Originalmente, este é um blog de poesia... como as musas se arrediam, passou a ser de poemas e contos. Por compartilhar com o protagonista da obra-prima de Mário sua maior qualidade, virou poesia, conto e quadrinhos. Daí mudei-me para longe, demorando mais para ter novos quadrinhos, tornou-se poesia, conto, quadrinhos e roteiros. Ah, enfim, hoje deixo um trecho da minha única peça (com Gustavo Teixeira), que concorre ao Prêmio Nacional de Dramaturgia que sai agora dia 30. Rezemos!
HOMEM (acariciando a MULHER, à revelia):
Não. Eles não contam... presos, livres, alheios...
MULHER:
Tac.
HOMEM:
Sabem do tempo porque nós os visitamos, às vezes, jogamos bananas, fazemos nossos filhos imitá-los.
MULHER:
Nós temos filhos?
HOMEM:
Não. Mas se tivéssemos, faríamos isso.
MULHER:
Tac.
HOMEM:
Tic.
MULHER (cedendo ao carinho):
Você é muito duro comigo.
HOMEM:
Sou, para não perdemos nada.
MULHER:
Mas pra isso precisa acabar com tudo?
HOMEM:
Tudo o quê?
MULHER:
Tudo. Isso (apontando em volta)... tudo!
HOMEM:
Eu mantenho tudo isso.
MULHER (saindo dos carinhos, indo em direção à cama):
E não precisa de mim?
HOMEM:
Claro que preciso, mas você não é imperativa.
MULHER (começando a se exaltar):
O que quer dizer com isso?
HOMEM (se aproximando, cândido):
Você é algo que eu quero...
MULHER:
Tac.
HOMEM:
E os desejos provocam necessidades.
MULHER:
Mas...
HOMEM (chegando à MULHER):
Mas o tempo é imperativo, está além do desejo, e você não...
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Mar 22, 2009
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