Feb 1, 2010

novo livro

Tá chegando um novo livro por aí, zero um, em abril, pela 7 Letras. Nesta semana estive revisando o original, daí me veio aquela vontade de postar um dos poemas aqui.

Como me disse um leitor em que confio muito, e repasso as impressões pra tentar escapar de cabotinimso, em parte são os mesmo procedimento do livro anterior (poemas lançados fora), mas agora mais apurados e, aparentemente, com menos erros. Espero que ele esteja certo!

Chega de defender o réu. Em efeito, às avessas. Todo livro de poemas é culpado até que prove o contrário, ou do contrário (?). Segue um dos poemas, culpabilíssimo!

mancebo

quando me prendem o braço
nos arrabaldes de minas

quando perguntam sempre
da saúde dos menores
mulheres são fotos ovais
de generais na parede

quando a varanda se enche
de tios fumando truco
e gritos chamam os homens
pelas travessas quentes

quando as saias dão cor
ao assoalho de tacos
evangélicas e retas
toldos para os olhos baixos

canso quando conferem
nos ombros nos antebraços
quando disputam comigo
espaços que são das coisas
canso de não ser coisa

os andares de madeira
os moldes preservados
os tabacos de azulejo
o cansaço

talvez haja certo cansaço
reservado a cada coisa

Jan 30, 2010

Tudo bem? Então tá!

Posso estar errado - sempre posso, normalmente estou -, mas nossa auto-imagem como sociedade brasileira contemporânea mudou um bocado dos anos noventa para cá, não mudou?

Lembra como nos preocupávamos com certa divisão desigual da renda? Com o aumento da população carcerária? Com a educação precária da população? Com a baixa qualidade de parte do ensino no Brasil? Com o domínio do mercado por um número cada vez menor de grandes corporações?

Poderia se pensar - sempre se pode, normalmente - que se trata de uma melhora nesta situação. Em parte, é correto pensar assim. Realmente houve uma melhora. A questão é que houve uma melhora pra gente, pra gente e mais uns cinco países. Ganhamos a corrida continental contra a Argentina e ainda não entendemos bem por que nossos vizinhos de fronteira nos chamam de "os Estados Unidos da América do Sul".

Que me desculpem os otimistas, mas pesquisas globais indicam que as mesmas tendências dos "90's" continuam e talvez tenham se agravado (até a crise de 2009, pelo menos). Então, onde está o resto dessa conta? Sabe quando pegamos alguns números, subtraímos, subtraímos, e a conta não bate?

O que fizemos, de fato, foi passar o abacaxi adiante. Melhor, trocamos o abacaxi pelo petróleo, o Zé Carioca pelo estrangeiro arrivista, a Carmen Miranda pela Wanessa Camargo. Pra vocês tudo bem? Então tá!