Jun 5, 2008

Em busca do amor mágico

Antes de tudo, preciso agradecer ao bom número de comentários, idéias, opiniões e afins que vêm sendo postados recentemente no blog. Acredito que este trânsito de idéias seja imprescindível para a realização do objeto artístico, mormente, a poesia; que, à contragosto de Bakhtin, tem servido de espaço propício à ploriferação de vozes.

Teorias-roupas-depois-da-lavenderia à parte, posto hoje um poema que está no "Poemas lançados fora", de 2007. Perdoem-me aqueles que possuem o livro ou os que o leram anteriormente - se o postei neste espaço meses atrás -, mas ando mais ou menos como o eu-lírico deste poema. No espaço estreito entre a crença e o ceticismo. Muita arte a todos nestes dias de poucos muitos.

Em busca do amor mágico

Há um truque perdido
em cada romance.
Sou o menino atento,
de vistas na cartola,

na ânsia da piedade, do erro,
da linha transparente,
do despeito, do fundo falso
ou da marca de cola.

Por mais que os dedos do mágico
movam-se inocentes
no espaço entre o fracasso,
o engodo e a glória,

é certo que não erra,
já que se expõe
somente após o tempo necessário
de treino. Agora

(digo agora no comum, erradamente,
como qualquer instante
depois dos silvos e das palmas)
repito o que vi fora,

internamente, muitas vezes,
obsessivo, sem gesto, quase em transe,
mas logo no momento preciso
nada colabora.

A mágica insiste em soar
como um oboé cortante
e desafinado. Nunca me canso, porém.
Fixo meus olhos na cartola

E recomeço.

Há um truque perdido
em cada romance.

6 comments:

FlaM said...

[...ˆ...]

(isso foi uma tentativa de grafar um suspiro)

(um suspiro dobrado)

compulsão diária said...

lindo, hein? no agora tem uma mudança de ritmo que tempera bem.
Continuando no prosaismo do comentário (coemntar depois da Gorgeuous sempre dá essa sensação rsrs)
Pra mim amor só existe o mágico e faz de todos nós crianças excitadas pelo enigma do truque.
Ah, já encomendei o livro da Vilma.
Obrigada pela indicação, jovem poeta surpresa e caríssimo Guto.
mille baci

Guto Leite said...

Obrigado pelos comentários, caríssimas! Hoje tenho algumas ressalvas "técnicas" sobre este poema, mas ainda gosto. É bom contar com o incentivo de vocês e prometo tentar sempre fazer jus!
p.s.: Bea, vou dizer a ela que anda fazendo lob de seus livros. =) Brincadeira, ela já tem dois Jabutis, prescinde absolutamente do meu lob de blog!

FlaM said...

Ai guto. que reservas seriam? Achei tão bonito... que o suspiro veio antes da bela solução final de repetir os primeiros versos.
agora... que menino que nada! Mágico! e dos bons...
[silvos e aplausos]

Anonymous said...

gostei do poema. Não o conhecia e não conheço o livro. Posivelmente também não está editado aqui, uma vez que escrevo desde Lisboa.
Origada pelo complemento ao meu comentário sobre a morte da arte, em termos musicais.
É com muito apreço que vejo que aí em Porto Alegre a arte e os blogs de arte proliferam.
Cheguei até ao seu blog através de um link de um artista plástico de excepção também aí de Porto Alegre, muito activo, muito criativo e com "seguidores" aqui em Portugal.
desde Lisboa, saudações lusófonas,
Filipa. V. J.

Mimi said...

uou... vou demorar a degustar esse blog aqui...

mas cuidado, eu devoro palavras mesmo.