Dec 17, 2006

O que não foi o começo da noite de ontem (ao menos fora de mim)

Por não morarmos sozinhos ou juntos, temos problemas práticos para o amor: hora e lugar. Digo o amor do verbo fazer, não dos outros, em que somos complementarmente perfeitos. Como é bom, então, quando conseguimos resolver as praticidades e deixar que o restante se esparrame. Ainda em seus lábios, retirei delicadamente sua saia, deixando que o tecido me ajudasse nas carícias às suas pernas. Próximos o máximo possível, nunca o bastante, revelei seus ombros, suas costas, seus seios, seu ventre. Certo de que cada parte de seu corpo merece atenção igual e irrestrita, reneguei de vez seus lábios à força delicada de seus dentes e beijei as infinitas possibilidades que seu corpo apresentava para mim. Não me apressei nem dediquei qualquer atenção a um lugar específico. Nestas horas, tenho a sensação exata de que seu corpo reconhece, além de minha admiração completa de sua força feminina, meu desejo constante por qualquer ângulo possível, meu reconhecimento da perfeição humana de seu corpo. Enlacei meu braço direito por trás de suas costas e, como um carinho longo, mas brevíssimo, desabotoei seu sutiã e desta vez dediquei-me demoradamente a cada um de seus seios, com a certeza de que havia tanto amor, prazer e cuidado, que mesmo o tempo desistiria de sua pressa para estar conosco, assistindo. O corpo dela, absolutamente em silêncio (à exceção dos lábios, também dos olhos), disse-me quando parar. Circundei-a, então, totalmente e postei-me às suas costas, de pé. Com as duas mãos puxei seus cabelos para cima e comecei a beijar demoradamente a área da nunca, costas, ombros. Retribuir minimamente a graça daquelas inúmeras e pequeninas sardas que prenunciavam a harmonia sublime de seus movimentos de adiante. No mais, tinha, sua pele, a cor matinalmente branca da promessa. Já destituído da submissão que sempre seu corpo me impunha, invariavelmente, desci beijando e acariciando suas costas, as curvas delineadas, a área da cintura... Foi quando me buscou com as mãos, ergueu-me e afundou em mim, e definitivamente, aquele incomparável par de olhos verdes.

2 comments:

Rodrigo said...

Dentre tantos.... escolheste pra descrever o meu demônio Carlos Augusto. Aquele que vem me assombrar à noitinha... Aquele que me persegue e quando me entende desprevenido me assola e me maltrata e me prende e me tem... É meu amigo, a memória é uma coisa que não deveria existir mas existindo deveríamos saber lidar com ela de maneira tranquila (como coisa passada e vivida e ponto final). Mas parece que mesmo a distância (do tempo e espaço que no fundo é a mesma coisa e não existe pra memória) se renova, se atualiza.... e como dói meu amigo.. como dói... Mas é sangrando que se sabe que está vivo... Ah essa carne sanguínea ímpar.... Ah... aqueles olhos verdes....

said...

Sublime quando em meio a tanta luxuria um homem ainda vê a alma na cor dos olhos de uma mulher.