, como hilário, como irônico, como artista (e recentemente tenho recebido grande parte dos melhores elogios quanto à minha arte), mais tenho me enervado com esta disposição às avessas, onde o ordinário é armar-se de raiva, de protesto, de maldades, de intolerância, de indiferença. A este mundo definitivamente não sirvo, ou melhor, neste mundo não sirvo, sobra-se me a empenhadura por cima da bainha. Esperado? Não se a lâmina não cortasse a mão do guerreiro a cada vez que sacasse a espada para a luta. Assim como a secretária melancólica que todos os dias talha parte de seu dedo à fineza sinuosa das folhas de papel (e foi encontrada morta recentemente, tendo escrito seu último relatório, medíocre, mais uma vez, com sangue), o guerreiro se cansa. Resta saber se também se acastelará no amparo covarde do suicídio ou se embanhará outra vez e definitivamente a espada, postando-se agressivamente e ad eternam. Hoje o texto me saiu torto, pois assim se compõe o sentimento. Nada do que é estritamente sensação pode ser contido na temperança retórica. Qualquer dia destes me transbordo...

O último a sair apaga a vela.

2 comments:

Luana said...

Como em muitos momentos, eu não sei oq te dizer.
a solidão é bela e machuca. Ok... e o que a gente faz com ela? oq seres tão acostumados com mundos a parte podem fazer?? e o que a gente faz quando quer coisas que não estão nesses mundos diferente?
eu te adoro muito sabia...? sinto tua falta como se alguma vez tivesse te tido sempre

Ester said...

gostoso ler você.
beijo