Feb 10, 2008

As questões de sempre

Pode parecer uma coisa estúpida, mas acredito que algumas decisões estão sempre em voga na vida das pessoas. Não algumas para todas, mas algumas para alguns, particularíssimas. Eu, por exemplo, sempre preciso tomar novamente a decisão de escrever da forma como é preciso que eu escreva e não da forma como acho que vou ser apreciado. Escrever dessa última, é não passar da repetição de modelos obsoletos de fazer arte! E não que, neste caso, o termo obsoleto seja ruim, já que insiro nessa categoria Shakespeare, Pessoa, Rimbaud, Dante, Homero e outros tantos dos maiores gênios que a humanidade desproduziu. Mas acredito que a verdadeira qualidade que os traduziu como artistas foi a forma como significaram o universal e o particular de suas épocas, não copiando os modelos que os antecederam e deixando modelos para que não sejam copiados depois deles.

Se tenho ou não talento, só pode ser decidido historicamente, termo totalmente avesso a mim, aos meus e ainda mais às linhas deste blog. A única ação válida que resta a este pobre aspirante a poeta é escrever, naturalmente, copiosamente, ingratamente. Escrever, porque os vermes não comem menos este ou aquele homem.

Segue o que me resta:

Dois por um

eu não ia dizer nada
e “você viu que vão tirar de circulação as notas de um real?
uma violência"

Feb 6, 2008

O eco das filmagens

Agora com as burocracias no acerto, trago uma letrinha de um samba que a Abra grava na próxima quarta para a trilha de "Revés", filme de uma grande amiga. Como sempre, espero a severa crítica dos porventurosos freqüentadores. Ainda, para que não seja postagem perdida, deixo a genialidade de Wilde, que a custo findei nesses últimos dias o retrato: "Porque, excetuada a morte, podemos sobreviver a qualquer coisa hoje em dia". A todos sua parte do gênio!

Revés

Guto Leite, Gui Alves & Daniel Coelho

Queria ter se dado bem,
Não deu.
Queria ter um pequinez,
Morreu.
Ficou um mês em cana certa vez
Porque mentiu,
Viveu dois anos fora do Brasil.

Queria ter falado inglês,
Não deu.
Queria ter amado alguém,
Morreu.
Nunca criou juízo.
Nunca tirou um dez.
A sua vida toda foi
Revés, revés, revés.

Tentou bancar o tipo mau,
Não deu.
“Um filho só é o ideal...”
Nasceu!
Ficou um mês de cama,
Recebeu a extrema-unção,
Levou o hospital na prestação.

Tentou Artes na Federal,
Não deu.
No amor pequeno e trivial
Nasceu!
Teve o enterro cheio e hoje, aos pés de Deus,
Joga conversa fora, mesmo ateu.

Cheio da Terra, estreita hoje aos pés de Deus,
Muita conversa fora, mesmo ateu.