Vinte dias depois, aqui de novo. Após muitos ensaios e o show de estréia em Campinas, que foi extraordinário, consegui um tempinho pra postar novamente alguma coisa. Seguirá dúbio este texto, então, até o fim. Dúbio porque dormi sob elogios quanto à minha voz, à performance da banda, à presença de palco, às composições (e nesta casa realmente mora minha insegurança). Dúbio porque segue um vazio estranho de não ter âncora que me amarre o casco. É claro que seria bom ser realmente compositor, mas qual o valor disso nos tempos funerários da canção? Desenvolver uma pesquisa acadêmica relevante também é bonito, mas a academia, no frigir dos ovos, não seria, salvo preciosas exceções, âmbito do circunlóquio? Existe alguma razão de ser fora da arte que não sou? Deixo então a letra de um samba, que diz pouco, baixo, lento, como uma tarde de domingo.
PerdãoQuando você me pediu perdão,
Tudo pareceu não ter mais vida.
Errei nos bares a ganhar identidades,
fui poeta, louco, suicida,
fui bufão.
Levo no meu pulso um suvenir,
uma cicatriz do teu legado,
uma lembrança que você comprou
na escadaria do Bonfim e disse:
"faz algum desejo"!
É, o amor não é de brincadeira.
É, o amor não é para o senhor
do Bonfim. Me guarda, por favor,
de mim. Me guarda!
Sei que amor é raro de existir.
Tudo o que te peço é mais cuidado,
pra não haver mais entre
os teus futuros namorados
um que ande assim perdido
igual a mim.