É notório que a época das festas traz certo deslocamento aos mais sensíveis. Nem me refiro a mim, que tenho aprendido a ser de ferro, ao menos de longe, de ferro. Refiro-me a muitas das pessoas que tenho encontrado tristes, deslocadas, e outras tantas que se sabem infelizes, mas externam imensas capas de normalidade e sossego. Anteontem presenciei o rompimento de umas destas capas num beijo de canto de porta, realmente fabuloso. Por se tratar de pessoas que amo muito, ainda mais fabuloso. Deveria escrever uma ode a estas almas audazes, temerárias... a essas almas pertinentes. Tenho certeza de que meu Deus nasceu mais por pessoas como estas, que infelizmente tenho reconhecido cada vez menos. Em troca da ode, um haicai.
Terço budista
por me querer bem
parte da felicidade
ao pulso esquerdo
Boas festas e desfestas!
Dec 26, 2006
Dec 18, 2006
Contraponto
Pelo teor, de certa forma, erótico de minha última postagem, resolvi contrapor um texto quase etéreo, também feito hoje. Ando bastante inspirado, graças aos meus amigos, minha arte, meus planos, minha bonita. Em agradecimento,
De nossas naturezas
às vezes penso em guardar
os dias
ingênuo
de que são clarões
que não se guarda
marcas de água
em folha fina
por ter meu amor guardado
numa dessas marcas
clarão ela mesma
do passado
me engano de que até o raio
possa
ser guardado
no presente
e o úmido mantido na corrente
qualquer de um rio
rios são folhas puxadas
do avesso
tenho-me etéreo
imenso no breve
papel molhado clarão
amar é ser pequeno como alguém que logo não existe
De nossas naturezas
às vezes penso em guardar
os dias
ingênuo
de que são clarões
que não se guarda
marcas de água
em folha fina
por ter meu amor guardado
numa dessas marcas
clarão ela mesma
do passado
me engano de que até o raio
possa
ser guardado
no presente
e o úmido mantido na corrente
qualquer de um rio
rios são folhas puxadas
do avesso
tenho-me etéreo
imenso no breve
papel molhado clarão
amar é ser pequeno como alguém que logo não existe
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