Aug 6, 2010

Reflexões de rascunho

Chego de viagem e, na velocidade dos olhos, encontro a cidade de Porto Alegre. Fria nesta época do ano, de todos os anos, alterna dia a dia uma chuva gelada e punitiva e baixíssimas temperaturas.

Nem sei se posso dizer isso, mas talvez a cidade seja a prova de que poesia e "tristeza" (coloco aspas por não saber o que é) não sejam práticas indissociáveis.

Sob a chuva ou sob o frio, os sorrisos ficam escassos na cidade destes dias. No entanto, salvo engano, jamais morou nesta cidade um poeta maior. É provável que nem tenha pernoitado em algum de seus antigos hoteis. Tampouco no Brasil quente, litorâneo e corporal de latitudes mais baixas, já eximidos (os poetas menores, todos os poetas brasileiros) pelas temperaturas amenas e pelos sorrisos rápidos. (Talvez o único poeta maior brasileiro seja pernambucano. Terra do sol e do frevo).

Ao poeta é preciso consciência. Extrema, incansável, insone, universal. Os sentimentos que resultam disso são irrelevantes. Às vezes, as palavras que resultam disso são relevantes.

3 comments:

Luciano said...

Ave Gutus,
Um dos apartamentos do antigo Hotel-Magestic foi, durante décadas, o lar de Mário Quintana (que para nós gaúchos e, acredito, outros tantos brasileiros, é um grande poeta). O local deixou de ser hotel, há muito, para ser transformado em Casa de Cultura.
Sobre a chuva e o frio que distanciam, vale a máxima da transitoriedade: tudo passa.
Temos de nos reunir mais vezes, para fazer um som, conversar, rir, jogar... Tua companhia é sempre um privilegio.
Abração no amigo.

Guto Leite said...

Salve, querido, que bom que respondeu à provocação! Às vezes fico muito triste com as muitas opiniões às moscas.

Tenho certeza de que o Quintana é um poeta popular e o considero um bom poeta. Outros, como o meu conterrâneo mineiro, o Jorge de Lima e o Bandeira, são até grandes poetas e tudo. Mas, agora, poeta maior mesmo, netas terras, acho que não vi ainda, meu caro, lamentavelmente.

Essa minha opinião é bem polêmica, eu sei, e pouco relevante, tanto no sentido de gerar algo, quanto do possível poeta menos que a profere, mas queria mesmo é que houvesse alguém com o talento do Drummond e com a disciplina verbal do Cabral. Aí sim eu chamaria de poeta maior.

Se bem que, no mundo de hoje, um poeta maior vale menos do que um bom publicitário. (É, o tempo passa...)

Um grande abraço e convite aceito para as artes!

Graça Rodrigues said...

Salve Guto,
Concordo com o Luciano, tivemos Mário Quintana.
Mas de resto, tu tens razão. Eu se fosse poeta, preferiria fazer meus versos à sombra de um coqueiro ouvindo o rumor do mar do que sentido o Minuano soprar dentro da alma da gente nesta nossa terra gelada. Graça