Nov 17, 2007

Fragmento

Em vez de trazer hoje qualquer reflexão, poema, trecho, música, fragmento, opto por trazer fragmentos de grandes autores de poesia moderna (dito moderno o que vem depois de Eliot e Baudelaire). Mais do que simplesmente o cansaço advindo de outro dia intenso de produção, pauto minha escolha na certeza de que o homem contemporâneo não pode ser nada além de fragmento.

"Ces femmes ne sont pas méchantes elles ont des soucis cependant
Toutes même la plus laide a fait souffrir sont amant"
("Zone", Apollinaire, 1913)

"Ses rêves en pleine lumière
Font s'évaporer les soleils,
Me font rire, pleurer, rire,
Parler sans avoir rien à dire."
("L'amourese", Éluard, 1924)

"La luna branca quita al mar
el mar, y le da el mar. Con su belleza,
en un tranquilo y puro vencimiento,
hace que la verdad ya no lo sea,
y que sea verdad eterna y sola
lo que no lo era."
("La luna blanca", Jiménez, 1916)

"El otoño vendrá con caracolas
uva de niebla y montes agrupados."
("Alma ausente", Lorca, 1935)

Os demais fragmentos cortam em outra hora...

Nov 16, 2007

Intensamente

Sou partidário do intensamente! Tão importante este advérbio, que deveria ser nome, auto-sustentável. Absolutamente independente de toda e qualquer obrigatoriedade de companhia. Sentir, amar, ser, morrer, rir: todos os verbos deveriam prestar-lhe reverência. Talvez criar seja a exceção à regra, que a comprova. Ontem escrevi cerca de quinze páginas entre cinema, prosa, poesia... Viver, morrer, criar intensamente!

Dois sextetos perfilados

nas cores todas claras
interiores
diluem-se as outras saias
na forma de sombra rápida
que o dia amealha
destroçam-se os amores

no sangue da memória
a ausente
o visco dos instantes
as parvas se entreolham
todo o restante é opaco
infelizmente