Jul 14, 2007

Volta

Voltei a produzir muito, poemas, músicas, roteiros, experimentalismos, idéias, como se um peso incrível fosse me tirado das costas de uma hora a outra e voltei a cantar de maneira menos desagradável, o que é um alívio. O interessante é que não sei se isso decorre do fato de eu estar de licença do trabalho ou de algumas certezas que tenho adquirido. Não, não voltei a acreditar no amor. Não neste amor súbito apregoado pela nossa incapacidade de lidar com a tristeza da morte. Não, não acredito no trabalho. Também não neste trabalho que apaga o resquício de um diferencial criativo que nos distingue das máquinas e dos bichos. Muito menos tenho acreditado em mim. Pelo contrário. Cada vez mais minhas produções me soam infantis e despreparadas. A certeza que tenho é a de que eu faço exatamente o que era para estar fazendo. Finalmente, depois de um grande ciclo, estou de volta à Harmonia. Em todos os campos da minha vida, tenho esta sensação íntima de estar coincidente com a história que se escreve em mim. Esta, uma sensação indescritível que me alimenta tanto a alma. Muito calma aos entusiastas do entusiasmo, não significa claramente felicidade; mas a felicidade possível, para mim, já se constitui uma grande coisa!

2 comments:

daniela said...

Que bom, Guto! Terminei de ler com um sorriso!
Também estou numa fase mais ou menos assim. Questões que me prendiam estão se dissolvendo, depois de muito trabalho, é verdade. Ordem... É mais ou menos isso. A ordem do meu caos. E luz... E eu, sozinha. Amando tudo e coisa nenhuma, porque o amor platônico é o melhor. Sozinha. E feliz.

Má said...

sim sim amigo.... vc está feliz.
boa semana!