Mar 7, 2008
Um contraponto
Lendo uma entrevista a um jovem e talentoso artista plástico, Sérgio Lucena, em que este disserta sobre suas concepções de arte, relação com o simbólico, a Graça etc., tive o exato contraponto à minha postagem anterior. Contraponto aqui entendido mais próximo ao significado que o dá a música do que a retórica, ou seja, aquilo que, em certa oposição à voz principal, constrói com ela a unidade total de sentido de uma música em específico. Lucena afirma: "A arte e o Amor, as únicas coisas realmente sólidas, concretas e factíveis. O mais, para mim, é pura fantasia." (Revista Agulha, número 61, janeiro/fevereiro de 2008)Obviamente eu havia me esquecido de inserir a arte como centro irradiador de importância das coisas, embora se desenvolvendo diacronicamente de maneira distinta a do amor. Enquanto o tempo deste é irrecuperável, àquela, o tempo passa ao largo. Para a arte, o tempo não somente é recuperável, como quase desimportante. Entra no grupo do "mais" que o artista plástico aponta como "fantasias". Nunca tiveram a sensação de que a passagem linear do tempo foi criada somente para facilitar nossa relação com a consciência? Representar ou dar linguagem a essa sensação talvez seja a definição de arte!
Mar 4, 2008
Vinícius e o tempo do amor
Em menos de uma semana, mudo-me para Porto Alegre. Novo canto, novo clima, novos rostos, novo tudo. Deixo, para quem sentir, minha coleção de amores. Não foram muitos nem poucos, mas "razoáveis" não é um adjetivo que lhes cairia bem. Digo então que foram um pouco além da medida, na borda da espuma! Neste tempo, pois, que ando a ler Vinícius, algumas das verdades da alma se vestem das cores mais festivas. "O tempo do amor é que é irrecuperável". Exato! Absolutamente exato! Mesmo que ainda nos enganemos que existam outras coisas (sou partidário de que tudo é adorno do amor), por controlarmos pouco o que nos ocorre, somente o amor deveria tirar o sono das gentes. Todo o resto é tão simples e maleável, que, independentemente das condições impostas pelo acaso, sempre o sabemos colocar como se ali fosse feito para ser, ou como se dali lhe tivessem tirado a forma. Salve o poetinha, que, mesmo não sendo poeta, sabia das coisas!
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