<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970</id><updated>2011-10-17T21:40:20.091-07:00</updated><category term='canção'/><category term='conto'/><category term='crítica'/><category term='comentário'/><category term='novela'/><category term='teatro'/><category term='poema'/><category term='crônica'/><category term='quadrinho'/><title type='text'>_</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>325</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1137705454984294795</id><published>2011-02-22T12:37:00.000-08:00</published><updated>2011-02-22T13:01:07.521-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>O valor do processo</title><content type='html'>Meu avô fez noventa anos há algumas semanas. Como poucas pessoas nessa idade, permanece lúcido, sendo um prazer acompanhar suas muitas histórias (raras vezes ouvi dele uma história repetida) e sua postura sempre humilde em relação à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte à festa, tive a oportunidade de conversar um pouco com ele, relativamente a sós. Foi quando ele me contou de sua infância e que sentia muito não ter aprendido carpintaria com seus tios (meu avô perdeu os pais bem cedo). Com as mãos sobre a barbicha branca, meu avô disse que não entedia por que todos usavam uma forma de madeira e seu tio insistia em fazer os cortes sobre algumas marcas no chão, o que seria muito mais difícil. Ouvindo isso, comentei que talvez o tio de meu avô entendesse o valor do processo. Que antes de ser ou não prático, cortar a madeira diretamente no chão devia despertar ou relembrar aprendizados que ele considerava interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! meu avô soltou brevemente um ar da boca. "Pode ser...", balançou a cabeça afirmativamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto quanto a admiração por alguém capaz de ouvir uma pessoa sessenta anos mais nova, ficou-me a sensação de que está aí um dos perdidos de nossos tempos: o valor do processo. Como tudo tem um motivo, um proveito, uma ação, um sentido, pouco importa o processo para se atingir o alvo. O problema é que muito de nossa cultura se deposita no processo. As nuances de significado estão no caminho, não no fim ou no início. À luz dos extremos, publicidade é poesia, auto-ajuda é romance, notícia é crônica, scrap é conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu avô é do tempo do processo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1137705454984294795?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1137705454984294795/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1137705454984294795' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1137705454984294795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1137705454984294795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2011/02/o-valor-do-processo.html' title='O valor do processo'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-684055193341519665</id><published>2011-01-12T07:35:00.000-08:00</published><updated>2011-01-12T07:43:46.468-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Ótimo 2011</title><content type='html'>Não sei se há tantos que ainda me acompanham por aqui, mas me senti impelido a explicar um pouco o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo escrevendo bastante, sobretudo poesia e canção. Trabalho também com a possibilidade de um romance infanto-juvenil, um livro em verso infantil, uma coletânea de poemas e um novo livro pra 2011. A ver se o tempo vai concordar com tantos planos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2010, a dissertação de mestrado e o lançamento de &lt;em&gt;zero um&lt;/em&gt;, também por sua indicação ao Açorianos e as diversas conversas em torno do livro, me afastaram um pouco deste espaço, ao que pretendo retornar logo e com fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, um ótimo 2011 a todos, em especial, com arte e paixão! Esperamos um ano novo mais humano e razoável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-684055193341519665?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/684055193341519665/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=684055193341519665' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/684055193341519665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/684055193341519665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2011/01/otimo-2011.html' title='Ótimo 2011'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2728887024335887500</id><published>2010-11-12T15:00:00.000-08:00</published><updated>2010-11-12T15:05:02.765-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Da força das coisas</title><content type='html'>Como é ler mais de 700 poemas de autores diferentes? E, eventualmente, imaginar seus autores, ou, ao menos, o rosto que seus autores nos mostram naqueles versos? Quantas pessoas têm essa oportunidade? Por um instante pensei nessas perguntas, antes de começar o trabalho árduo, mas agradável, de ler e selecionar os poemas que estarão presentes nos ônibus e trens de Porto Alegre em 2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi o montante de poemas na manhã do dia 29 de setembro, poemas esses que já haviam passado por uma seleção prévia quanto à formatação e ao número de versos, de acordo com o edital. Com a orientação de escolher em torno de cinquenta deles para uma reunião um mês depois, dividi a leitura em sessões diárias de uma ou duas horas quando fui selecionando grupos cada vez menores, até conseguir cinquenta e dois. Passado o prazo, na tarde desta segunda-feira, 25 de outubro, embora todos os cinco jurados (mais Andréia Laimer, Cristina Macedo, Lorenzo Ribas e Sidnei Chneider) estivéssemos com nossos poemas prediletos debaixo do braço (na verdade em pastas, mochilas, envelopes e caixas), nos dedicamos por mais de três horas e meia para chegar ao número exato de quarenta e oito poemas vencedores, a demonstrar, pelo tempo dedicado, que um bom poema é algo que está muito longe de ser consensual, mesmo entre pessoas do ramo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a oportunidade de participar da seleção desta 19ª edição do “Poemas no Ônibus e no Trem” (dezenove anos da iniciativa!), muitas outras questões, além daquelas iniciais, e algumas hipóteses conviveram comigo pelo tempo da triagem. Primeira hipótese: Porto Alegre é a capital mais literária do país. Sinceramente não creio que outras capitais tenham o mesmo índice de participação popular e um concurso tão consistente e há tanto tempo! Primeira pergunta: mas como assim a literatura não tem mais a importância social que tinha? Diz isso para o cidadão que selecionou um poema seu, verificou as regras do concurso e enviou seu poema para participar do certame, diz isso pra ele. Ou como cogitou o professor Luís Augusto Fischer, e se esse cidadão comentou com mais cinco ou seis amigos que participaria? Teríamos cerca de quatro mil pessoas envolvidas direta ou indiretamente com o concurso. Segunda hipótese: o concurso diz muito sobre o gosto da maioria. Encontramos sonetos, redondilhas, poemas visuais, mas há uma expressiva maioria de poemas aos moldes do nosso Romantismo, o que não é demérito, mas deveria ser dado importante a ser quantificado e considerado por quem constitui nossos programas de ensino de literatura. Segunda pergunta: o crescimento constante da participação popular acompanha a taxa de crescimento da cidade ou lhe é superior, denotando um impacto visível do concurso na vida cultural de Porto Alegre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos demais jurados, dos participantes, dos interessados no tema e dos leitores deste texto surgirão novas perguntas e hipóteses que testemunham sobre a força dessa iniciativa e sua importância. Como poeta mais ou menos reconhecido, e já preterido para uma edição anterior do mesmo concurso (com um poema hoje admirado, “as chuvas de porto alegre”), só tenho como desejar que a iniciativa dos “Poemas no Ônibus e no Trem” prossiga por muitos anos e lugares, a provar que ainda existem pessoas que corretamente acreditam na avidez da população pela poesia, pelo literário, pelo lírico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2728887024335887500?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2728887024335887500/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2728887024335887500' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2728887024335887500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2728887024335887500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/11/da-forca-das-coisas.html' title='Da força das coisas'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2961139270630052286</id><published>2010-10-29T04:16:00.000-07:00</published><updated>2010-10-29T04:28:42.311-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrinho'/><title type='text'>Julio Cesar, o cético</title><content type='html'>Juntamente com um artista plástico e amigo, Guilherme Orosco, venho trabalhando há algum tempo no &lt;strong&gt;Julio Cesar&lt;/strong&gt;, uma espécie de quadrinho que tem por proposta manter uma conversa constante com a poesia, com a filosofia e com a semiótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente, o argumento nasce de uma intuição minha (alguns, de uma intuição do Guilherme) e faço um pequeno roteiro. O Gui pega o roteiro, dobra a intuição com seus insights imagéticos, propõe novos sentidos e, então, chegamos num resultado final que os dois concordem estar bom e coerente à personagem (que a esta altura já tem vida própria e independente de nós).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje era esse o trabalho! Agora, que pensamos em organizar uma publicação, estamos voltando aos muitos quadrinhos e quebrando a cuca para lhes dar uma forma "temporariamente definitiva". Eis aqui o primeiro exemplo. Um grande abraço e muita arte a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/TMqvtgzfE-I/AAAAAAAAAfs/8Vi38r6ZwEw/s1600/Juliio+Cesar_O+C%C3%A9tico.+V2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 278px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/TMqvtgzfE-I/AAAAAAAAAfs/8Vi38r6ZwEw/s400/Juliio+Cesar_O+C%C3%A9tico.+V2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533428288612930530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2961139270630052286?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2961139270630052286/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2961139270630052286' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2961139270630052286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2961139270630052286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/10/julio-cesar-o-cetico.html' title='Julio Cesar, o cético'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/TMqvtgzfE-I/AAAAAAAAAfs/8Vi38r6ZwEw/s72-c/Juliio+Cesar_O+C%C3%A9tico.+V2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-9096795386360563050</id><published>2010-10-20T12:15:00.000-07:00</published><updated>2010-10-20T12:23:02.579-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Quero um barco</title><content type='html'>Não sei se já trouxe um convidado aqui. De toda forma, para quem sempre pregou a ideia da maior democratização possível de espaços e oportunidades, estava mais do que na hora de abrir esta casa virtual para outras pessoas. O texto que segue, intitulado "Quero um barco", de Raul Rodrigues, traz reflexões bastante simples a respeito de como levar a vida e até mesmo de como levar a arte (quando estas não coincidem). Apesar da aparente simplicidade, acredito que algumas das lições presentes no texto valem a pena como objeto de reflexão e debate. Como dados biográficos, o autor é baterista e percussionista, além de cursar o terceiro ano de Música Popular na Unicamp. Comentários são sempre bem-vindos. Muita arte a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quero um barco&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Raul Rodrigues&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero um barco pra viajar longe! Achar uma ilha desconhecida. Procurar, procurar... viver à procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco pode ser pequeno, mas que seja seguro e navegue bem. Levarei flores, bichos e causos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa tripulação será muito bem-vinda, mas posso tocar sem ela. As plantas podem virar grandes árvores, os pássaros baterem forte as asas, o sopro do vento, culpado de muito, levar longe as copas e, junto, minha pequena embarcação.  No caminho, cores de todos os sabores, timbres e cheiros vão aparecer e nomear o barco de "ilha desconhecida". Passo timoneiros, poiteiros e capitães; fico com os curiosos, humanos, loucos, procuradores eternos de suas ilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que chato seria se a resposta de tudo estivesse nos mapas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quereria um barco, não haveria “ilha desconhecida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não haveria procura, procura, procurar... vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-9096795386360563050?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/9096795386360563050/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=9096795386360563050' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9096795386360563050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9096795386360563050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/10/quero-um-barco.html' title='Quero um barco'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-4704625081170580246</id><published>2010-09-30T09:18:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T04:46:49.228-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Como ser poeta</title><content type='html'>Manual da Academia Brasileira de Letras&lt;br /&gt;(seção 42: Como ser poeta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Leia, leia muito. Preferencialmente os bons livros, mas não exclusivamente. Embora os clássicos sejam clássicos porque assim o chamamos - verbo no presente e no passado -, não é à toa que muitos o fizeram clássicos, acredite. Com o tempo, poucos livros tendem a ocupar essa posição privilegiada de obras-primas, tanto para você, quanto para todos os outros. Ou melhor, principalmente para os outros;&lt;br /&gt;1.1 - Releia os clássicos. É preciso saber ler o mesmo livro duas vezes. Os bons livros não costumam ser absolutamente acessíveis a uma única leitura.&lt;br /&gt;1.2 - Leia livros de autores novos. Não se ancore nos clássicos. Apesar da natural falta de qualidade da maioria, não desista. O ser humano é surpreendentemente criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Olhe para as coisas. Se elas significarem algo para você, escreva. Como se verá no item 3, isso não significa que será reconhecido como poeta, mas já é um bom e indispensável começo. Caso as coisas não signifiquem nada para você, não escreva. Seja leitor, uma condição privilegiada no mundo das letras.&lt;br /&gt;2.1 - Não olhe para os livros, senão como coisas. Se um poeta escreve segundo antigos poetas, o melhor que pode vir a ser é seu poeta modelo. Escrever sob a opressão caridosa de outro estilo é olhar com os olhos do opressor.&lt;br /&gt;2.2 - Reolhe as coisas. É preciso saber olhar para a mesma coisa duas vezes. As boas coisas não costumam ser absolutamente acessíveis a uma única visada.&lt;br /&gt;2.3 - Olhe para as coisas novas. Não se ancore nas antigas coisas. Apesar da natural falta de qualidade da maioria, não desista. O ser humano é surpreendentemente criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Busque de alguma forma tornar público seu trabalho. Milhões de poetas ao longo de nossa história morreram inéditos. Reparem na cruel dinâmica da balança: quanto mais difícil for tornar público os poemas, maiores as chances dos poetas serem reconhecidos por sua arte; quanto mais fácil tornar público o trabalho dos poeta, mais eles tendem a ficar perdidos entre numerosos textos editados ou ofuscado por poetas menos talentosos, mas de melhor marketing (renome ou garbo, diriam antigamente). &lt;br /&gt;3.1 - Divulgar seu trabalho é colocá-lo à prova de bons leitores, alguns deles, quase poetas que se dedicaram exclusiva e sabiamente à arte de ler. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - Aguarde a história.&lt;br /&gt;4.1 - Não é preciso morrer, mas é recomendável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adendo: esta seção pode ser irônica. M.A.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-4704625081170580246?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/4704625081170580246/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=4704625081170580246' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4704625081170580246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4704625081170580246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/09/como-ser-poeta.html' title='Como ser poeta'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-4511014669290560647</id><published>2010-09-03T07:30:00.000-07:00</published><updated>2010-10-13T12:47:40.401-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>casamento</title><content type='html'>Uma querida amiga vai casar e me dispus a escrever o poema que estará sobre as mesas na festa. Ocasião perfeita para versos à moda antiga. Viva os noivos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/TLYMtSZ5bfI/AAAAAAAAAfk/1j0xFPFgr4Q/s1600/casamento.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 304px; height: 362px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/TLYMtSZ5bfI/AAAAAAAAAfk/1j0xFPFgr4Q/s400/casamento.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5527619564817968626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-4511014669290560647?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/4511014669290560647/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=4511014669290560647' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4511014669290560647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4511014669290560647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/09/casamento.html' title='casamento'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/TLYMtSZ5bfI/AAAAAAAAAfk/1j0xFPFgr4Q/s72-c/casamento.png' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-4640037240693429333</id><published>2010-08-21T05:09:00.000-07:00</published><updated>2010-08-21T05:31:28.388-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>L'image juste</title><content type='html'>A quantidade de postagens neste blog nos últimos cinco meses mostra o quanto estou correndo de um lado para o outro. De certo não é o termo exato, porque pressupõe confusão (existente, claro, mas que não deve ser central).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem, ainda não boa, que me ocorre é a do vaqueiro tentando conduzir o rebanho pelo cerrado seco (eu ia usar o pastor de ovelhas, metodista, europeu e chique, mas em homenagem a Mário de Andrade...). Não boa porque minhas vacas (o mestrado, o livro recém lançado, o cd ser gravado nas próximas semanas, a Brique, meu livro novo, um começo de romance, o Trombone etc.) jamais se movimentam sozinhas e conseguem ter ainda menos iniciativa do que seus originais em couro e carne. Talvez as vacas da &lt;em&gt;cow parade&lt;/em&gt;, mas que são pops e coloridas demais para a metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá aí, sou um artesão no começo do século passado, no começo da tarde com uma pilha de trabalhos a serem feitos, com seus diferentes prazos e especificidades. Um o cliente vem buscar daqui a meia hora. Outro o cliente vem ver a cada quinze minutos, mas sempre adia a retirada. Há ainda o que contratou os meus serviços por mensageiro e que, embora seja muito recomendado, assusta-me com a possibilidade de não vir. No canto há aquele outro de que mais gosto, mas que pelo tanto de afazeres, dificilmente poderei trabalhar nele até o fim do expediente. (Isso sem contar que tudo o que sou está com os dias contados, mas, para ser verossímil, meu artesão não pensa muito nisso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, quando o real está cheio, não há uma imagem justa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-4640037240693429333?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/4640037240693429333/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=4640037240693429333' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4640037240693429333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4640037240693429333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/08/limage-juste.html' title='L&apos;image juste'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6540793306718746855</id><published>2010-08-06T16:58:00.000-07:00</published><updated>2010-08-06T17:09:44.965-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Reflexões de rascunho</title><content type='html'>Chego de viagem e, na velocidade dos olhos, encontro a cidade de Porto Alegre. Fria nesta época do ano, de todos os anos, alterna dia a dia uma chuva gelada e punitiva e baixíssimas temperaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sei se posso dizer isso, mas talvez a cidade seja a prova de que poesia e "tristeza" (coloco aspas por não saber o que é) não sejam práticas indissociáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a chuva ou sob o frio, os sorrisos ficam escassos na cidade destes dias. No entanto, salvo engano, jamais morou nesta cidade um poeta maior. É provável que nem tenha pernoitado em algum de seus antigos hoteis. Tampouco no Brasil quente, litorâneo e corporal de latitudes mais baixas, já eximidos (os poetas menores, todos os poetas brasileiros) pelas temperaturas amenas e pelos sorrisos rápidos. (Talvez o único poeta maior brasileiro seja pernambucano. Terra do sol e do frevo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao poeta é preciso consciência. Extrema, incansável, insone, universal. Os sentimentos que resultam disso são irrelevantes. Às vezes, as palavras que resultam disso são relevantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6540793306718746855?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6540793306718746855/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6540793306718746855' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6540793306718746855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6540793306718746855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/08/reflexoes-de-rascunho.html' title='Reflexões de rascunho'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8675365817882565513</id><published>2010-07-19T06:59:00.000-07:00</published><updated>2010-07-19T07:04:21.950-07:00</updated><title type='text'>O arco e a lira</title><content type='html'>Passo rapidamente (e espero não desperdiçar teu tempo de visita) para um frase rápida de uma entrevista de Octavio Paz a Betty Milan (e que saiu na "Agulha Hispânica"):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro aspas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os psicólogos dizem de modo mais ou menos pedante o que os poetas dizem de forma simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho aspas. (O crítico opunha o conceito lacaniano de "hainamoration" aos seguintes versos de Catulo: "Amo e odeio ao mesmo tempo. / Por quê?/ Não sei, / Mas eu disso padeço").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra que dizer mais num meio de férias?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8675365817882565513?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8675365817882565513/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8675365817882565513' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8675365817882565513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8675365817882565513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/07/o-arco-e-lira.html' title='O arco e a lira'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2165718573916876636</id><published>2010-06-16T06:30:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T06:44:50.096-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Três apitos sobre a poesia contemporânea</title><content type='html'>De volta a Porto Alegre, lá estava eu lendo um teórico francês sobre poesia contemporânea e duas análises me chamaram a atenção, ao que acrescento outra, fruto de uma conversa minha com uma amiga nessa última viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o teórico: diferentemente da máxima de Mallarmé de que a poesia está na palavra e não na ideia, hoje a poesia está &lt;strong&gt;presa&lt;/strong&gt; na palavra. É como se fosse um pouco ingênuo o poeta acreditar que ainda seja possível alguma originalidade de sentido e bastar-se (quase simbolisticamente) no que a palavra pode causar com sua imagem acústica. (Espero ter saído dessa armadilha no livro que estou lançando, porque busquei sair).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Encore le penseur&lt;/em&gt;: talvez um dos problemas atuais da poesia seja ela ser um gênero marginalizado dentro da cultura já não hegemônica do livro. Lá está o leitor (onde? onde?) que resolveu sair de casa para comprar um livro ou pedir para algum site mandar um livro pra sua casa. No fim da fila de auto-ajuda, biografias, baixo romance, crônica, alto romance, quadrinhos, livros de moda, aforismos (opa!), está sua escolha por um livro de poesia. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sou eu: a poesia está na contra-corrente do ritmo e da direção da leitura contemporânea. Pelo grande número de símbolos diários de nossa cultura visual, somos treinados desde cedo a ler com rapidez, teleológica e pragmaticamente. Daí vem o poeta e diz: passei um tempo a escolher a palavra exata para este verso, eu preciso que você acredite em mim e que acredite que esta escolha fará alguma diferença na tua vida simbólica. Na pressa do leitor se confudem o poeta brilhante e o poeta medíocre, eles se igualam na linha média da sacada, da boa ideia pra um poema, do puro &lt;em&gt;wit&lt;/em&gt; como alimento lírico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terão algum sentido estas reflexões?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2165718573916876636?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2165718573916876636/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2165718573916876636' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2165718573916876636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2165718573916876636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/06/tres-apitos-sobre-poesia-contemporanea.html' title='Três apitos sobre a poesia contemporânea'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-7735463048814009845</id><published>2010-05-26T14:38:00.000-07:00</published><updated>2010-05-26T14:44:11.815-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novela'/><title type='text'>o começo de uma narrativa</title><content type='html'>Como está dito num banner eletrônico aqui no blog, estou participando de um laboratório de escritores da editora 8 Inverso. Nesta semana, escolheram o começo da minha narrativa para figurar em seu &lt;a href="http://8inverso.blogspot.com/"&gt;site&lt;/a&gt; na última segunda, 24 de maio, o que me deixa mais à vontade para trazê-la para os leitores daqui. Um grande abraço a todos e espero não decepcionar tanto com a evidência do meu esforço em fazer prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Só haveria futuro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números nunca se acenderam tão lentamente. Até a cobertura ainda seriam onze lâmpadas pequenas e vermelhas sob quatorze vãos: um, dois, três... Ao menos estava sozinha. O elevador é um dos poucos lugares no mundo onde se estar sozinho é uma vantagem, o que é especialmente significativo para Flora, incapaz de lembrar da última vez em que se imaginou simultaneamente sozinha e feliz. O que fará quando o vir flertando com aquela mulher de voz magra e comportada que interceptou na manhã corrente com o cuidado da mão no bocal? Só agora, com um tempo imenso para pensar nos impulsos que a levaram até ali, Flora reflete que talvez tivesse sido melhor deixar passar, como das outras vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os números crescendo em contagem regressiva, Flora retorna ao Passat branco em que via César cortar o subúrbio na juventude. Sentadas à frente de sua casa, as amigas comentavam unânimes que o motorista não valia muito, embora nenhuma tenha escapado de sua conversa fácil e de alguns amassos ao som conveniente de Cazuza. Só ela casou com ele. Mesmo após a traição flagrada nos tempos de noivado, em que toda a família se envolveu e perdeu-se a madrinha mais bonita. No quintal, aos fundos da casa dos pais, Flora acreditou catolicamente no juramento de César de que ele não aprontaria de novo. Hoje sustenta aos mais próximos que estava certa e não entende os motivos da impopularidade do marido entre os seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete. Os filhos vieram logo para engrossar o argumento e o amor entre eles. Se poderiam servir a ela como amuletos definitivos contra a solidão, rapidamente se transformaram em mais um motivo do quanto era bom que o marido continuasse por perto. Apesar de sua intransigência natural e alguma violência, ele sempre se mostrou um pai bastante presente na vida deles. Dos médicos ao longo da infância até o trabalho precoce do caçula, César era suficientemente firme e zeloso. Não trocava fraldas, claro, nem tinha intimidades com a mais velha, coisas para a mãe; contudo, é preciso louvá-lo igualmente pelo relativo sucesso das crianças. Se Flora pode sorrir diante do espelho pelo futuro dos filhos, em duas cabeças repousam os mesmos louros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lâmpadas e a caixa chegam mais perto do ápice. Surpreender uma traição é certamente mais difícil do que trair. Existe algo de irreversível nisso – coisa rara no mundo de Flora e de todos. Há, por outro lado, a recuperação do orgulho, mas ela nunca foi uma mulher especialmente orgulhosa: filha do meio, com um corpo de curvas acentuadas, bonita, sim, mas de uma beleza caseira, não de tirar do sério os olhos masculinos, mas de convidá-los para uma vida regrada, sem sobressaltos. Seu azar foi a existência de César, que parece não ver incompatibilidade entre os amores da rua e os de casa. Será que ele a ama assim como ama aos filhos? Que diabo a levara a sair correndo, do jeito que estava, atrás de uma discussão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As portas se abrem e os olhos de Flora rapidamente encontram a figura do marido em meio a mesas redondas, toalhas de linho e ternos. De frente para ele, uma senhora, quinze ou vinte anos mais velha, escuta entediada a fala eloqüente de César. Ele não a traía! Ele não a traía! Contentíssima em se desfazer de uma série de atos que cogitava ainda há pouco, nem nota que os olhares dos outros começam a se acercar dela. Menos por sua beleza natural e seus cabelos cacheados, mais pela camiseta branca suja de molho, a calça jeans e os chinelos, o contraste visível que a deixava no patamar mais baixo do grande salão. Algo como se uma cozinheira, servente talvez, tivesse errado a porta de entrada e fosse um incômodo vivo a tantos negócios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora que janta com César, farta da sobremesa, flutua os olhos até encontrar a figura de Flora. Com a sinceridade comum a seus bens e idade, deixa que saia um riso fino, baixo, inocente, dos mesmos que tem até hoje ao rever O grande ditador. Surpreendido no meio da verbalização de um gráfico, seu futuro parceiro comercial se vira, deparando-se com a mulher alguns passos à frente do elevador fechado. Os olhares de muitos, o rosto pálido, o sobrepeso, o sorriso e o indicador dos andares (confundido com uma auréola) davam-lhe um ar de madona. Qual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedindo licença à senhora, César se levanta e, sem dizer palavra, caminha para sua esposa enquanto retira o blazer escuro dos ombros. Num misto de carinho e vergonha, deposita-o sobre as costas da mulher e aperta o botão do elevador. De toda forma, precisa levá-la dali. Acarinhada pelas roupas do marido, Flora nem percebe o quanto as portas demoram a se abrir, os momentos novamente longos na descida, as luzes se acendendo em ordem contrária. Dali em diante, só haveria futuro. O passado é triste e seu excesso é que a fez desconfiar do marido. Um tanto a contragosto, seus dedos se enlaçam e há o diálogo silencioso entre cabelos e peito. Salvo suas diferenças evidentes, um hipotético observador no saguão diria que saiu do elevador um casal extremamente feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-7735463048814009845?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/7735463048814009845/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=7735463048814009845' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7735463048814009845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7735463048814009845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/05/o-comeco-de-uma-narrativa.html' title='o começo de uma narrativa'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5257132344866831422</id><published>2010-05-21T16:19:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T16:40:31.901-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Cada poema tem seu canto</title><content type='html'>E não é que recebo a graciosa mensagem de Dinorah dizendo que achou meu poema "H" de "Poemas lançados fora" e queria postá-lo em seu &lt;a href="http://dinorahcomaganofim.blogspot.com/"&gt;blog&lt;/a&gt;. Mas claro! Não é todo dia que o poema acha um canto justo que lhe guarde. O poema sempre foi teu, Dinorah, só esteve emprestado comigo. Se primeiro o vimos num livro que eu assinava, é que nossos olhos não costumam ver os poemas "em estado de dicionário", quando eles pairam sob a materialidade das coisas. Eu e ele, o poema, agradecemos muito que veio levá-lo para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;H&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No princípio todas as palavras vinham com agá&lt;br /&gt;antes.&lt;br /&gt;Certo dia, por não se saberem úteis,&lt;br /&gt;resolveram deixar a empresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre há fura-greves&lt;br /&gt;e dedos-duros (embora estes não se encaixem na contenda,&lt;br /&gt;o que em nada impede posarem de figurantes),&lt;br /&gt;ficou o agá de hoje, de há, de halo,&lt;br /&gt;de hipogrifo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinorah, faceira que só ela,&lt;br /&gt;hora tem, ora não tem&lt;br /&gt;o pensado,&lt;br /&gt;mas não dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que, com Dinorah,&lt;br /&gt;o agá não é de princípio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5257132344866831422?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5257132344866831422/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5257132344866831422' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5257132344866831422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5257132344866831422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/05/cada-poema-tem-seu-canto.html' title='Cada poema tem seu canto'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-3131150829359044943</id><published>2010-05-14T04:23:00.000-07:00</published><updated>2010-05-14T05:05:55.355-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>eco poético</title><content type='html'>Abri o blog hoje sem muito a dizer. Sono mais mestrado menos tempo é igual a pouca literatura, poderia ser uma síntese equivocada. Vou visitar, então, os blogs que gosto de ler e achei um poema bem interessante no blog do poeta Heyk Pimenta (&lt;a href="http://heykpimenta.blogspot.com/"&gt;http://heykpimenta.blogspot.com/&lt;/a&gt;) e resolvi tentar um eco aqui nestas paragens. Corram lá primeiro, se puderem, que é onde está o sentido mais espesso do poético, para depois conferirem meu eco-brincadeira. Muita arte a todos e obrigado ao poeta Pimenta!&lt;br /&gt;p.s.: desculpem-me a obrigatoriedade de precisar clicar na imagem, mas é que o poema era longa e tem variações importantes nas margens dos versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S-076P-tuTI/AAAAAAAAAes/_7di_oYEM0s/s1600/dia+crian%C3%A7a.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 235px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S-076P-tuTI/AAAAAAAAAes/_7di_oYEM0s/s400/dia+crian%C3%A7a.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471094994233047346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-3131150829359044943?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/3131150829359044943/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=3131150829359044943' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3131150829359044943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3131150829359044943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/05/eco-poetico.html' title='eco poético'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S-076P-tuTI/AAAAAAAAAes/_7di_oYEM0s/s72-c/dia+crian%C3%A7a.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-4976195184787728644</id><published>2010-05-10T09:11:00.000-07:00</published><updated>2010-05-14T04:19:12.604-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>O sonho límpido da língua</title><content type='html'>Participei há duas semanas de um programa de rádio (Dois Pontos) sobre meu novo livro, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;zero um&lt;/span&gt;, que será lançado no próximo mês, com lançamentos aqui em Porto Alegre e em Campinas (mas que já pode ser comprado pelo site da 7 Letras ou na Palavraria, em Porto Alegre). Das muitas perguntas de caráter mais ou menos amplo que respondi, uma ficou ecoando na minha cabeça e só agora eu consigo dar a resposta que queria ter dado no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim me perguntou o professor Paulo Seben (aspas arrazoadas), notando que meus poemas variam muito sua forma gráfica no espaço da folha: "quais os critérios que você usa para alinhá-los no centro ou à esquerda?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora, eu respondi que se tratava de um recurso a mais, que eu tinha aprendido de um poeta jardineiro que eu conheci há tempos, e que depois tinha lido e estudado os concretistas, o que aumentou minha certeza na validade do recurso e na importância de entender o poema TAMBÉM como imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, a resposta que gostaria de ter dado é que a defesa de que o poema em si (por seu corpo) não pode constituir uma forma a ser significada vem da crença de que a poesia precisa ser veiculada pela linguagem material com o mínimo de perda possível, o que é claramente ingênuo. A linguagem, todos sabem, está longe de ser transparente e, com generosidade, pode ser considerada, no máximo, opaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manter incólume a forma do poema parece dizer que o verdadeiro sentido segue detrás da linguagem e é ele que o leitor deve inferir em sua leitura. Errado! (Não gosto de ser tão dogmático, me desculpem) A linguagem, inclusive em seus caracteres físicos, constitui boa parte do sentido de um poema, aliás, de todos os sentidos oriundos da linguagem, na verdade. Se eu digo "mato", o leitor pensará na vegetação, no presente do verbo matar, nas formas figuradas como "matar o tempo", "matar aula" etc., mas também pensará nessa nasal interrompida pela oclusiva surda, como se dentro da palavra crescesse uma planta (olha o "t" aí de novo), como um arbusto no meio do mato.  Pensará talvez que é uma palavra que demora a nascer, que passa um infinito ainda no meio dos lábios até sair e logo acaba. Creio que, por ser arbitrário, há muito de não arbitrário na escolha que as culturas deram para seus sígnos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não? Sim? Na dúvida, por achar que sou poeta e uso a língua como minha matéria de arte, preciso lidar com esse sentido oculto, que corre no nosso inconsciente linguístico para estacionar nalgum canto do verbo, para se atirar subitamente no abismo do nada. Nada? De alguma forma acho bonito esse jeito de matar o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S-g160EDHMI/AAAAAAAAAek/fFn67fuor9E/s1600/trava+l%C3%ADngua.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 210px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S-g160EDHMI/AAAAAAAAAek/fFn67fuor9E/s400/trava+l%C3%ADngua.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469681031965777090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-4976195184787728644?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/4976195184787728644/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=4976195184787728644' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4976195184787728644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4976195184787728644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/05/o-sonho-limpido-da-lingua.html' title='O sonho límpido da língua'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S-g160EDHMI/AAAAAAAAAek/fFn67fuor9E/s72-c/trava+l%C3%ADngua.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8478945583235742379</id><published>2010-04-30T14:48:00.000-07:00</published><updated>2010-04-30T15:04:23.345-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>"aprender a viver"</title><content type='html'>Acho "viver" muito vasto e "aprender" muito polêmico para que a expressão "aprender a viver" tenha algum sentido. Ficam só mesmo o sentido retórico, para bares de companhia ruim, e o sentido financeiro, para os autores das centenas de livro sobre o tema. Por ambos não me interesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo, entretanto, que talvez isso de colecionar segundos tenha feito alguma coisa ao que tendo a chamar de eu (quando me falo). Se estou aprendendo, duvido, mudo por condição. Se viver é, assim, nessas mudanças, talvez esteja vivendo. Viver é inevitável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia pretendo me ver nos muitos tempos a que chamei de presente, pelo parapeito da memória, e talvez reconheça que mudei. Tomara! Talvez reconheça que não, que ainda sou a parte de dentro do útero recebendo a vingança de outros já nascidos. Que desde lá recebo o carinho dos pais e das vítimas de outros pais para que eu me esqueça do trauma e pense estar aprendendo. Que um dia me veja crescido, e reporduza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver? Terei vivido. Mas sem aprender nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8478945583235742379?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8478945583235742379/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8478945583235742379' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8478945583235742379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8478945583235742379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/04/aprender-viver.html' title='&quot;aprender a viver&quot;'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-152880959250559185</id><published>2010-04-26T18:16:00.000-07:00</published><updated>2010-04-26T18:19:56.136-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>nova casa</title><content type='html'>Salve, meus caros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo para informar de uma nova casa onde vou escrever a cada dia 27, portanto, amanhã começo. &lt;a href="http://manazinabre.blogspot.com/"&gt;Maná Zinabre&lt;/a&gt;! Casa de uma galera sempre muito antenada, tanto com a necessidade de experimentar esteticamente o gênero a que se aplicam, quanto com importância social do artista em seu entorno. É uma honra poder dividir espaço com tanta alma! Vale aquela conferida, eu acho. Grande abraço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.: meu livro finalmente chegou! Gostei muito do resultado! Possíveis datas de lançamento: Campinas (08/06) e Porto Alegre (25/06). Todos sempre bem-vindos, sempre!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-152880959250559185?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/152880959250559185/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=152880959250559185' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/152880959250559185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/152880959250559185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/04/nova-casa.html' title='nova casa'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-922247926626263650</id><published>2010-04-19T17:10:00.000-07:00</published><updated>2010-04-19T17:19:34.185-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Entre prazeres e dores</title><content type='html'>Ainda no aguardo do livro, minha vida tem se atolado de muitos pequenos prazeres. Vê-los assim reunidos pelas horas de que disponho, até parece que viram aquilo que não propunham. As forças mais agradáveis, o amor inofensivo, sair pra viver à noite, a leitura de um bom livro, tudo são quinas e cacos. Poderia ser pior, prazeres de que não vivo. Concordo (a contragosto). Mas ontem fiquei zonzo pela primeira vez em muito por conta de tanto trabalho que talvez pagarão as contas, talvez irão pelo ralo. Com o perdão da imagem, quando as cidades se forem, encontrarão nos esgotos prazeres de muita gente e, talvez, algumas dores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-922247926626263650?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/922247926626263650/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=922247926626263650' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/922247926626263650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/922247926626263650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/04/entre-prazeres-e-dores.html' title='Entre prazeres e dores'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-7200478474124214397</id><published>2010-04-15T17:10:00.000-07:00</published><updated>2010-04-15T17:14:18.980-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Chegando...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S8erx5F1yJI/AAAAAAAAAd0/P1hqf8ylUoA/s1600/not%C3%ADcias+da+espanha.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 287px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S8erx5F1yJI/AAAAAAAAAd0/P1hqf8ylUoA/s400/not%C3%ADcias+da+espanha.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5460521946837272722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a editora em falou que meu novo livro acaba de partir do Rio de Janeiro e no começo da semana que vem o terei em mãos. Não sei se é motivo para festa - há uma dor estranha na alegria de se publicar um livro -, mas, pelo senso comum, comemoro postando mais um dos poemas que o compõem. Este, aliás, é bastante antigo, comecei-o há uns três anos. Palavra aqui, palavra ali, ele foi mudando até chegar a esta versão difinitiva (por enquanto).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-7200478474124214397?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/7200478474124214397/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=7200478474124214397' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7200478474124214397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7200478474124214397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/04/chegando.html' title='Chegando...'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S8erx5F1yJI/AAAAAAAAAd0/P1hqf8ylUoA/s72-c/not%C3%ADcias+da+espanha.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-9208180000559910613</id><published>2010-04-13T18:24:00.000-07:00</published><updated>2010-04-13T18:45:32.547-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Da tristeza poética</title><content type='html'>Achei hoje uma resposta que eu procurava há muito tempo! Lá estava eu lendo a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Teoria do Romance&lt;/span&gt; e (aspas fajutas): "a epopeia é uma época em que a expectativa da ação e a ação coincidem, sem muito espaço para a filosofia, que versaria sobre a diferença entre a ação e o desejo". Cá na minha cabeça, do mesmo bazar das aspas, vale o mesmo pra poesia. Poeta feliz não escreve, vai ao shopping. Poeta feliz não reflete, puxa o brinde. E não estou dizendo ficar em casa, tomando alguma coisa, ouvindo coisa pior. Isso é a valorização da própria tristeza, o que consegue ser ainda mais deprimente da perspectiva dos outros (embora pro próprio "poeta" soe um tanto vazio). Digo sobre ter sempre sujeira nos óculos, De olhar para a tristeza pela face neutra ou triste. Da se compadecer dos outros, de sentir. Nessa tristeza se vive e dela se fazem poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.1: hoje conheci um anjo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.2: tem novidades e livros de presente lá no &lt;a href="http://www.trombonearte.wordpress.com"&gt;Trombone&lt;/a&gt;, apareçam!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-9208180000559910613?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/9208180000559910613/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=9208180000559910613' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9208180000559910613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9208180000559910613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/04/da-tristeza-poetica.html' title='Da tristeza poética'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2290620593050971128</id><published>2010-04-09T15:35:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T15:42:48.762-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Academia</title><content type='html'>Nossos universos, aqui costumeiros, não cósmicos, são povoados por milhares de coisas simples todos os dias. Meu auto-engano de ser artista sempre relegou o que não é arte a um segundo plano. Os anos, contudo, vêm trazendo de volta parte desses prazeres que eu antes tratava com despeito. Um deles certamente é a discussão acadêmica. Almocei com três mestres hoje e depois me reuni com mestrandos para discussões sobre Auerbach e Moretti. Mais do que nas leituras e interpretações, o verdadeiro prazer do exercício intelectual reside no desvendar do raciocício no momento da discussão. O insight. A mudança de rumo. As muitas hipóteses propostas e descartadas. Às vezes sobra um fiapo, que depois será seguido, com bibliografia e esforço, para torná-lo temporariamente evidente aos outros. Quem me dera todo meio acadêmico pelos quais já passei na vida fossem assim! Quem me dera meu atual meio acadêmico (aqui e em congressos em outros lugares) fosse assim todo o tempo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2290620593050971128?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2290620593050971128/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2290620593050971128' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2290620593050971128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2290620593050971128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/04/academia.html' title='Academia'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5898712436347745236</id><published>2010-04-08T04:01:00.001-07:00</published><updated>2010-04-08T04:16:36.156-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Cuidado</title><content type='html'>Venho falar de força e de cuidado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer voltar à égide da temperança, está cada vez mais claro para mim que exagerar na força, sobretudo os fortes, é extremamente perigoso. Acompanho alguns "formadores de opinião" no Twitter e é impressionante como as pessoas conseguem ser categóricas com facilidade. Não muito desastroso em opiniões mais óbvias, mas devastador no que tange a casos controversos. Há certa loucura em todas as cruzadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou falar por versos, que talvez fale melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S7260wDkCII/AAAAAAAAAdc/kemlpbzAWLw/s1600/cuidado.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 362px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S7260wDkCII/AAAAAAAAAdc/kemlpbzAWLw/s400/cuidado.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457723738858719362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(poema do livro "zero um" que sai no fim deste mês pela 7 Letras)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5898712436347745236?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5898712436347745236/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5898712436347745236' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5898712436347745236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5898712436347745236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/04/cuidado.html' title='Cuidado'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/S7260wDkCII/AAAAAAAAAdc/kemlpbzAWLw/s72-c/cuidado.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8965214472258036607</id><published>2010-03-27T21:41:00.000-07:00</published><updated>2010-03-27T22:03:52.799-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Herbert de perto</title><content type='html'>Tive um bom final de semana de filmes. Aproveitei para ver &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Guerra ao Terror&lt;/span&gt;, que é bom filme, mas não melhor do que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bastardos Inglórios&lt;/span&gt;, para lhe tomar os prêmios. Vi &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Julia &amp; Julie&lt;/span&gt; e realmente há pouco o que dizer de Meryl Streep. Mesmo em papéis extraídos de personagens exageradas na vida real, como a cozinheira, ela consegue elevar o patamar da arte dramática (há uma cena maravilhosa quando ela descobre que a irmã está grávida, vale conferir). Também vi &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Herbert de perto&lt;/span&gt; e é desse que consturo nosso papo neste espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não saí do filme achando que Herbert canta bem ou que é um dos melhores compositores da canção nacional. Salvo "Alagados", "Uma brasileira" e uma ou outra canção de amor, realmente o admiro mais como guitarrista do que como compositor ou intérprete. Me impressionou a força do homem. Claro que muitos sofrem acidentes ou perdem pessoas queridas e precisam enfrentar a vida de novo, com renovadas motivações. O que me impressiona é alguém que não quebre após descobrir que o tudo que sempre teve é quase efêmero se comparado à capacidade do acaso em despedaçar as coisas. "A vida é um sopro", como disse Niemeyer em outro documentário famoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da infância de lugar em lugar com a família, das arruaças em Brasília (fora do alcance policial, pelo pai militar), ao sucesso dos Paralamas (de passagem, absolutamente justo porque Herbert é talentoso!), ele mesmo diz no filme que conseguiu tudo o que sempre quis na vida. Uma cena tocante é o Herbert depois do acidente olhando para o Herbert dizendo essa frase e comentando: "é, o mané aí não sabe do que está falando".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver o filme do Herbert me deu pressa. Pressa porque não sei quanto tempo ainda fico por aqui (um assalto na semana passada talvez tenha ajudado nessa sensação). Se existe algum propósito em eu escrever desde sempre, compor como um maluco (os músicos meus amigos fazem apostas, piadas, desafios sobre meu lance com composição), buscar a precisão da palavra, viver para a arte, eu quero cumprir o propósito enquanto ainda tenho tempo. Se não há propósito algum, preciso aproveitar ao máximo minhas condições (históricas, ideiológicas, discursivas) pra produzir mais e na melhor qualidade que conseguir, porque pode ser que isso mude a vida de alguém, ou um momento da vida de alguém, que já é um universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vi ou fique sabendo de pessoas que dançaram com minhas músicas, mudaram o que pensavam diante dos meus poemas, se divertiram com meus contos, me abraçaram e se emocionaram quando conversávamos... não há como medir isso, nem o valor nem o alcance. Embora nos outros instantes eu tenha dúvidas sobre tudo, nestes me sinto totalmente justificado, e quero fazer mais e mais, e ao máximo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8965214472258036607?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8965214472258036607/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8965214472258036607' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8965214472258036607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8965214472258036607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/03/herbert-de-perto.html' title='Herbert de perto'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1544235284742685457</id><published>2010-03-23T18:12:00.000-07:00</published><updated>2010-03-23T18:39:00.499-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Notícias</title><content type='html'>Hoje venho só deixar uma notícia. A partir de amanhã, provavelmente, estarei participando da oficina proposta pela editora 8 Inverso, que buscou reunir prosadores de diferentes estilos e idades no intuito de aprimorar-lhes a escrita e, quem sabe, fechar contrato com alguns deles ao fim da série de exercícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me alegrei porque é um dos primeiros reconhecimentos que tive como prosador. Um escritor, talvez Cláudio Willer, há muitos anos se interessou. Depois outro autor, Fischer, elogiou a desenvoltura em sua oficina de contos. Agora isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora me esforce muito (diferente do poema), gosto bastante de escrever contos ou o que quer que sejam. Espero aprender bastante na oficina e parabenizo muito os demais selecionados (e todos que participaram).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande abraço e arte!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1544235284742685457?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1544235284742685457/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1544235284742685457' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1544235284742685457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1544235284742685457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/03/noticias.html' title='Notícias'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1620440202477482000</id><published>2010-03-18T18:05:00.000-07:00</published><updated>2010-03-18T18:07:57.504-07:00</updated><title type='text'>Nerd...</title><content type='html'>Meus colegas de mestrado, muitos deles já amigos, costumam me chamar de nerd, com toda a justiça do mundo! O que não impede, contudo, que eu provoque de volta com algumas brincadeiras. Eis a última:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Soneto do Nerd&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh Rui Barbosa, que me cede a voz,&lt;br /&gt;vem afastar a multidão lá fora,&lt;br /&gt;que sob as tochas vocifera há horas,&lt;br /&gt;unindo as armas num perverso algoz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se em medo fujo à multidão feroz,&lt;br /&gt;é por não ter-te ao lado, oh caro Górgias,&lt;br /&gt;que me ensinastes tudo e justo agora&lt;br /&gt;voltas à sombra do silêncio, a foz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem meu vulto com ardis olhares&lt;br /&gt;ou altos muros minha fuga esconde?&lt;br /&gt;Diz-me a verdade, mestre Jô Soares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor das pernas faz sumir a fome...&lt;br /&gt;O peito louco diminui os males...&lt;br /&gt;Não trouxe o pôster da Fernanda Young!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1620440202477482000?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1620440202477482000/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1620440202477482000' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1620440202477482000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1620440202477482000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/03/nerd.html' title='Nerd...'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6265009194234164947</id><published>2010-03-17T15:10:00.000-07:00</published><updated>2010-03-17T15:21:22.706-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Seguem as mudanças</title><content type='html'>E seguem as mudanças deste lado de cá do mundo. Vou tentando manter o ritmo das criações e leituras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto àquelas, meu próximo livro vai em breve para o prelo e o seguinte, à altura da página 30. Resolvi engrenar também um livro infantil que andava um tanto parado e vou finalmente reunir o Júlio César para um formato publicável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a estas, estou lendo alguns livros a tacape, como o de Lima Barreto, ao passo que também me delicio com João do Rio. O mais é pra pesquisa, foco que deve me exigir boa parte do tempo este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, ainda um pouco sem tempo para me dedicar completamente aos meus blogs, mas com alguma felicidade, posto que devo ter bem mais tempo e logo. Deixo, como fogos de artifício, os primeiros versos do meu possivelmente primeiro livro infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre força e arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;BITOCA&lt;/span&gt; (texto: guto leite; argumento: paula sabagga &amp; guto leite)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas épocas mais remotas,&lt;br /&gt;se não me falha a memória,&lt;br /&gt;houve uma certa Bitoca&lt;br /&gt;de quem lhes conto esta história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filha de um rei camarada&lt;br /&gt;e de uma rainha amiga,&lt;br /&gt;os seus castigos na infância&lt;br /&gt;eram conversas “compriiiiidas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos virou mocinha,&lt;br /&gt;mas quem buscou alegria&lt;br /&gt;no rostinho da princesa,&lt;br /&gt;acabou tendo tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que se sentia,&lt;br /&gt;entre todas as amigas,&lt;br /&gt;a princesinha mais feia&lt;br /&gt;e também a mais sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se para animá-la&lt;br /&gt;ou se estava planejado,&lt;br /&gt;deram uma grande festa&lt;br /&gt;pelo seu aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A louca Fada dos Beijos,&lt;br /&gt;prima da Fada dos Dentes,&lt;br /&gt;foi uma das convidadas,&lt;br /&gt;era amiga dos parentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notando que a princesinha&lt;br /&gt;se encontrava cabisbaixa,&lt;br /&gt;para vê-la sorridente&lt;br /&gt;lançou nela sua mágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e daí segue...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6265009194234164947?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6265009194234164947/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6265009194234164947' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6265009194234164947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6265009194234164947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/03/seguem-as-mudancas.html' title='Seguem as mudanças'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2290605732731006764</id><published>2010-03-15T15:53:00.000-07:00</published><updated>2010-03-15T16:21:21.799-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>poemas</title><content type='html'>Ainda entre caixas, carretos, o leva-e-trás das coisas físicas e imediatas, posto outro poema da velha guarda. Feliz porque a Flávia indaga se devo mudar. Feliz porque a Val leu, compartilhou e amou, amor de poeta vale cem czares. Só mudo quando algo puxa para onde vou, quando não há mais casa. Sou mineiro, por isso "terra" é a minha terceira palavra. Espero com as novas linhas, que ainda demoram a sair, decepcionar pouco os olhos de linho que me lêem. Talvez eu tenha achado um jeito novo. Talvez seja o mesmo novo de tantos outros. Ainda há espaço, com tudo, para os poemas de sempre. O tempo máximo e o nulo protegem as boas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;parto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não importa o quanto eu sofra&lt;br /&gt;não importa o quanto eu vença&lt;br /&gt;não importa o quanto eu corra&lt;br /&gt;a dança que mostre o vento&lt;br /&gt;os passos que eu mate ou morra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não importam meus amores&lt;br /&gt;o tempo desta sentença&lt;br /&gt;não importam minhas cores&lt;br /&gt;aquilo que eu tome ou roube&lt;br /&gt;a filha o cofre ou a crença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não importa o quanto eu sinta&lt;br /&gt;as mágoas da diferença&lt;br /&gt;ou sem sentir que eu inveje&lt;br /&gt;pela fibra posta em prova&lt;br /&gt;que eu deseje quem morrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não importam minhas glórias&lt;br /&gt;a toga de bacharel&lt;br /&gt;não importam minhas falhas&lt;br /&gt;não importam meus cristais&lt;br /&gt;não importa o quanto eu saiba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quantas casas decimais&lt;br /&gt;não importa se na prensa&lt;br /&gt;eu quase perder a mão&lt;br /&gt;os dentes que me restarem&lt;br /&gt;para sorrir amarelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não importa que eu enfeite&lt;br /&gt;a ponte para o castelo&lt;br /&gt;sobre um rio de judeus&lt;br /&gt;não importa que eu livre&lt;br /&gt;do campo a foice o martelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as medalhas na parede&lt;br /&gt;nos nomes o medalhão&lt;br /&gt;não importa que eu calce&lt;br /&gt;a alpercata e a sede&lt;br /&gt;que eu sinta a fome do chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não importa que assegure&lt;br /&gt;a permanência dos bens&lt;br /&gt;não importa que eu procrie&lt;br /&gt;não importa que eu recrie&lt;br /&gt;as formas do bem dizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não importa o quanto eu grite&lt;br /&gt;não importa quanto sangue&lt;br /&gt;minha mãe possa perder&lt;br /&gt;tudo será destruído&lt;br /&gt;tudo será redimido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no instante em que eu nascer&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2290605732731006764?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2290605732731006764/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2290605732731006764' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2290605732731006764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2290605732731006764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/03/poemas.html' title='poemas'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1724961646174027756</id><published>2010-03-10T18:04:00.000-08:00</published><updated>2010-03-10T18:14:09.807-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>um poema</title><content type='html'>Estou trabalhando num novo tipo de poética que contorna um pouco a particularidade do poema, por isso não tenho trazido tantos versos a este espaço. Vez ou outra, contudo, me aparecem alguns poemas antigos - antigos para mim, claro, novidade é necessidade da coisa, não da palavra - e é sempre bom voltar à velha forma de versar, conduzir o verbo por versos e estrofes. Segue um poema.(Como é bom poder dizer isso saindo do turbilhão que é para mim aquele outro jeito de escrever.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;ocaso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;beijar-te os lábios&lt;br /&gt;pele sempre nua&lt;br /&gt;como luvas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saber que a palma&lt;br /&gt;quando reclusa&lt;br /&gt; é noturna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas em vôo aberto&lt;br /&gt;faz-te inquieta&lt;br /&gt;ou segura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;medir tuas pernas&lt;br /&gt;pelos palmos&lt;br /&gt;sol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saber o ângulo &lt;br /&gt;exato&lt;br /&gt;em que te acalmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o outro&lt;br /&gt;que te nasce&lt;br /&gt;por detrás da casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para pôr-te depois&lt;br /&gt;e além&lt;br /&gt;saber-te as entradas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;janelas e portas&lt;br /&gt;falhas&lt;br /&gt;entre as tábuas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde guardas&lt;br /&gt;a chave&lt;br /&gt;do prazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ter-te plena&lt;br /&gt;para perder&lt;br /&gt;muito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;constantemente&lt;br /&gt;até ver&lt;br /&gt;de novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;teus lábios&lt;br /&gt;aparentemente&lt;br /&gt;ilesos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rebuscar&lt;br /&gt;um jeito justo&lt;br /&gt;de sofrer&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1724961646174027756?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1724961646174027756/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1724961646174027756' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1724961646174027756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1724961646174027756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/03/um-poema.html' title='um poema'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-9113700968722668610</id><published>2010-03-03T17:25:00.000-08:00</published><updated>2010-03-03T17:36:17.223-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Tempos de mudança</title><content type='html'>As ausências, aqui e no Trombone, estão bem justificadas. São tempos de mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes fossem mudanças em larga escala - das quais continuamos necessitados -, mas estas são de pequeno espectro: família, casa, ano. Tudo bem, absolutas no plano individual, mesmo que pequenas para os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como somos o universo das nossas impressões, talvez as grandes mudanças individuais tenham algum revelo fora das gentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago dois portugueses para dizer por mim sobre estes tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,&lt;br /&gt;Pondo grelado nas paredes...&lt;br /&gt;O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),&lt;br /&gt;O que eu sou hoje é terem vendido a casa,&lt;br /&gt;É terem morrido todos,&lt;br /&gt;É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio..."[...] (Álvaro de Campos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,&lt;br /&gt;Muda-se o ser, muda-se a confiança;&lt;br /&gt;Todo o mundo é composto de mudança,&lt;br /&gt;Tomando sempre novas qualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamente vemos novidades,&lt;br /&gt;Diferentes em tudo da esperança;&lt;br /&gt;Do mal ficam as mágoas na lembrança,&lt;br /&gt;E do bem, se algum houve, as saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo cobre o chão de verde manto,&lt;br /&gt;Que já coberto foi de neve fria,&lt;br /&gt;E em mim converte em choro o doce canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, afora este mudar-se cada dia,&lt;br /&gt;Outra mudança faz de mor espanto:&lt;br /&gt;Que não se muda já como soía." (Camões)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-9113700968722668610?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/9113700968722668610/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=9113700968722668610' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9113700968722668610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9113700968722668610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/03/tempos-de-mudanca.html' title='Tempos de mudança'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5440617536236084262</id><published>2010-02-24T17:51:00.000-08:00</published><updated>2010-02-24T17:58:24.982-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>O Carnaval das Paródias</title><content type='html'>Já disse o Chico em entrevista: "comecei colocando outras letras nas canções que já existiam". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de saber disso, eu já fazia um bom número de versões de poemas célebres pra treinar o pulso, as palavras que cabem, entender o ritmo dos poetas etc.&lt;br /&gt;Como estou transcrevendo as minhas antigas agendas para o computador, achei uma dessas brincadeiras, dei uma afinada nos versos e envio como prova do que pode aparecer no carnaval das paródias. Muita poesia e humor a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;poema de sete fáceis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando nasci um anjo gordo&lt;br /&gt;desses que chamam diabo&lt;br /&gt;disse vai carlos ser fuck na vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as casas expiam os homens&lt;br /&gt;que correm das mulheres&lt;br /&gt;a tarde talvez fosse azul&lt;br /&gt;não houvesse tantos enxofres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Bond passa cheio de pernas&lt;br /&gt;pernas pra quem te quero&lt;br /&gt;pra que tanta perna meu deus pergunta o continuísta&lt;br /&gt;porém o estúdio&lt;br /&gt;não pergunta nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o homem atrás das suíças&lt;br /&gt;é sério simples e sofre&lt;br /&gt;quase não conversa&lt;br /&gt;tem muitos vários amigos&lt;br /&gt;o homem atrás dos óculos e das suíças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu eu por que me abandonaste&lt;br /&gt;se sabias que eu não era eu&lt;br /&gt;se sabias que eu era um rato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;terra terra vasta terra&lt;br /&gt;se eu me chamasse inglaterra&lt;br /&gt;seria uma rima e seria uma solução&lt;br /&gt;terra terra vasta terra&lt;br /&gt;mais farsa é a minha nação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não devia te dizer&lt;br /&gt;mas essa lua&lt;br /&gt;mas esse conhaque&lt;br /&gt;é eu não devia mesmo te dizer&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5440617536236084262?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5440617536236084262/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5440617536236084262' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5440617536236084262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5440617536236084262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/o-carnaval-das-parodias.html' title='O Carnaval das Paródias'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-7651410782040843034</id><published>2010-02-22T06:49:00.000-08:00</published><updated>2010-02-22T07:07:57.882-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>nosso silêncio diário</title><content type='html'>Terminado o conto (que rapidamente me lembrou dos esforços que faço para escrever prosa), volto em algumas reflexões sobre o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as férias universitárias, as muitas obrigações em casa e minha mãe em viagem, tenho ficado longos intervalos de tempo em silêncio. Alguns dias sempre, às vezes uma semana, quando não ligam por engano, ou quando não tenho que trocar breves palavras com as funcionárias do supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses momentos, minha voz vacila como se fosse possível errar e desaprender. Costuma sair baixa, grave, para dentro, e não raro ouço um "ahn?" como resposta. Talvez seja assim sempre. Só não o percebemos porque ficamos pouco sem falar, temos urgência do verbo. A voz, toda vez que se exibe no universo audível, rompe camadas densas de silêncio ao custo da força inteira da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz ordinária é ausente de alma, por isso não faz força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses dias de silêncio, na verdade, tendo a falar comigo. Não alto, refletindo - penso que não preciso falar fora para escutar dentro, esse diálogo eu travo silenciosamente -, mas para sentir o pulso dos meus versos, de todos os textos que escrevo, diariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagina a falta de jeito da minha boca, acostumada nos últimos dias a só dizer poesia, quando é solicitada a responder a uma fala de máquina: "tem cartão bom clube?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. A única resposta possível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-7651410782040843034?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/7651410782040843034/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=7651410782040843034' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7651410782040843034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7651410782040843034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/nosso-silencio-diario.html' title='nosso silêncio diário'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5543919312598518122</id><published>2010-02-19T08:21:00.000-08:00</published><updated>2010-02-19T08:30:56.328-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>lentes de contato (parte 4/4)</title><content type='html'>Edgar pensa não haver relação alguma entre experimentar e trabalhar. Nunca trabalhou antes, talvez menino, da época que eu não o tinha sob as vistas. Por isso, ponderemos, torna-se muito difícil sua aventura laboriosa. A Esfinge, próxima de devorá-lo, pergunta se já experimentou antes. Claro que sim. Diversos e em muitos lugares. De celas a coberturas. Tudo do bom. “Trabalhei numa casa no Itaim, do doutor Noronha”. “Ah, que coincidência, do doutor Noronha, grande banqueiro. E muito justo”. “É”. “Quanto tempo trabalhou pra ele?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez anos antes, em um apartamento na Lapa, uma mulher deixa seu marido. Ele, sentado a um metro e meio da televisão, finge prestar atenção à overdose sangüínea de um noticiário. Assalto à mão armada, formação de quadrilha, oito anos, seis presos, cinco escondem o rosto. Cenário. Ela sai por trás do sofá, pela porta, duas malas. Não bate, gira lentamente a chave. Dois cliques. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mis en Cène&lt;/span&gt; também com um único traidor. Ele chora pouco. Assim como no preso que não se esconde, nele não há sombra envergonhada de qualquer desvio. Vai ao quarto, o filho dorme. Encosta a porta, sem cliques. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Encore de l’audace&lt;/span&gt;, em outro cômodo, beija o bebê que, agitado, livra-se da fantasmagoria. Da janela, perde-se em uma avenida onde carros dão movimento à noite quando passam. Anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dois?” “É, e alguns meses”. Ótimo. “Ótimo! O senhor poderia me dar licença alguns instantes, enquanto troco esses óculos por umas lentes de contato. Nunca me acostumo”. A outra metade retorna escada acima. “Bom sujeito, esse doutor. Humilde. Como se fosse nós, mesmo.” Busca uma chance, quem sabe? “Trabalho uns meses arrumo uma grana, vou pra Minas, ou pra Bahia...” Não quer mais casar. Filhos, pra quê? Ofício aprendido, se perde o mendigo. “Acho que três dá”. A gorda entra na sala e vence os degraus com um ar empregado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três minutos depois, desce. “Desculpe, senhor, mas o patrão sente-se indisposto e pede que o senhor retorne em uma semana para resolverem a questão da vaga. Tudo bem?” “Tudo”. Indisposto?! Ela acompanha Edgar até a porta da casa. “Acho que dá pra eu voltar na quinta ou na sexta, se o Moreira me pagar a comissão”. Despedem-se sem palavras, sem intimidade possível. Ela não se dá para cúmplice. “Se não pagar, há sempre a vendinha da Vila Mariana”. Finalmente, ao fundo, Edgar não ouve o som criminoso e frenético da foice, da enxada e das mãos do jovem Agenor, que trabalha competentemente naquela casa há três anos. Jamais passou pelas ideias de Rubens demiti-lo. Jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;FIM&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5543919312598518122?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5543919312598518122/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5543919312598518122' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5543919312598518122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5543919312598518122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/lentes-de-contato-parte-44.html' title='lentes de contato (parte 4/4)'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2113029813097755270</id><published>2010-02-17T18:03:00.000-08:00</published><updated>2010-02-17T18:08:05.661-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>lentes de contato (parte 3/4)</title><content type='html'>É interessante como, em doze horas, vai-se de Léon a Pollux. O homem naturalmente metropolitano que ontem à noite castigava uma indócil criatura marginal, cópula em crina, a fim de arrebatar-lhe seus breves momentos de candura; hoje está reduzido a um garoto quebradiço e acuado, mínimo de compostura, máximo de medo, de uma grandiosa violência em potencial. O dobro de passos retorna do alto. Metade afasta-se pela porta. “O senhor quer candidatar-se a nossa vaga de jardineiro? Que ótimo!” Pantufas amenizam o andar pesado de um homem robusto, da segunda juventude, cabelos lisos, rosto corado, grandes olhos azuis por detrás de óculos grossos à moda sessentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse homem de nome Rubens, por ser rico, admira levemente a pele engrossada de trabalho que protege o corpo incólume de Edgar. O de baixo também admira Rubens, por ser rico; mas, diferente do primeiro, rapidamente sublimaria qualquer dos seus dias por uma chance de se tornar outro. Melhor, de ter sido; já não há tanto o que fazer. “Tô muito precisado, doutor”. O papel de cada um se decidindo. “É, todos nós precisamos de algo, meu filho”. Cristalizados. “Onde que o senhor mora?” Cabe dizer que se olhamos bem e nos reconhecemos, e muitos poucos de nós o fazem, somos todos impreterivelmente de Shakespeare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunta que antes incomodava o corpo, aguçando as mulheres, podia ser dita nesta manhã sem grandes constrangimentos, espera. “Campo Belo, doutor”. “Acordou cedo, não? Uma hora e meia, duas horas daqui?” “É, por aí”. “Estrangeiro”, pensa. “Que merda, é sempre a mesma pergunta!”, pensa. Não era a primeira vez que ele pedia emprego, e nunca gostou. “Mas gosto de levantar cedo, patrão. A viagem é bem tranqüila”. Glória ao dinheiro e à mentira, colunas frágeis da nossa pretensão! “E a experiência? Onde o senhor trabalhava antes?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(continua mais uma vez...)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2113029813097755270?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2113029813097755270/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2113029813097755270' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2113029813097755270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2113029813097755270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/lentes-de-contato-parte-34.html' title='lentes de contato (parte 3/4)'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-7007260167045979714</id><published>2010-02-15T16:42:00.000-08:00</published><updated>2010-02-17T18:09:19.477-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>lentes de contato (parte 2/4)</title><content type='html'>Quase no final de sua jornada, de volta ao momento do conto, ele diminui o passo, com medo de suar. Prefiro olhar como o jovem Borges. Se as ruas entediadas são as entranhas de um homem, o nosso é a faca, que a princípio rasgou violentamente e agora passeia viscosa saboreando a ocasião corriqueira e não vital de ser nobre, o gozo infinito de caber. Ele confere os bolsos. Do direito, desembainha letras, tipografias molhadas, solicitando a presença de um jardineiro. O papel diz-lhe vagamente o que deseja. Segue ambicioso e perambula. Visto que não há nada notável em perambular, saio, corto um tomate, salpico moderadamente de sal e retorno a tempo de encontrar Edgar, desarmado, às portas do número 119 da Rua Marquês Diderot de Ville. Nem se enxergasse bem, entenderia a exuberante ironia deste lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o destino é meticuloso, se o desposamos! No instante em que o suburbano se aproxima, e uma garoa de camurça alegra alguns, decepciona outros e a maioria não nota; uma senhora gorda, de vestimenta bicolor e lógica, com um laço prudente na cintura, despede-se de duas crianças feias, mas ricas, e permanece do lado de fora de um Audi preto, com rodas de ligas metálicas, que se apressa e passa por Edgar, não por cima. Um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;happening&lt;/span&gt;. Os olhos vivos do menino, o mais novo, encontram o menino dentro do homem do lado de fora do carro. Acolhido, encolhido, amordaçado. Ambos! Há uma cumplicidade contrabandeada para fora deles que não cabe na história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Es fangt nur an, kämpfen wir weiter&lt;/span&gt;. Edgar confere sua roupa, enquanto avança morosamente por entre as colunas do portal. A criada, acho que leio Silvana bordado em seu avental, retrocede, foge mesmo, da chuva, para debaixo da marquise. “Pelo anúncio, dona, de jardineiro”, atira o pretenso empregado, antes que ela chame ajuda. Não haveria socorro agora, se ele fosse bandido. O dono da casa é empreiteiro, um capitalista de coragem. Confia em poucos. Prefere a segurança de seu muro e de sua Beretta 92, 9mm, fundos, terceira gaveta destrancada da esquerda, escrivaninha do escritório. Pode ser desapego, pouco o que perder. “Limpe os pés e entre, senhor, que já vou chamar o dono da casa”. Silvana se vira e ouvimos o barulho de seus sapatos subindo a escada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(continua mais duas vezes...)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-7007260167045979714?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/7007260167045979714/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=7007260167045979714' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7007260167045979714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7007260167045979714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/lentes-de-contato-parte-2.html' title='lentes de contato (parte 2/4)'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1651221707325958348</id><published>2010-02-13T09:10:00.000-08:00</published><updated>2010-02-17T18:09:46.458-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>lentes de contato (parte 1/4)</title><content type='html'>Descobri uma forma de voltar a mexer nos meus contos, que não são muitos. Pelos próximos dias, vou postar por aqui um conto, de parte em parte. Espero não estar abusando deste espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo pelo primeiro conto que escrevi (metódico, eu?), se não me engano, em 2005. Todos os comentários são obviamente bem-vindos. Prosa nunca, nem de longe, foi meu forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;lentes de contato (parte 1)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São oito em ponto no relógio do Paço. Longe dali, Edgar, negro socialmente, vence de forma viril a distância que o separa do centro. Um olhar periférico acusa a herança clássica e desgastada das vizinhanças, mas ele não sabe disso. Sabe das construções quadradas, das grades em grande número, da pouca ferrugem, dos cães raivosos, mas alimentados, das guaritas; tudo muito disciplinado e regular. Paisagem sem susto. Ele não gosta. Direta e rudemente não gosta. Arrisco atribuir-lhe associações passadas, sem sua permissão, com base nos preconceitos que sempre me serviram bem; mas não divaguemos enquanto nosso protagonista sobe a rua tão disperso em reflexões de proletário. É preciso contá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordou ainda escuro. “Porque gosto”, mente consigo. Levanta-se espalhafatoso, de ruído intencional. A doce Maria, no meio dos lençóis, diluída, ronca levemente o descanso merecido. Abre os olhos um momento, dopada, xinga baixo, ele não ouve, tomba o corpo pendularmente para o outro lado, e volta a roncar para sair do conto. Edgar entra no banho, imagina-o quente. Frio. “Bom pra acordar”, mente de novo. Demora-se até quando dura o sabão e despede-se da paz de se ter água massageando a nuca sem ressentimentos. Com a toalha na cintura, ajeita seu cabelo marrom e baixo, quase uma símile de si mesmo. Queria ser mais forte, “um cavalo”, como dizem as moças que moram por lá, mas é gordo, pensa que é verme. Queria gostar de se ver nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São vinte minutos de balaio, a Kombi velha que sempre leva os homens bem cedo até o metrô. Maus cheiros, medo, perfumaria nacional e azedume, barulhos, insegurança. Nunca aceitou a conversa de ser pobre. “E quem gosta?” Depois do vime, mais duas horas de chacoalha até a estação mais próxima dos Jardins. Edgar já está cansado. A essa altura, poderia pensar,  “por que o metrô fica a tantas quadras dos Jardins?”. Mas ele não pensa. Sente, no corpo, mas não pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(continua...)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1651221707325958348?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1651221707325958348/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1651221707325958348' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1651221707325958348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1651221707325958348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/lentes-de-contato-parte-1.html' title='lentes de contato (parte 1/4)'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-3327735829858584059</id><published>2010-02-10T14:36:00.000-08:00</published><updated>2010-02-10T15:03:51.594-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>As possibilidades da vanguarda</title><content type='html'>Das poucas discordâncias teóricas que tenho com meu orientador - e é bom que existam, pois não discordar em nada de alguém que se admira é ainda pior do que discordar de tudo -, a questão da vanguarda certamente ganha um lugar central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com ele e também tenho poucas dúvidas de que a vanguarda é, no todo ou em parte, um reflexo da exigência humana pelo novo, especialmente acirrada nestes tempos de tudo-mercadoria. Concordo ainda no que tange ao perigoso quadro de valores que uma cultura de vanguarda implanta, o do novo a qualquer custo, que acaba gerando patéticos objetos de arte até alguém vire, possivelmente uma criança, e diga "mas, peraí, isso aí é só uma lata de lixo" ou "papai, por que ele usou essa rima?". Não tenho filhos, por isso são todos poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discordo, entretanto, quanto à impossibilidade de existência contemporânea das vanguardas. Acredito piamente (talvez seja esse o advérbio exato) que ainda há espaço para elas e que o problema de sua atual inexistência, ou pior, sua proliferação frágil (que acaba dando no mesmo) é mais profundo do que sonha nossa vã prospecção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa geração iludida com o oásis do conhecimento infinito e virtual, e, na prática, com pouquíssimo tempo para pesquisa estética séria, a busca pessoal e intuitiva por novas disposições formais para a própria obra acaba cedendo a resoluções fáceis, extremamente provisórias e apressadas. Problema amplificado justamente pela exposição democrática (que acho ótima) a diluir bons artistas na multidão de auto-enganos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se vou chegar a ver melhorias nesse quadro (o que ironicamente me faz concordar com meu orientador, já que os pontos só valem mesmo enquanto estou vivo, não é?), mas reafirmo minha discordância, na certeza de que o comum (e saudável) é ser cético quanto à vanguarda. Sempre foi assim. Sempre se desconfiou da possibilidade de rearranjo formal das coisas, até surgir um artista capaz de fazê-lo com maestria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é, pode também não ser mais possível e se tornar a última e definitiva derrota de nossa cultura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-3327735829858584059?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/3327735829858584059/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=3327735829858584059' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3327735829858584059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3327735829858584059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/as-possibilidades-da-vanguarda.html' title='As possibilidades da vanguarda'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1731824243199147844</id><published>2010-02-08T10:28:00.000-08:00</published><updated>2010-02-10T14:36:48.816-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>a Gabriel Gramasco</title><content type='html'>Nos meus tempos de especialização, bolei uma hipótese engraçada sobre a noção aristotélica de verossimilhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Perdoem-me o uso do conceito, mas foi inescapável. Aos não iniciados, trata-se da ideia de que numa narração de qualquer tipo é necessário que cada parte esteja refletida no todo e o todo esteja em cada parte. Trocando em miúdos, uma narração verossímil é aquela em que nada falte ou sobre. Simples assim.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à hipótese, qual era? Esta: a verossimilhança é a forma narrativa que encontramos para nos afastar da morte, que é, por definição, avessa a toda narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a morte não importa se está no começo da história, no meio, se vai beijar o mocinho, descobrir a tramoia, desmascarar o vilão etc., ela chega a qualquer momento e encerra a narrativa, uma espécie de Thanatos ex-machina. A morte tampouco é narrada, salvo em histórias religiosas ou de cunho satírico (como o nosso célebre Brás).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao nos depararmos com uma narrativa verossímil (abrindo um romance, assistindo a um bom filme...), temos a ilusão de que também no mundo as coisas se dão coerentemente, o que, com efeito, não ocorre. A morte não espera que nossa vida faça sentido pleno antes de se desfazer de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.1: ontem descobri que Umberto Eco, sem falar de Aristóteles, está comigo nesta hipótese maluca.&lt;br /&gt;p.s.2: ontem descobri que um conhecido meu muito gentil morreu num acidente de moto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1731824243199147844?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1731824243199147844/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1731824243199147844' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1731824243199147844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1731824243199147844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/gabriel-gramasco.html' title='a Gabriel Gramasco'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6994705175109243791</id><published>2010-02-04T03:02:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T10:18:35.568-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>O gênio e o idiota</title><content type='html'>Sempre me condenam quando digo que o tempo não tem feito bem para os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente contra-argumentam de duas formas. Em primeiro lugar, porque há boas razões para achar que hoje vivemos em um tempo melhor do que nunca. Em segundo, porque parece não haver possibilidade de medir tempos ou homens melhores uns do que os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando não ser chato, vou esmiuçar brevemente o argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A multidão iguala o gênio e o idiota. Há cem anos, talvez menos, vivemos na era das multidões, de onde é difícil, sendo gênio ou idiota, dizer "eu" sem numerosa oposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora já tenha havido algumas catástrofes por gênios execráveis (catástrofe é eufemismo), teoricamente é mais fácil cercear um único gênio do que uma multidão de idiotas. Sobretudo a partir do ponto em que a multidão de idiotas passou a legitimar-se discursivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ser gênio exige mais sacrifício do que ser idiota, o número de idiotas tem aumentado e estes só se sentem seguros em meio às multidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebem aonde não quero chegar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absolutamente todos os dias eu me enraiveço com algum idiota ilustre na televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.: por motivos óbvios, dispenso citar a multidão de gênios que já comentaram algo parecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6994705175109243791?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6994705175109243791/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6994705175109243791' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6994705175109243791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6994705175109243791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/o-genio-e-o-idiota.html' title='O gênio e o idiota'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1391203415602446092</id><published>2010-02-01T14:03:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T14:12:25.457-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>novo livro</title><content type='html'>Tá chegando um novo livro por aí, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;zero um&lt;/span&gt;, em abril, pela 7 Letras. Nesta semana estive revisando o original, daí me veio aquela vontade de postar um dos poemas aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como me disse um leitor em que confio muito, e repasso as impressões pra tentar escapar de cabotinimso, em parte são os mesmo procedimento do livro anterior (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;poemas lançados fora&lt;/span&gt;), mas agora mais apurados e, aparentemente, com menos erros. Espero que ele esteja certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega de defender o réu. Em efeito, às avessas. Todo livro de poemas é culpado até que prove o contrário, ou do contrário (?). Segue um dos poemas, culpabilíssimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;mancebo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando me prendem o braço&lt;br /&gt;nos arrabaldes de minas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando perguntam sempre&lt;br /&gt;da saúde dos menores&lt;br /&gt;mulheres são fotos ovais&lt;br /&gt;de generais na parede&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando a varanda se enche&lt;br /&gt;de tios fumando truco&lt;br /&gt;e gritos chamam os homens&lt;br /&gt;pelas travessas quentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando as saias dão cor&lt;br /&gt;ao assoalho de tacos&lt;br /&gt;evangélicas e retas&lt;br /&gt;toldos para os olhos baixos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;canso quando conferem&lt;br /&gt;nos ombros nos antebraços&lt;br /&gt;quando disputam comigo&lt;br /&gt;espaços que são das coisas&lt;br /&gt;canso de não ser coisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os andares de madeira&lt;br /&gt;os moldes preservados&lt;br /&gt;os tabacos de azulejo&lt;br /&gt;o cansaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez haja certo cansaço&lt;br /&gt;reservado a cada coisa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1391203415602446092?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1391203415602446092/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1391203415602446092' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1391203415602446092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1391203415602446092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/02/novo-livro.html' title='novo livro'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1428334581550716289</id><published>2010-01-30T09:16:00.000-08:00</published><updated>2010-01-30T09:28:55.962-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Tudo bem? Então tá!</title><content type='html'>Posso estar errado - sempre posso, normalmente estou -, mas nossa auto-imagem como sociedade brasileira contemporânea mudou um bocado dos anos noventa para cá, não mudou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra como nos preocupávamos com certa divisão desigual da renda? Com o aumento da população carcerária? Com a educação precária da população? Com a baixa qualidade de parte do ensino no Brasil? Com o domínio do mercado por um número cada vez menor de grandes corporações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia se pensar - sempre se pode, normalmente - que se trata de uma melhora nesta situação. Em parte, é correto pensar assim. Realmente houve uma melhora. A questão é que houve uma melhora pra gente, pra gente e mais uns cinco países. Ganhamos a corrida continental contra a Argentina e ainda não entendemos bem por que nossos vizinhos de fronteira nos chamam de "os Estados Unidos da América do Sul".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me desculpem os otimistas, mas pesquisas globais indicam que as mesmas tendências dos "90's" continuam e talvez tenham se agravado (até a crise de 2009, pelo menos). Então, onde está o resto dessa conta? Sabe quando pegamos alguns números, subtraímos, subtraímos, e a conta não bate?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fizemos, de fato, foi passar o abacaxi adiante. Melhor, trocamos o abacaxi pelo petróleo, o Zé Carioca pelo estrangeiro arrivista, a Carmen Miranda pela Wanessa Camargo. Pra vocês tudo bem? Então tá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1428334581550716289?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1428334581550716289/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1428334581550716289' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1428334581550716289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1428334581550716289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/01/tudo-bem-entao-ta.html' title='Tudo bem? Então tá!'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8167493575358816619</id><published>2010-01-25T15:00:00.001-08:00</published><updated>2010-01-25T15:21:32.314-08:00</updated><title type='text'>A borboleta e o sábio</title><content type='html'>Há uma anedota bastante graciosa de um sábio que dormiu e sonhou ser uma borboleta. Ao acordar, não sabia se era um sábio sonhando ser uma borboleta ou uma borboleta sonhando ser um sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente se analisa essa história pelo viés da impossibilidade de termos certeza daquilo que é real (via, talvez, Descartes), visto que os sonhos (ou a vida) têm essa desfaçatez de parecerem com sua contraparte. Proponho que a olhemos também pela mecânica dos desejos e, para isso, evoco a presença ilustre do nosso melhor poeta para ajudar a conversa (sim, Fernando Pessoa é o melhor poeta brasileiro, como costuma dizer um professor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quero ignorado, e calmo&lt;br /&gt;Por ignorado, e próprio&lt;br /&gt;Por calmo, encher meus dias&lt;br /&gt;De não querer mais deles.&lt;br /&gt;Aos que a riqueza toca&lt;br /&gt;O ouro irrita a pele.&lt;br /&gt;Aos que a fama bafeja&lt;br /&gt;Embacia-se a vida.&lt;br /&gt;Aos que a felicidade&lt;br /&gt;É sol, virá a noite.&lt;br /&gt;Mas ao que nada espera&lt;br /&gt;Tudo que vem é grato. (Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No impasse do sábio reside a lógica mais do que humana de deixar os desejos sempre um pouco adiante. Por isso, mas não só por isso, importa pouco qual das alternativas é real. Os sonhos são o excesso de desejos que nossa vigília não abarca, mesmo os medos, que são sonhos do avesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde pequeno, acostumei-me a dormir depois de invertar-me histórias intrincadas. Por falta de criatividade - minto, por causas mais graves do que essa -, venho tendo dificuldade em enganar-me com sonhos, árido de desejos e medos. Tenho dormido pouco, portanto, sem poder sonhar-me algo para duvidar de quem sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8167493575358816619?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8167493575358816619/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8167493575358816619' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8167493575358816619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8167493575358816619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/01/borboleta-e-o-sabio.html' title='A borboleta e o sábio'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5498411011705618056</id><published>2010-01-23T05:22:00.000-08:00</published><updated>2010-01-23T06:35:05.468-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Ensaio pouco inspirado</title><content type='html'>Não acredito na inspiração dos românticos. Aquela que assalta o artista, vinda de "algures", e traz uma obra de arte pronta. Também não acredito na inspiração dos (digamos assim, pela simetria) clássicos, que é fruto exclusivo de trabalho, dedicação, esmero, aperfeiçoamento. Se eu fosse um pouco mais niilista, diria que não existe inspiração e acabaria a conversa por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo ideal das boas polêmicas e da opinião ainda levada em conta, choveriam dezenas de e-mails de pessoas testemunhando como já foram tomadas de inspiração - até mesmo alguns amigos testemunhando como já me viram inspirado - ou citando exemplos de pessoas que, depois de muito trabalharem, acharam formas convincentes para realizar suas artes. Pois bem, como é o que a lógica me deixa, acredito na conjunção das duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só alguém muito obtuso, ou de pouco talento, negaria a inspiração romântica. O momento em que você se vê tomado por uma rotação diferente dos sentidos e em poucos minutos é capaz de compor um poema, uma canção, uma máxima etc. de grande coerência interna e poucos erros, considerando o tempo que demorou para fazer. Seria epifania, um acesso breve ao inconsciente coletivo, um entendimento limitado do sentido completo do mundo, das pessoas ou das palavras, dificilmente repetido em estado de não inspiração. Não sei, algo assim, dificilmente verbalizável mesmo. Também não sei como funciona a inspiração em obras de maior fôlego: romances, peças, epopeias e cia, embora conheça romances e peças realmente inspirados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igualmente só o mesmo obtuso, ou outro, afirmaria de cara limpa que a prática não ajuda tudo isso. Depois de algumas centenas de poemas, tenho muito mais segurança sobre o pulso do verso, a ideia que não vai dar em nada, a palavra que dificilmente se acerta, o sintagma non grata. E olha que ainda me sinto bastante neófito na arte poética! É evidente que a prática, se não leva à perfeição, afasta da precariedade estética, ao menos. Conheço, entretanto, algumas dúzias de escritores muito esforçados e de pouca inspiração, que vão aos poucos sendo cobertos pela areia do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspiração, para este ensaísta pouco inspirado, é uma tradução particular para "vontade"! Não qualquer vontade, mas A vontade primária do sujeito. Todos, nesta perspectiva, lidariam com algum grau de inspiração (uns mais, outros menos), mas só alguns viveriam a felicidade de sentir que suas vontades são adequadas ao tempo em que vivem, enquanto que a maioria, postumamente, é que costuma ser premiada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No frigir dos ovos, meu amigo, trabalhe, estude, pratique aquilo que tem vontade! Caso se inspire, certamente haverá uma chance maior de estar criando algo interessante e, por conseguinte, fazer parte da loteria do reconhecimento. Ainda tem o dinheiro, o poder, a beleza física, o acaso e outros tantos fatores que viciam essa loteria, certo? Certíssimo! Mas pensar nisso, sobretudo atualmente, é coisa que não recomendo, com o risco de simplesmente abdicar da vontade e conseguir dinheiro fácil em alguma ocupação segura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa época precisa de pessoas inspiradas! (uma frase perigosamente rebaixada a lugar comum)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5498411011705618056?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5498411011705618056/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5498411011705618056' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5498411011705618056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5498411011705618056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/01/ensaio-pouco-inspirado.html' title='Ensaio pouco inspirado'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2650370575526682525</id><published>2010-01-20T10:03:00.000-08:00</published><updated>2010-01-20T13:22:15.150-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Entre antes e depois</title><content type='html'>Estou lendo Bauman, um dos principais teóricos do que se tem convencionado chamar de pós-modernidade. Leio, confesso, menos para saber o que é do que para entender melhor aquilo que sinto. Também leio, com menor peso, para tentar explicar com propriedade do que se trata àqueles que acham que pós-modernismo é ver TV e ouvir música ao mesmo tempo, e não são poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá entre nós, sou um estranho. Segundo o teórico, aquele que não se encaixa no mapa cognitivo, moral ou estético do mundo (em teoria, basta não caber num dos mapas, mas tenho o pacote completo). Sou um leitor obsessivo e as aulas sempre me pareceram necessárias somente nos primeiros quinze minutos. Acredito que palavras e assinaturas se equivalem. Detesto mentiras, mesmo as úteis. Sou o tipo do cara que diz que não gosta do presente, caso perguntado. Se, com esforço, consigo mentir e não sou pego pela falta de prática, passo dias me remoendo se deveria ou não ter sido sincero. Tendo a discordar de um número cada vez maior de pessoas quanto à qualidade de certas obras de arte, o que tem me graduado em "chatice". Claro, não nasci estranho. Também, claro, tenho me especializado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto, como dito no livro, que a sociedade abriga a minha estranheza, em vez de assimilar-me ou aniquilar-me, como soava acontecer no século passado e nos anteriores. E isso é bom. Sem querer reclamar de barriga cheia, só gostaria que isso fosse feito de maneira mais efetiva, que não fizesse parte do engodo. Queria que os estranhos também tivessem acesso ao poder e, por consequência, fossem capazes de mudar algumas coisas permanentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo, por fim, e com força, a impossibilidade de construir-me plenamente numa era em que o comum é ser incerto. Nunca tudo foi tão possível para um número representativo de pessoas! Nunca foi tudo tão temporário! Se Baudelaire estava certo, e um poeta deva traduzir na arte o seu tempo, nossos dias são capazes de em vinte anos, talvez menos, tornar obsoleto um bom poeta. Quantos planos as pessoas são capazes de fazer atualmente? O bom é não fazer planos? Por que você acredita nisso? Pensou sozinho? Bom, bom, continue assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos meus cálculos, a última vez que costumávamos viver com tamanha incerteza data dos tempos anteriores à existência vigorosa de civilização. Como nossas necessidades eram mais imediatas (comer, transar etc.), lá se encontravam nossos desejos. Hoje precisamos de mais e nossas vontades migraram, igualando nossas possibilidades de frustração. A existência da sociedade entre antes e agora faz absolutamente toda a diferença e torna essa sensação bastante inédita em nossas concepções de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como alguns de meus átomos devem ter dito a um eventual filhote naqueles tempos: o importante agora é sobreviver. Estranhos, repito, o importante agora é sobreviver!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2650370575526682525?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2650370575526682525/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2650370575526682525' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2650370575526682525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2650370575526682525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/01/entre-antes-e-depois.html' title='Entre antes e depois'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-7566966619777204422</id><published>2010-01-18T11:12:00.000-08:00</published><updated>2010-01-20T13:22:32.283-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Casa velha Casa nova</title><content type='html'>Aos poucos vou arrumando a casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora eu não acredite realmente em qualquer sentido cósmico com a virada de ano, achei por bem recomeçar aqui assim que voltasse de férias. Não como a casa velha (lembro que assim chamávamos a grande casa da minha infância, dividida com a avó e as tias), feita para mostrar novos poemas, canções, peças, quadrinhos etc; mas renovada, para ser leve, quase sem teto (como se não fossem pesadas as estrelas!). Deixo a gravidade para os livros, os filmes, o cd's e outros meios. Com a casa velha aprendi a ser paciente e a mostrar-me menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa nova me servirá para devaneios. Será a fachada do verso. Aquilo que o poema parece ser, mas não é. Aquilo que todos entendem à primeira leitura; única, para os que desistem. Não que seja mentira, só não é tudo. A casa nova me servirá como parede entre mim e o mundo, que começa depois dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os novos cômodos deste ano: um livro novo de versos para abril, um cd para julho, meu primeiro livro infantil para o fim do ano (todos eles com parceiros e amigos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho feito tanto, e de maneira tão nova! Espero trazer para esta casa em breve tudo isso, mas levianamente. Como se todo o universo não morasse num único verso acertado. Como se tudo pudesse ser feito ou não ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos vou desarrumando a casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-7566966619777204422?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/7566966619777204422/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=7566966619777204422' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7566966619777204422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7566966619777204422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2010/01/casa-velha-casa-nova.html' title='Casa velha Casa nova'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-3024240643265675059</id><published>2009-06-02T13:43:00.000-07:00</published><updated>2009-06-02T13:53:39.614-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Por um triz</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SiWRNPNwN4I/AAAAAAAAAas/woGj9WEWFXQ/s1600-h/a+manh%C3%A3+dos+chap%C3%A9us.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 398px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SiWRNPNwN4I/AAAAAAAAAas/woGj9WEWFXQ/s400/a+manh%C3%A3+dos+chap%C3%A9us.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342836189553506178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a última semana pensando em desativar este espaço. O ritmo da produção e o vulto que esta e outras obrigações assumiram em minha vida tornaram muito pesado o trabalho de blogueiro, que consiste, não só em postar, mas também em conferir a produção de blogs prediletos, responder às impressões, seguir com as obrigações nos blogs coletivos etc., práticas que faço com muito prazer normalmente, mas que me têm cansado sobremaneira nestes dois últimos meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo é verdade, mas não toda a verdade. Tenho avançado muito com meus poemas e canções, do ponto de vista técnico e sensível, a despeito do parco amparo daqueles que o deviam amparar (não há como denominar este agente imenso e abrangente de opressão). Por mais que eu tenha reconhecimento de algumas caríssimas pessoas e de outras que admiro muito artisticamente, tenho ficado cada vez mais amargurado com a maioria medíocre em ambas as áreas, que sei não ser nova nem contemporânea e sei ser aparentemente irremediável, a não ser pelo tempo, como em todas as épocas. É preciso deixar claro, especialmente, que não é a veiculação da arte medíocre que mais me incomoda (tudo bem um poeta não muito bom lançar um livro, ou dois, ou cinco ou ainda não termos nenhum compositor maior vivo e jovem com destaque nos últimos tempos), mas é, sobretudo, a teorização acerca do verso e das canções que estes artistas propagam em programas de tv, mesas de debate, eventos literários e afins. Igualmente me incomoda ver alguns colegas bastante talentosos e alijados de espaço, de todo o espaço, até mesmo deste pequeno de onde reclamo. Vale aqui ainda a ressalva de que não recrimino generalizadamente. Considero-me amigo de uma poeta recentemente chamada para um colóquio que com justiça deveria estar em todos os colóquios possíveis.&lt;br /&gt;Também conheço virtualmente um compositor que tem feito muito pela canção e é muito talentoso. O mais comum, entretanto, desola-me imensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que soa arrogante (embora a certeza de que somos todos sacos de carne animados temporariamente, já declarada aqui, me redima um pouco), mas é com muita sinceridade que escrevo estas linhas. Este estar entre – ser saudado por algumas autoridades literárias e cancionísticas, mas não ter espaço para tornar pública minha arte (talvez porque para isso a autoridade seja comercial e não estética) – tem sido realmente muito perigoso pra mim. Não quero também, depois de gênio incompreendido, mobilizar o lugar do coitado, mas tenho tido grande desânimo para tudo e até náuseas físicas quando penso muito nessas questões. Enfim, acho que o espaço razoavelmente público do blog tem sido uma força perniciosa para a minha arte no momento. Esta é atualmente minha segunda parte da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detesto dogmas e verdades absolutas, portanto, não o farei eu mesmo, muito menos aqui neste espaço que todos aprendemos a tornar tão querido com estes dois anos. Entretanto, para ter uma vida mais tranqüila pragmática e internamente, para poder recuperar parte da felicidade que já vivi ao terminar uma obra que parece bastante apurada, deixo de viver um pouco neste espaço virtual. Confesso que uma terceira parte da verdade pode ser considerada uma necessidade redescoberta de sair de casa para ver peças, filmes, exposições, visto que não o faço com regularidade nos últimos 15 meses, não o faço quase nunca, na verdade, mas como sou um misantropo reconhecido, não quis colocar isso na conta. Talvez o prólogo de Memórias Póstumas caiba exatamente neste momento, posto que raisonnablement são em torno de cinco os meus leitores mais assíduos. A esses minhas desculpas, aos demais um piparote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo direto, estou dando tempo neste nos outros espaços em que posto. Certamente erro, por estar certo, assim como antes acertava, quando errava com certeza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-3024240643265675059?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/3024240643265675059/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=3024240643265675059' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3024240643265675059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3024240643265675059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/06/por-um-triz.html' title='Por um triz'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SiWRNPNwN4I/AAAAAAAAAas/woGj9WEWFXQ/s72-c/a+manh%C3%A3+dos+chap%C3%A9us.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-9219351112185226786</id><published>2009-05-29T05:26:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T05:30:23.846-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Corrigido</title><content type='html'>Acho que não comentei por aqui, mas faço atualmente uma oficina de contos que tem me ajudado muito, embora eu ainda esteja longe de ser alguém na prosa. Não dou os créditos, por enquanto, por achar sinceramente que seria um reclame digno de reclamações, visto minha disabilidade com a coisa. De toda forma, posto hoje um destes contos feitos para a oficina, já com as devidas correções, o que não o redime. Um começo de semana (posto no fim) cheio de arte a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ecce homo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se por índole natural ou civilizada, os homens tendem a preferir verdades excludentes. É feito disto ou daquilo, é determinado ou casual, é restrito ou livre o arbítrio, é abominável ou preferível, é culpado ou inocente. Visto nosso extenso percurso de enganos, está claro que esta não é a melhor forma de conhecermos bem qualquer coisa. Ao invés, proponho entendermos os corpos, físicos e abstratos, como uma relação dinâmica de forças opositoras, entrelaçadas a tal velocidade, diria Heisenberg, que apontar qualquer delas é perdê-las todas. Escolho e não escolho uma dessas relações para que entendamos melhor no que desperdiçamos agora o nosso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens não mudam, dizem os provérbios, a História e a sabedoria popular. As crianças sim, ainda bichos, moldáveis, aptas, têm escolas, preceptores, e normalmente são educadas pela sociedade vigente a tornarem-se homens (sendo isso bom e ruim). Os homens mudam, eis a moeda corrente dos religiosos, psicanalistas e metafísicos em geral. Basta que um ser superior (Jeová, Tarô ou o Ego) intervenha com sua força descomunal para que drasticamente se altere a natureza do ser. Tomemos, então, todos nós como um único homem. Não o de Platão, porque distante, nem mesmo o de Marx, mas um homem máximo, que nasceu com as comunidades mesopotâmicas e que vêm se arrastando desde então, reunindo seus fragmentos, até finalmente se achar pleno e orgânico no começo deste século. Olhando no rosto desse Homem, olhando-o nas mãos, vemos sem dificuldades que ele muda. Não mais amaldiçoamos as adúlteras a descair a perna e a inchar o ventre. Também não consideramos todas as mulheres, de antemão, predispostas ao sexo. De mesmo ângulo e visada, vemo-nos ser exatamente o mesmo homem de outras eras, nos movimentos agrários contra Licinae Sextiae e nos segundos socos das brigas de bar, que revidam no direito o manchar das honras e dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que nos serve vermos simultaneamente os homens por dois lados? – objetarão os pragmáticos. Com o Homme au chapeau debaixo do braço, respondo que não nos serve mesmo para muita coisa, senão para estarmos um pouco mais distantes do erro certo. Forçarmos a mudança está previsto e será evitado. Adiarmos a mudança é impossível. Dentro do Homem somos minúsculos, células epiteliais, a princípio, que quanto mais relevantes, porventura, mais nos constituímos organismo adentro, aumentando-nos em importância e permanência. As duas únicas medidas cabíveis (e não excludentes) são: dedicarmos nossas vidas a salvar todos os homens e investirmos nosso tempo numa forma de matá-los. Nisso Jesus e Hitler são idênticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, que além de falar sozinho não possuo qualquer outra mania de grandeza, não se apresenta ainda de forma clara como devo empregar meu pensamento. Deitado a alguns metros e uma parede do quarto de meus pais, perco-me microscopicamente na metáfora do corpo. Se vamos nas camadas mais externas da pele, de que nos vale o fôlego? Qual a verdadeira importância de outros como eu, pequenos e substituíveis? Se sabê-lo me torna profundo, eu não teria ascendência sobre aqueles que servem somente para me proteger do que vai fora? Meus pais, que dormem, o que diriam a respeito? Certamente sorririam ou negariam sem entendimento algum, como já fizeram em outras vezes. Nossas diferenças têm se tornado evidentes há alguns anos e não vejo como reatar certa ligação perdida que sinto já ter experimentado quando éramos bichos. Devo salvá-los, matá-los ou ambos? Tem alguma relevância qualquer um dos meus atos? Qualquer ato, em geral, possui algum sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durmo pensando que o melhor mesmo é que eu não me case. Se sucumbir, entretanto, que jamais tenha filhos. Caso por descuido venham os rebentos, fingir-me constantemente submisso até conseguir tê-los todos fora de casa. Enfim, cada qual que cuide de sua natureza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-9219351112185226786?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/9219351112185226786/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=9219351112185226786' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9219351112185226786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9219351112185226786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/corrigido.html' title='Corrigido'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-61212672556995909</id><published>2009-05-24T10:36:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T10:28:31.046-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>bill</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/ShmG7CNrP2I/AAAAAAAAAZs/MH58brnqD_g/s1600-h/bill.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 392px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/ShmG7CNrP2I/AAAAAAAAAZs/MH58brnqD_g/s400/bill.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339447181989068642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, trago outro poema, nascido direto da observação de um amigo. Chamo de amigo por impropriedade, não somos íntimos, mas tenho grande admiração pela pessoa e seu carinho evidente pelo filho me emocionou bastante. A uma primeira leitura - é raro para mim mostrar poemas antecipadamente -, minha mãe observou: mas não seria "todas as crianças são negras"? Não, não seria. Falo de cores, não de raças. Não acredito em raças diferentes, somos todos da mesma raça! Aliás, as palavras-cores são muito mais leves e precisas do que as palavras-raças. Muita arte e ótima semana a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-61212672556995909?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/61212672556995909/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=61212672556995909' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/61212672556995909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/61212672556995909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/bill.html' title='bill'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/ShmG7CNrP2I/AAAAAAAAAZs/MH58brnqD_g/s72-c/bill.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1523295769171701416</id><published>2009-05-23T17:13:00.000-07:00</published><updated>2009-05-23T17:23:59.749-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Obituário</title><content type='html'>Estava com um poema no forno para postar aqui, quando por acaso assisti ao programa do Paulinho Moska no Canal Brasil em homenagem ao compositor Zé Rodrix, que morreu há alguns dias. Confesso que não conhecia a obra do compositor mais do que sua história - concebia-o similar ao entrevistador, cancionista mais ou menos, de uma canção só -, embora "Casa no Campo" tenha sempre sido uma de minhas canções prediletas. Duas de suas colocações me tomaram de assalto e me fizeram dedicar o post de hoje à sua vida de compositor. A primeira: que devemos voltar a canção! Segundo Rodrix, nas últimas décadas, começou-se a pensar em show, em imagem, em proposta, e a canção mesmo, coitadinha, ficou em segundo plano. Assino embaixo. A segunda: que as canções escolhidas tem que ser aquelas que emocionam primeiro o compositor. Se o fazem, estão prontas. Não poucas vezes, mas também não muitas, chorei ao término de determinada canção! É realmente intensa a energia envolvida no momento em que se compõe. Confessei a um amigo nestes tempos: um poema fica dias na cabeça, fermentando; uma canção te atormenta, te incapacita, até ser colocada no papel... Após a entrevista, fui atrás para descobrir o talento de Zé Rodrix. Viva a memória do compositor! Dois vivas para suas idéias! Três para suas canções!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1523295769171701416?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1523295769171701416/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1523295769171701416' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1523295769171701416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1523295769171701416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/obituario.html' title='Obituário'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-546026643564314253</id><published>2009-05-21T09:31:00.000-07:00</published><updated>2009-05-21T09:43:44.570-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='canção'/><title type='text'>a última canção</title><content type='html'>Talvez eu comece um projeto bem legal com uma banda gaúcha, em paralelo com o projeto que já tenho com a &lt;a href="http://www.myspace.com/abracabralia"&gt;Abracabrália&lt;/a&gt;. Este novo projeto promete ser mais na praia do rock and roll, na tentativa de fazê-lo a contento em português, tarefa que acho só algumas poucas bandas e artistas brasileiros conseguiram realizar bem (Cazuza, Cássia Eller - em alguns momentos -, Nação Zumbi, Mutantes, Secos &amp; Molhados, Los Hermanos - com alguns filtros também, devem haver outros que desconheço). Daí já se entrevê o tamanho do desafio. Tô dentro. Muita arte a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a última canção&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Letra e melodia: Guto Leite&lt;br /&gt;(sobre harmonia da música “do bolso pro meu”, da banda Invisível Ataca)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é tarde&lt;br /&gt;pra consumir&lt;br /&gt;a última canção&lt;br /&gt;sem sentido&lt;br /&gt;deve surgir&lt;br /&gt;a última canção&lt;br /&gt;não espalhe&lt;br /&gt;guarde pra si&lt;br /&gt;a última canção&lt;br /&gt;nos ouvidos&lt;br /&gt;deixe dormir&lt;br /&gt;a última canção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deve haver uma cidade&lt;br /&gt;em vão&lt;br /&gt;pra onde todas vão&lt;br /&gt;como faço pra morrer&lt;br /&gt;canção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é tarde&lt;br /&gt;pra desistir&lt;br /&gt;da última canção&lt;br /&gt;dos ruídos&lt;br /&gt;vai ressurgir&lt;br /&gt;a última canção&lt;br /&gt;também vale&lt;br /&gt;distribuir&lt;br /&gt;a última canção&lt;br /&gt;pelos fios &lt;br /&gt;para explodir&lt;br /&gt;a última canção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deve haver uma cidade&lt;br /&gt;em vão&lt;br /&gt;pra onde todas vão&lt;br /&gt;como faço pra morrer&lt;br /&gt;canção&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-546026643564314253?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/546026643564314253/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=546026643564314253' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/546026643564314253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/546026643564314253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/ultima-cancao.html' title='a última canção'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-3739895948531948403</id><published>2009-05-17T07:37:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T10:28:51.424-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>O Trombone IV</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/ShAh16Bc2gI/AAAAAAAAAZM/SFo_Kl5lGJ8/s1600-h/Trombone.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 298px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/ShAh16Bc2gI/AAAAAAAAAZM/SFo_Kl5lGJ8/s400/Trombone.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336802768426162690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De improviso, conseguiria citar quatro características fundamentais para uma boa narrativa longa: personagens cativantes, bom enredo, ritmo coerente com a proposta que se entrevê e um narrador que ajude a conduzir as coisas. Claro que para outros leitores, outra lista, mas acredito que ninguém deixaria de fora estas quatro obrigações de um bom prosador. Leia-se: acerto no pouco, mas acerto. O quarto volume desta obliviada série que se propõe a fazer crítica de artistas contemporâneos traz à baila justamente uma boa narrativa longa. Trata-se de &lt;em&gt;Quatro Negros&lt;/em&gt; (2006), de Luis Augusto Fischer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em linhas gerais, o conteúdo do livro está apresentado por seu título, embora, de maneira nenhuma, se possa resumi-lo à história de quatro negros. Aliás, por uma característica bastante peculiar da figura do narrador, não é nada óbvia a forma com que o autor nos apresenta Janéti, Seu Sinhô, Airton e Rosa. A princípio, ele (o narrador) diz que gostaria de apresentar ao leitor uma mulher que conhecera em um evento literário (Janéti) e que lhe contara sua história. Por meio de recuos, mudanças de foco, avanços, múltiplas narrativas e outros artifícios, acabamos por saber a história de Janéti, de seus irmãos Airton e Rosa, e também de um velho e especial morador interiorano, Seu Sinhô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos à proto-teoria fajuta que esbocei no primeiro parágrafo para tentar entender como esses quatro fatores figuram na novela (graciliana) de Luis Augusto Fischer. Há no livro personagens cativantes? Sem dúvida nenhuma, sim. Aliás, comentei com o autor (vantagem ou desvantagem que também sofro: escrever e continuar vivo), “que problemão você arranjou com a Janéti, hein!”. Explico-me: acredito que o livro acaba sendo polarizado por esta personagem em função de seu extremo carisma e de sua história magnífica. Usando uma metáfora futebolística e o time de afeição do autor, a Janéti seria o Nilmar de Quatro Negros. Tudo bem que há um D’Alessandro na figura de Seu Sinhô, extremamente requintado e cativante em sua simplicidade, e também um Tyson na pele de Rosa, rápida, mas precisa em sua função, e até mesmo um Guiñazú nas páginas de Airton, ou Jorge, personagem menos chamativa, mas que exerce sua função na estrutura da novela; mas é certamente Janéti quem chama para si a atenção durante a leitura e a memória depois dela. Prova disso talvez seja que ela é o suposto fio narrativo da trama e reapareça freqüentemente, em comentários ou na história de todas as demais personagens. Seria um problema do livro? Acredito que não. É preferível haver alguém como ela numa obra do que nenhum personagem que nos marque, que nos leve a ver as pessoas do mundo em cotejo com ela. Além disso, salvo Dostoievski, não conheço prosador que seja capaz de ter uma dúzia de personagens igualmente complexos em seus romances. Fica a ressalva de que torço pro Vasco, indício de que pouco entendo de futebol. Pilhérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom enredo? Também respondo afirmativamente a essa pergunta retórica. Se bem que, no caso do livro em questão, é muito difícil separar o enredo dos demais elementos, como as personagens ou a figura do narrador. Não tenho, entretanto, ressalvas em afirmar que há, sim, um excelente enredo, pois a cena magistral da página 35 fia de sobra o meu elogio. Aos usurários mais exigentes, invoco o diálogo com Seu Sinhô na página 48 como minha garantia. Tento me eximir de parafrasear qualquer parte da narrativa para não macular prazeres de leitura. Enfim, o livro traz bons achados (grandes e pequenos) em sua trama, todos competentemente alinhados em prol da atenção do leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso também age o narrador, a terceira figura que apontei inicialmente. O narrador de &lt;em&gt;Quatro Negros&lt;/em&gt; vai bem próximo do leitor ou talvez fosse mais preciso dizer que vamos nós a seu lado, visto que eu o qualificaria como simpaticamente voluntarioso. Que não se espere um narrador como o de Brás Cubas, pois não é o caso. No livro de Fischer, o narrador é muito mais cuidadoso com o leitor que o ouve, embora, com alguma atenção, é possível sentir que estamos à mercê de suas vontades e de suas perspectivas. Surge-me a idéia de que talvez eu esteja desvelando um mecanismo interno da novela – que o autor me perdoe –, qual seja, certa ingenuidade própria ao leitor de que também se valeu Machado para fazer funcionar seu romance acima citado por décadas antes que alguém levantasse suspeita sobre suas impressões. Como não tenho tantos leitores quanto ambos, espero não pôr com esta observação empecilho à leitura de ninguém. Chamo atenção, ainda e por fim, à linguagem bastante feliz mobilizado pelo narrador, como também às digressões e reflexões que assomam muito à riqueza do romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta, como fechamento, falar sobre o ritmo da novela, que vai muito bem, obrigado. Aliás, talvez o ritmo de uma narrativa faça parte daquele conjunto de coisas que só notamos quando há algum problema. Para Poe, um conto seria uma narrativa para se ler de uma assentada, pois bem, o ritmo da novela de Fischer é tão ágil, que talvez fosse mais acertado chamá-la de conto, o que me parece uma grande virtude, visto que, no caso, a agilidade da prosa não vem acompanhada de superficialidade de tratamento dos temas. Romance, novela ou conto, pouco importa, se o ritmo é capaz de nos causar avidez de leitura, sobretudo em tempos tão pouco afeitos à leitura ou ao talento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, nos dias de hoje, talvez o maior elogio que se possa fazer a uma obra – já que não tenho a ilusão de destituir do histórico o mais infalível dos julgamentos – seja que é uma obra para ser lida! Ser lida no sentido de que compõe conosco nossa visão de mundo e de nós mesmos, além de merece, certamente, um lugar nas representações simbólicas que nos constituem como seres pensantes de nossa época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cornetem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-3739895948531948403?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/3739895948531948403/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=3739895948531948403' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3739895948531948403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3739895948531948403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/o-trombone-iv.html' title='O Trombone IV'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/ShAh16Bc2gI/AAAAAAAAAZM/SFo_Kl5lGJ8/s72-c/Trombone.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5154922932600195515</id><published>2009-05-15T16:46:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T10:29:10.627-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>O último quarto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sg4BqfKPWiI/AAAAAAAAAZE/uYkFuldDDMU/s1600-h/1549447.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 390px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sg4BqfKPWiI/AAAAAAAAAZE/uYkFuldDDMU/s400/1549447.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336204437911198242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendendo à indicação de uma amiga, posto hoje o poema que postei alguns dias atrás no "Poema Dia". Não gosto de repetir nem artigo científico, mas gosto do poema e ela me deu boas razões, que omito. Abraço arteiro e bom fim-de-semana a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;caramanchão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim envelheço&lt;br /&gt;de olhar cansado&lt;br /&gt;pro lado do quarto&lt;br /&gt;que já morreu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até a surpresa&lt;br /&gt;jovem mas frágil&lt;br /&gt;de tão enganada&lt;br /&gt;adoeceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem ter o cuidado&lt;br /&gt;amadeirado&lt;br /&gt;minha pele farta&lt;br /&gt;se amarrotou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem ter para onde&lt;br /&gt;ir meu enfado&lt;br /&gt;transmuto em destino&lt;br /&gt;cá onde estou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e onde me encontro&lt;br /&gt;ausente de filhos&lt;br /&gt;de netos amigos&lt;br /&gt;de namorar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que vai comigo&lt;br /&gt;se é que a morte&lt;br /&gt;é ir do destino&lt;br /&gt;a algum lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;reabro as janelas&lt;br /&gt;e a luz senhora&lt;br /&gt;mais velha do mundo&lt;br /&gt;enlouqueceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;movendo o vestido&lt;br /&gt;não mais acorda&lt;br /&gt;a cor que a poeira&lt;br /&gt;adormeceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são tantas memórias&lt;br /&gt;andando em volta&lt;br /&gt;a casa esquecida&lt;br /&gt;dos meus avós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;velórios alpendres&lt;br /&gt;serões e sótãos&lt;br /&gt;tudo que o tempo&lt;br /&gt;despe de voz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora envelheço&lt;br /&gt;de vez e por fim&lt;br /&gt;não sei a quem devo&lt;br /&gt;cumprimentar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que sinos são esses&lt;br /&gt;que saudades&lt;br /&gt;eu sinto no corpo&lt;br /&gt;imenso do ar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5154922932600195515?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5154922932600195515/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5154922932600195515' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5154922932600195515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5154922932600195515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/o-ultimo-quarto.html' title='O último quarto'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sg4BqfKPWiI/AAAAAAAAAZE/uYkFuldDDMU/s72-c/1549447.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-658407897827325778</id><published>2009-05-12T20:07:00.001-07:00</published><updated>2009-05-12T20:07:54.263-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Poema Dia</title><content type='html'>Hoje meu posto é lá no &lt;a href="http://poemadia.blogspot.com/"&gt;Poema Dia&lt;/a&gt;. Convido a todos para conhecer o espaço. Mesmo que meus versos não agradem, certamente acharão ótimos poetas para-levar-consigo. Ótima semana e arte em exagero a todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-658407897827325778?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/658407897827325778/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=658407897827325778' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/658407897827325778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/658407897827325778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/poema-dia_12.html' title='Poema Dia'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6624548533295332940</id><published>2009-05-10T16:54:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T17:04:14.934-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Poema de viagem</title><content type='html'>Em Campinas, para tocar com a banda, o tempo passa sempre mais rápido do que eu. Por isso, fico com pouco tempo para trabalhar nos meus escritos. Às vezes passo dias trabalhando versos na cabeça (enquanto faço outras coisas) que só vou escrever em minha volta pra casa, no tempo letárgico do meu quarto. Enquanto isso, ocasionalmente, surgem pequenas lascas-poemas, que compartilho. Boa semana e arte a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;devaneio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jamais vou acordado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sigo em sono íntimo e profundo&lt;br /&gt;todo o tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se às vezes me perturbam&lt;br /&gt;para falar de algo&lt;br /&gt;com olhos mãos beijos e apontamentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desperto só o bastante&lt;br /&gt;para agir de modo&lt;br /&gt;que todos se contentem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e durmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;durmo novamente&lt;br /&gt;no chão acolchoado de minha alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deste sonho&lt;br /&gt;vitalício&lt;br /&gt;percebo que quando se acorda&lt;br /&gt;é tudo muito cortante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e rude&lt;br /&gt;sem as nuances necessárias&lt;br /&gt;para ver que o mundo se esmaece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que as coisas trazem outras coisas&lt;br /&gt;sobrepostas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos raros momentos lúcidos&lt;br /&gt;de vigília&lt;br /&gt;pergunto-me&lt;br /&gt;se todos vão como eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se todos dormem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se da mesma forma&lt;br /&gt;se assustam&lt;br /&gt;quando um rasgo de mundo lhes acorda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6624548533295332940?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6624548533295332940/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6624548533295332940' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6624548533295332940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6624548533295332940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/poema-de-viagem.html' title='Poema de viagem'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5329427188737876858</id><published>2009-05-05T14:03:00.000-07:00</published><updated>2009-05-05T14:18:37.704-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>O ser e o nada</title><content type='html'>Ando como sempre. Produzindo... produzindo... Não há mais sentido em retirar tudo da alma para pôr num símile de alma que é uma pasta do windows. Estou neste limiar estranho onde se torna difícil delinear as coisas, dar sentido às coisas. Seria menos angustiante ouvir delas mesmas, as coisas, baixinho, a confidência íntima sobre qual o sentido de suas vidas. Mas nada! É tudo um extenso e angustiante silêncio. Salvo uma ou outra nota consonante, o resto não existe. O que realmente me tira o sono, se querem saber, ou se não querem, é que todos vivem, até felizes, nesse resto inexistente, enquanto as notas raramente encontram alma que lhes guarde. Abaixo, o poema que fiz pro quase choro de uma amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SgCtEj5bvHI/AAAAAAAAAY8/mlq2_hDh9g4/s1600-h/a+gota.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 396px; height: 366px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SgCtEj5bvHI/AAAAAAAAAY8/mlq2_hDh9g4/s400/a+gota.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332452252673883250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5329427188737876858?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5329427188737876858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5329427188737876858' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5329427188737876858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5329427188737876858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/o-ser-e-o-nada.html' title='O ser e o nada'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SgCtEj5bvHI/AAAAAAAAAY8/mlq2_hDh9g4/s72-c/a+gota.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-35619139624983631</id><published>2009-05-03T19:08:00.000-07:00</published><updated>2009-05-03T19:11:44.528-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>O Trombone III</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sf5Oj1RXw-I/AAAAAAAAAYs/-hJ-1HMKZDI/s1600-h/Trombone+02.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 307px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sf5Oj1RXw-I/AAAAAAAAAYs/-hJ-1HMKZDI/s400/Trombone+02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331785386355573730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A última gravação de Krapp” (1958) e “Ato sem palavras I” (1956), do irlandês Samuel Beckett, com Sérgio Britto e direção de Isabel Cavalcanti, foi minha apreciação artística deste domingo à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira história nos apresenta o velho sr. Krapp (“Sr. Merda”, em alemão) rememorando, por meio de uma fita de áudio, as impressões que havia gravado vinte anos antes, em especial, a morte de sua mãe, a morte de uma mulher segurando sua mão e aquele que parece ter sido o último amor de sua vida. Para aumentar a complexidade abrupta de Beckett, vale lembrar que a personagem é um escritor aparentemente mal-sucedido e levemente alcoólatra, o que a um olhar mais agudo revela ter escolhido, em algum momento, sua arte em detrimento das paixões que poderiam dar-lhe algum prazer na vida. O diálogo, ou monólogo, entre o sr. Krapp cinqüentenário e sua versão mais nova também intensifica o efeito dramático do texto beckettiano, dando ao expectador, gradativamente, a medida exata da desolação daquele homem e, por algumas identificações, por conseqüência, minha própria desolação (ou a de algum expectador mais sensível).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo texto, absolutamente meta-teatral, mostra um ator empurrado para cena, numa luz absurdamente clara e angustiante (uma praia, possivelmente), e sendo dominado com sarcasmo por alguma instância externa. Ora lhe oferecendo a sombra de um coqueiro, tesouras para cortar as unhas ou água, ora deixando estes mesmos objetos fora do alcance da personagem. Cansado do jogo, este náufrago da quarta parede decide suicidar-se, mas mesmo isso lhe é impedido por aqueles que têm poder sobre ele. Ao fim, parado no meio do palco, a personagem-ator não mais aceita os caprichos deste “deus” da autoria e renuncia a qualquer objeto oferecido por ele, até que as luzes se apagam por completo, num simulacro bem realizado da morte cênica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo muito de teatro, senão como amante – os amantes tendem a ser as pessoas que menos se entendem, embora o teatro muito saiba de mim –, por isso não me sinto tão à vontade para falar das escolhas cênicas realizadas, mas posso dizer, sem tanto receio, que a atuação de Sérgio Britto dá a impressão de que ali está um ator que conhece os atalhos e os exibe, sem qualquer vaidade. Nos pequenos atos realizados, nas pausas, na entonação em tal ou qual fala; deixa-se entrever sempre em sua interpretação as não poucas décadas que aquele homem passou em cena e o domínio experiente do texto e das personagens. De sua generosa conversa ao final da apresentação, chamo a atenção para a orientação da diretora Isabel Cavalcanti exposta pelo ator. Era para ele buscar ao máximo se fundir com o senhor Krapp, evitando as expressões faciais ou corporais demasiadamente marcadas (vale a nota de que também o senhor Britto perdera a mãe e presenciara a morte de uma mulher, como a personagem e o próprio Beckett). Ora, essa era exatamente a chave de leitura que me faltava para entender que, como eu, a diretora havia compreendido as peças (aproximadas) como a luta do artista pela aceitação de sua arte, procurando fazer o possível para não se perder nesta busca. Tanto a solidão do Sr. Krapp quanto a subserviência desoladora da inominável personagem da segunda peça são facetas possíveis daqueles que pretendem posicionar-se artisticamente diante de seu tempo, postura notória também assumida por Beckett. Que o dramaturgo tenha realçado os matizes mais escuros deste quadro nestas duas peças, deve dizer respeito à sua estética ou a um entendimento perspicaz de como as coisas se desenhavam para a arte a partir da segunda metade do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caros habitantes de Porto Alegre, compareçam ao 4º Festival Palco Giratório do Sesc-RS! Há um bom número de boas peças sendo representadas neste mês (para a programação, http://www.sesc-rs.com.br/palcogiratorio/programacao.htm). Principalmente: classe artística de Porto Alegre (ou os que se concebem como tal, o que na prática dá no mesmo), compareça ao Palco Giratório! Tudo bem que a arte de entretenimento atualmente em voga – a recusa ao último filme do Meirelles talvez comprove essa hegemonia – tem o seu lugarzinho quente, debaixo de um cobertor de vó. Mas acho importante, preciso, quem sabe, que vocês, escritores, atores, intérpretes, compositores, dançarinos etc., sintam que ainda respira um artista dentro da carcaça hostil e exagerada de um entertainer. Que o resto seja... Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cornetem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-35619139624983631?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/35619139624983631/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=35619139624983631' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/35619139624983631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/35619139624983631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/05/o-trombone-iii.html' title='O Trombone III'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sf5Oj1RXw-I/AAAAAAAAAYs/-hJ-1HMKZDI/s72-c/Trombone+02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-3941501161802142036</id><published>2009-04-30T17:08:00.000-07:00</published><updated>2009-04-30T17:23:31.707-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>O eterno retorno</title><content type='html'>Sou um pouco radical quanto à poesia brasileira (lê-se: chato) e tenho me tornado cada vez mais restritivo. Sinceramente não afirmo de boca cheia tal fato, mas com uma tristeza lenta, uma sombra sobre o peito. Hoje o e-mail de um amigo me lembrou que há muito eu havia lhe falado: "mesmo com todas as falhas do Concretismo (e o inevitável desdobramento pra poesia-power-point, acrescento), não podemos esquecer que foram eles que nos alertaram para a materialidade do verso". Eis aí, no guto obsoleto, um começo possível para o contragolpe da minha lassidão romântica sobre o meu purismo crítico. No caminho, que encontre Drummond e João Cabral (alguém carrega a Bandeira?), e que marchem!&lt;br /&gt;Abaixo, um poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SfpAabYJObI/AAAAAAAAAYA/GMzhSdQRipY/s1600-h/lente.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 243px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SfpAabYJObI/AAAAAAAAAYA/GMzhSdQRipY/s400/lente.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330643931716204978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-3941501161802142036?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/3941501161802142036/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=3941501161802142036' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3941501161802142036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3941501161802142036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/o-eterno-retorno.html' title='O eterno retorno'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SfpAabYJObI/AAAAAAAAAYA/GMzhSdQRipY/s72-c/lente.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-3282321807432947800</id><published>2009-04-27T12:31:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T12:38:39.448-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Em outro espaço</title><content type='html'>Fiquei agradecidíssimo pelas tantas leituras da postagem anterior! Este diálogo todo é muito reanimador pra mim, no sentido original do termo, que seria algo como "dar alma (ou fôlego) de novo". Sei que pode parecer conversa fiada... mas pra mim, que levo arte como vida, indissociavelmente, a custo alto para ambas, esse diálogo é talvez a única coisa que chamo de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje posto, graças à generosidade de uma poeta amiga, Laurene Veras, em seu espaço. Lá como cá, acredito, as portas estão abertas a leitura e comentários. Obrigado, Lolo, e muita arte a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lulinlulin.blogspot.com"&gt;www.lulinlulin.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-3282321807432947800?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/3282321807432947800/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=3282321807432947800' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3282321807432947800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3282321807432947800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/em-outro-espaco.html' title='Em outro espaço'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8693430735882822110</id><published>2009-04-23T04:01:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T04:05:53.977-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Pele</title><content type='html'>Poema daqueles que vêm arrancados, impetuoso, de algum lugar já exposto. Poema que quase vem a contra-gosto, se não fosse pleno de vontade. Poema que acovarda quem o fez e desdenha de quem lê. Poema que de tão fraco poderia ter vindo gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;pele&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o desejo&lt;br /&gt;sob alças e rendas&lt;br /&gt;de um fino tecido&lt;br /&gt;vermelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feito a pele branca&lt;br /&gt;que esconde&lt;br /&gt;uma vida de carne&lt;br /&gt;ou o avesso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;naquele ralo instante&lt;br /&gt;pele sobre o tempo&lt;br /&gt;quis eu ser o tecido&lt;br /&gt;do desejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rubro de vontade&lt;br /&gt;proteger-lhe&lt;br /&gt;ou em seu cheiro branco&lt;br /&gt;silenciar-me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como ser o mesmo&lt;br /&gt;de que jeito&lt;br /&gt;sem saber se sou pele&lt;br /&gt;ou se me arde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8693430735882822110?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8693430735882822110/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8693430735882822110' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8693430735882822110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8693430735882822110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/pele.html' title='Pele'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8996966855901954706</id><published>2009-04-20T08:41:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T08:57:48.188-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Ironia Graduada</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ironia Graduada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre ouvi dos meus amigos pós-graduandos – e eles configuram uma boa parte dos meus amigos, visto minha trajetória conturbada e inapetência formal para passar em seleções de mestrado – a objeção de que o tempo é escasso demais para a feitura de uma dissertação a contento.  Agora que estou do lado de cá da fronteira, ou entre uma fronteira e outra(s), posso verificar por mim mesmo e assinar embaixo da fala de todos, com uma única ressalva. O discurso “o tempo é insuficiente para se fazer uma boa dissertação de mestrado” me parece ser uma espécie de mantra catártico e institucional para amenizar a culpa de sua veracidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na UFRGS, por exemplo, fazemos 24 créditos obrigatórios, preferivelmente concentrados no primeiro ano, o que equivale a um número de 6 a 8 matérias (no meu caso, por conta da colocação no processo seletivo, mais um estágio de docência no primeiro semestre do ano que vem). Supondo que, hipoteticamente, cada uma das 3 ou 4 matérias do primeiro semestre exija semanalmente um texto teórico de 40 páginas, temos por média 140 páginas por semana de leitura, mais as 12 horas dedicadas in praesentia. Uma semana tem, “por definição”, 168 horas, das quais, por prescrição médica (não o meu caso, claro, que sofro de insônia crônica), passamos 56 horas dormindo, ao que nos restam 112 horas de vigília. Já tirando as doze horas de aula presencial, 100 horas, este é o nosso tempo hábil. Aproveito para subtrair na conta, bem por baixo, uma hora por dia para refeições (somando todas, claro) e uma hora para chegar e sair da universidade, no meu caso, em três dias: 90 horas restantes. Cento e quarenta páginas em noventa horas. No quadro hipotético de vivermos para o mestrado, é tempo que dá e sobra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, supondo que um ou dois dos nossos professores hipotéticos se empolgue com sua disciplina e, por exemplo, proponha a leitura de um romance de 312 páginas em língua estrangeira de uma aula para outra, ou uma coleção de trechos de história literárias que totalize também umas 300 páginas. Assim, nosso número inicial de 140 páginas por média, subiria para algo em torno de 600 páginas, nas mesmas 90 horas previamente calculadas como “disponíveis”. Bom, quem não lê sete páginas e meia por hora? Ainda absolutamente razoável... Opa, mas ainda temos as leituras do nosso projeto, motivo, aliás, pelo qual voluntariamente dedicamos nosso tempo na universidade. Quantas páginas devemos ler semanalmente para nosso projeto? Cem? Duzentas? Arbitrariamente, escolho esta última alternativa (porque certamente é mais do que isso) para figurar em nossa equação, somando agora 800 páginas por semana. Em noventa horas, temos ainda a aceitável média de quase nove páginas por hora, façanha absolutamente dentro de nossas capacidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora eu reconheça que toda a conta apresentada tenha sido toscamente realizada e seja, até, tendenciosa (sim, embora o Humano não seja grande coisa no mundo de hoje, eu estudo Ciências Humanas e não Exatas), o número obtido não escapa em muito das minhas contas pessoais. Para o mestrado, contabilizei até o momento algo em torno de 3000 páginas lidas nestas quatro primeiras semanas de estudo, o que não deveria causar surpresa ou admiração, visto que já demonstramos ser uma empreitada totalmente possível. Entretanto, eu estudo canto, diariamente, uma horinha, e também violão, a mesma quantia de tempo. Sabe como é, tenho aptidão para compor, e canto numa banda excelente em São Paulo... Sinto vergonha muitas vezes quando me reconheço, em erros de execução, menos capaz como músico do que os músicos que tocam comigo e tento suprir isso com estudos. 76 horas. Também tenho este blog. Sabe como é, escrevo e, como João Cabral, acredito no exercício diário da “pena”. Dedico, então, uma hora por dia para um (postando ou visitando blogs interessantes), outra hora por dia para outro. 62 horas. Também estudo inglês e francês para ajudar na leitura dos textos acadêmicos, salvo aos domingos, quando antes estudava a língua dos anjos, mas hoje recupero o trabalho semanal, uma hora por dia, alternadamente. 56horas. Ufa! Graças a Deus não vou ao teatro, ao cinema, não tenho amigos freqüentes em Porto Alegre, não me divirto, nem me dedico a buscar felicidade, porque daí consigo manter esta belíssima média de 15 páginas por hora que tanto me deixa no controle das rédeas do mestrado. Tá bom, tá bom, também tenho minhas leituras pessoais, mas uso de integridade (momentânea) para tirá-las da conta e assumir por elas meu dolo e minhas vontades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Seya4M70vWI/AAAAAAAAAXw/D0e-jq33V1c/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 334px; height: 258px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Seya4M70vWI/AAAAAAAAAXw/D0e-jq33V1c/s400/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326802749607951714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retorne ao primeiro parágrafo desta crônica, eu espero... De quem é a culpa deste quadro? Minha, primeiramente, por somar ao mestrado outras atividades. Da Academia, por não escolher um programa mais razoável, por exemplo, de 12 créditos e o restante em horas de orientação (vale dizer que não é mérito só da UFRGS, já que também falam a respeito meus amigos da Unicamp e da USP). Dos professores hipotéticos, que se animam demais com seus projetos de estudos, sobrepujando a vontade e os projetos dos alunos com suas ambições epistemológicas. Da cultura e/ou natureza, que provavelmente impediria que um modelo centrado na responsabilidade do aluno seja adotado, com manutenção de alguma excelência acadêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não leia todos os textos propostos, ora, espera-se dos alunos esta “maturidade” – dirão alguns. Concordo, mas não posso. Vai que a minha reflexão faltante sobre o assunto esteja justamente naquela página desprezada por minha pressa medíocre. Preciso acreditar que os professores propõem as leituras mais relevantes sobre o tema. Compulsão? Obsessão? Pau-mandado dos reconhecimentos dos pais projetados numa vida adulta? Que entrem em reunião meus analistas hipotéticos, enquanto meus professores hipotéticos gastam um domingo de sol na elaboração de seus programas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8996966855901954706?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8996966855901954706/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8996966855901954706' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8996966855901954706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8996966855901954706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/ironia-graduada.html' title='Ironia Graduada'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Seya4M70vWI/AAAAAAAAAXw/D0e-jq33V1c/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1756230094839515429</id><published>2009-04-18T10:33:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T10:42:08.976-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Volta aos versos</title><content type='html'>Tenho escrito muita prosa, o que inevitavelmente atrapalha minha poesia. Apesar de ser a mesma matéria, a mesma curva, são duas forças que apontam para direções diferentes da palavra. Pender para uma delas é atrapalhar as duas. Assim que acabar um roteiro e a oficina de contos, prometo (a quem?) poemas menos prosaicos do que este. Ainda bem que Álvaro de Campos, na minha cabeceira, sempre estende seus braços e ainda durmo, verbo, na minha linguagem de sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;pessoa revisitado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as lágrimas desmedidas das mocinhas de novela&lt;br /&gt;as festas as buzinas os gritos os interpelos&lt;br /&gt;as conversas que escapam nos espasmos dos tetos e paredes&lt;br /&gt;os saltos os pneus que se apressam retardam e freiam&lt;br /&gt;os versos de apelo de álvaro a walt whitman&lt;br /&gt;as últimas cenas dos filmes comerciais os comentários&lt;br /&gt;de futebol os tiros os fogos de artifício os escapamentos&lt;br /&gt;os toques de celulares os comícios as promoções&lt;br /&gt;dos pacotes das televisões a cabo&lt;br /&gt;zap...zap...zap...zap...zap&lt;br /&gt;a violência real dos noticiários da noite&lt;br /&gt;a violência real dos documentários&lt;br /&gt;a violência real dos filmes de ficção científica&lt;br /&gt;os desfiles militares no oriente médio&lt;br /&gt;os feriados que saúdam os soldados de chumbo&lt;br /&gt;as tropas de choque a política de boa vizinhança&lt;br /&gt;de Israel as vozes das crianças as portas os interfones os alarmes&lt;br /&gt;os conselhos deixados por cada pessoa morta&lt;br /&gt;os ditados populares os álibis os axiomas&lt;br /&gt;as caçambas sendo içadas lentamente roldana contra ferrugem&lt;br /&gt;os arranques de motor as cruzadas ambientais&lt;br /&gt;em nome dos santos animaizinhos os gols&lt;br /&gt;os touchdowns os aces os homeruns&lt;br /&gt;os liquidificadores os cortes dos objetos de metal&lt;br /&gt;que morrem ao bater no chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não há silêncio&lt;br /&gt;nem haverá&lt;br /&gt;silêncio&lt;br /&gt;adiante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tamanho o verbo empalando os homens&lt;br /&gt;que a voz não sara ao vir de dentro&lt;br /&gt;mesmo se a fala suprema fosse finalmente despertada&lt;br /&gt;aquela para onde todas as falas se encaminham&lt;br /&gt;a razão pela qual a língua foi criada&lt;br /&gt;esta seria nada uma entre tantas outras&lt;br /&gt;falas vãs pequenas inúteis valas de palavras&lt;br /&gt;ainda bem que trouxe sua blusa de manguinha&lt;br /&gt;os agradecimentos as mesuras os aceites&lt;br /&gt;as cerimônias as fotos de viagem&lt;br /&gt;o grito que todos gravam fibra a fibra nas entranhas&lt;br /&gt;para um dia exilarem&lt;br /&gt;tremendamente para cima para nunca mais&lt;br /&gt;calarem&lt;br /&gt;e todos sentirem o incômodo deste excesso de barulho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1756230094839515429?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1756230094839515429/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1756230094839515429' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1756230094839515429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1756230094839515429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/volta-aos-versos.html' title='Volta aos versos'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6195690152701036800</id><published>2009-04-16T03:38:00.000-07:00</published><updated>2009-04-16T03:40:18.140-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>o cardeal</title><content type='html'>&lt;strong&gt;o cardeal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser órfão não é bolinho! Imaginem cada festa feita para ter família. Nessas horas, mesmo o mais forte dos órfãos não agüenta o tranco. Antes que fiquem com pena de mim, não sou órfão, fui... Até uns doze anos, meu pai era na prática um relógio enorme folheado a ouro e sem bateria que eu levava no pulso e que ele deixou ou esqueceu o presente no berço da maternidade. Pensando no futuro, nas vezes que eu precisaria de uma família sem ter, comecei, desde menino, a criar a raiva comum das crianças que têm perguntas sem saber quais. Não saber a pergunta certa, meus amigos, é muito pior do que não saber a resposta certa. Peço desculpas, que não sou das palavras bonitas, mesmo assim me acho no direito de contar minha história, pelo simples fato de ser diferente da sua. Ao invés de esperar as perguntas, então, vou me adiantando em dar as respostas certas. Quem sabe com elas, depois, vocês não acertam as perguntas e evitamos todo o lero-lero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo pouco tempo, escolho só um ano para contar minha vida rebelde na escola. No fim do verão, em 84, eu voltava do orfanato de férias não muito calmas. O cinto apertava por lá e a irmã Winston estava cada mais durona. Pressionar órfãos é mexer num vespeiro! O lar de caridade parecia um campo de guerra entre nós, os diabinhos, e elas, as noivas de Deus. O começo das aulas foi como exilar Lúcifer e ganhar um cessar-fogo de cinco dias por semana. Lá fui eu então tirar a paz dos colegas, dar mais trabalho aos funcionários e agravar a boca saltitante da senhora Margarida. O roteiro era o mesmo sempre: eu armava alguma, com a ajuda ou não dos meus comparsas, aguardava a hora certa, fazia o que tinha que fazer e a sala explodia em gritos e risos excitados. No final de cada malvadeza, desistia Dona Margarida sofria:“Gente, acho que por hoje tá bom, vocês podem ir brincar um pouco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro ou quarto dia de aula daquele ano, no meio da manhã, entrou na sala um novato chamado Jorge. Não sei se foi o seu jeitinho de menina, de fazer tudo miúdo, ou seu topete armado sobre um rosto de barão, que levou Murilinho a achar-lhe um apelido, “parece um cardeal-do-sul do sítio da vó”. O tempo resume as coisas, e em duas semanas ele já era o Cardeal. Não por raiva das freiras do orfanato, fãs de um tal falecido Cardeal Motta, nem qualquer coisa contra os ricos, mas aquele menino aos poucos foi me tirando do sério até que eu quase não podia olhar pra ele. Ele dava a vez pras meninas entrarem primeiro na sala. Ele respondia de bate pronto às perguntas da Dona Margarida. Ele passava o recreio com um livro na mão (sem ilustrações de capa!). Ele não ria das minhas brincadeiras, muito menos ajudava. No fundo, aquele engomadinho era exatamente o meu oposto, e precisava pagar por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a raiva era grande, tramei com calma o que fazer com ele. Percebi primeiro que sua grande bolsa de couro parecia impermeável. Depois vi que sua saída pro intervalo era como o café da manhã das freiras, igual: tocava a sirene, ele fechava o caderno, colocava tudo dentro do estojo, metia a mão na bolsa pra pegar seu livro, seu sanduíche, e ganhava o pátio. Aposto que todos vocês já imaginam o que me passou pela cabeça, prova que não somos assim tão diferentes. O problema foi que exagerei um pouco e, além da água, joguei lá dentro algumas giletes usadas que o zelador guardava sei lá pra quê. Não deu outra. Numa manhã de inverno, uns dez graus, aproveitando a saída do Cardeal e com a ajuda dos meninos para distrair Dona Margarida, executei o plano. Diferente do que eu tinha planejado, antes do intervalo o menino abriu a fivela e, vendo o estrago, deu seguidos e abafados gritos de raiva com choro, tudo misturado. Afoito para salvar seu livro, seu sanduíche, enfiou sem pensar a mão na água trincando e um berro agudo e cortante aboliu os verbos defectivos de Dona Margarida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu depois foi bastante confuso. Lembro somente de ser umas onze da manhã e eu caminhar pro orfanato, suspenso, quando uma caranga de grife encostou na calçada. Era a Dona Cardeal, que me oferecia carona. Ela, como o filho, parecia gostar dessas coisas de perdão, bons modos e piedade que eu já sabia não funcionar muito no mundo real. Dentro do carro, respondi sobre o que aconteceu, falei da minha história, pedi desculpas, acuado, e ela acabou me chamando pra tomar café em sua casa no fim de semana. A três quadras do meu destino, quando o silêncio tinha comido todos os assuntos, ela olhou pro meu relógio e disse, sem importância: “Antigo este teu relógio, muito bonito. Desde quando você tem?”. “Desde sempre”, respondi, baixo. Achando que eu tivesse roubado, ela comentou: “É bem raro, deve custar uns bons milhares de cruzeiros. Meu marido tinha um desses, mas perdeu, há muitos anos”. Meus olhos passaram atordoados pelos traços da mulher e encontraram os olhos do Cardeal cravados em mim. Os mesmos olhos, o mesmo cenho, a mesma pele, a mesma raiva.&lt;br /&gt;Aproveitando o semáforo, saltei do carro e corri, ainda ouvindo no fundo a voz esganiçada da mulher. Minhas pernas não órfãs, pernas que não perguntam, voaram como nunca para o orfanato. Dormi naquele noite com um embolo no peito. Como já disse, não sou muito bom com as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SecK2jv2oOI/AAAAAAAAAXo/kvwUEKISF_o/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 113px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SecK2jv2oOI/AAAAAAAAAXo/kvwUEKISF_o/s400/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325237016814067938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6195690152701036800?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6195690152701036800/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6195690152701036800' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6195690152701036800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6195690152701036800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/o-cardeal.html' title='o cardeal'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SecK2jv2oOI/AAAAAAAAAXo/kvwUEKISF_o/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-3951301253782718498</id><published>2009-04-14T12:20:00.001-07:00</published><updated>2009-04-14T12:27:50.605-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>O Trombone II</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SeTjF4u9kuI/AAAAAAAAAXQ/A5rMNBZxrAw/s1600-h/Trombone+02.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 307px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SeTjF4u9kuI/AAAAAAAAAXQ/A5rMNBZxrAw/s400/Trombone+02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324630349726978786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo as tentativas críticas inauguradas há alguns dias neste espaço, chamo a atenção para um grupo de escritores de conto que já há algum tempo se faz fortemente presente no contexto da Literatura Brasileira, mas só nas últimas duas décadas podemos delineá-los mais claramente. Trata-se do grupo (é ruim, anteponho, o nome que escolho) dos “professores universitários ↔ escritores”. Consoante à tendência estrangeira, cujo exemplo máximo talvez seja o sul-africano Coetzee, o ambiente universitário brasileiro tem abrigado – e/ou atraído – um número significativo de bons contistas, dos quais destaco dois nomes, por fortuidade de “ter caído nas mãos” (talvez não se considere tão fortuito, já que ambos foram meus professores em algum tempo da minha trajetória universitária).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira, Vilma Arêas, chegou-me por seu livro, &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=376622&amp;sid=01212434711319661779447739&amp;k5=DE33C7B&amp;uid="&gt;&lt;em&gt;Trouxa Frouxa&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (2000), mas como escritora já consolidara uma trajetória literária significativa antes que eu a conhecesse literariamente, com uma voz própria bastante original e um vigor “prosaico” impressionante. Com um estilo que lembra a figura dos caleidoscópios, onde numerosos fractais se alternam, convidando o leitor a realizar o movimento todo-parte de maneira dinâmica, é a meu ver aquela que mais traduz a contemporaneidade pós-moderna em seu estilo. É tudo pleno e fragmentado em sua prosa, é tudo sutil e profundo. Os contos incorporam a tradição urbana da contística brasileira (Trevisan, Fonseca etc.), mas certamente a leva um passo adiante, em flerte constante com os tons de Guimarães Rosa e Clarice Lispector. No momento, a autora (informação privilegiada) dedica seu tempo à criação literária e só resta a nós, leitores, aguardar ansiosos para onde nos levarão as antenas dessa instigante contista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo, Luís Augusto Fischer, conheci aqui em Porto Alegre, pessoalmente e por meio do seu primeiro livro de contos, &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/catalogo/busca.asp?tipo_pesq=titulo&amp;palavra=O+edif%EDcio+do+lado+da+sombra&amp;topo=livro&amp;sid=01212434711319661779447739&amp;k5=263C941A&amp;uid=&amp;lastreg=&amp;parceiro=142322"&gt;&lt;em&gt;O Edifício do Lado da Sombra&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (1996). O que me chama a atenção (e eu a projeto para os leitores) é a manutenção de uma ironia muitíssima requintada, em outros tempos muito cara a escritores como Machado e Borges (não à toa, objetos de pesquisa do professor), como também um competente controle da forma do conto, muitas vezes duplicado em si mesmo, e da figura do narrador (nas múltiplas identidades que assume ao longo do livro). Preciso correr atrás das demais obras do escritor, mas sua estréia, já em idade madura, e os prêmios recém obtidos permitem que eu aposte muitas de minhas fichas em seu estilo clássico, mas nunca retrógrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, sobre essa distinção clássico x vanguarda, faço uma rápida colocação final. Normalmente as épocas literárias oscilam entre um e outro, talvez num movimento dialógico entre “ousadia” e “solidificação”, talvez, modernamente, assumindo uma acepção mais mercadológica como “novidade” e “linha de produção”. O que gostaria de notar é que nos dois autores abordados nesta resenha há um teor mais clássico de produção textual (visto que compreensíveis, bem escritos, mobilizadores evidentes da tradição etc.), mas também há inovação, nas características textuais de Arêas – uma linguagem onírica algumas vezes – ou nas paratextuais de Fischer – há um conto entre parênteses, por exemplo (mínimo). Seria uma conjunção da antiga espiral oscilante ou vivemos uma época “clássica” em que as ousadias precedentes já estão sendo solidificadas por nossos autores contemporâneos? Daqui a cinqüenta anos, havendo humanidade, um jovem crítico metido a besta estará pensando na mesma pergunta, automaticamente transposta para seu blog pessoal. E viva o último capítulo de Ulisses!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cornetem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-3951301253782718498?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/3951301253782718498/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=3951301253782718498' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3951301253782718498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3951301253782718498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/o-trombone-ii.html' title='O Trombone II'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SeTjF4u9kuI/AAAAAAAAAXQ/A5rMNBZxrAw/s72-c/Trombone+02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6795688165079856670</id><published>2009-04-13T03:46:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T03:49:12.313-07:00</updated><title type='text'>Poema Dia</title><content type='html'>Hoje estou lá no "&lt;a href="http://poemadia.blogspot.com/"&gt;Poema Dia&lt;/a&gt;", conheçam o espaço, se puderem. À exceção de mim mesmo, garanto que vale a pena! Muita arte!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6795688165079856670?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6795688165079856670/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6795688165079856670' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6795688165079856670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6795688165079856670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/poema-dia.html' title='Poema Dia'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1272887440177480269</id><published>2009-04-12T11:22:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T11:29:43.968-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>A materialidade do verso</title><content type='html'>Conversando nesta semana com um recém-conhecido, tocamos no assunto Concretismo, que arrepia até hoje muitos teóricos e poetas. Não sou nenhum "camposino" de carteirinha, mas há que se reconhecer que eles fizeram com que não pudéssemos mais ignorar a natureza material do versos. Concordam? Também não sei se concordo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SeIx54E3uUI/AAAAAAAAAXI/PQ9YhlFOpZ8/s1600-h/o+que+se+pergunta.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 301px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SeIx54E3uUI/AAAAAAAAAXI/PQ9YhlFOpZ8/s400/o+que+se+pergunta.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323872579880466754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SeIxxW8iBDI/AAAAAAAAAXA/qw3mkBkhX3E/s1600-h/o+maior+arranjo+do+mundo.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 337px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SeIxxW8iBDI/AAAAAAAAAXA/qw3mkBkhX3E/s400/o+maior+arranjo+do+mundo.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323872433548166194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1272887440177480269?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1272887440177480269/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1272887440177480269' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1272887440177480269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1272887440177480269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/materialidade-do-verso.html' title='A materialidade do verso'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SeIx54E3uUI/AAAAAAAAAXI/PQ9YhlFOpZ8/s72-c/o+que+se+pergunta.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-7354030221144832303</id><published>2009-04-11T09:13:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T03:49:55.616-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='canção'/><title type='text'>Coisa - Abracabrália</title><content type='html'>Já havia postado esta mesma letra no &lt;a href="http://manazinabre.blogspot.com/"&gt;Maná Zinabre&lt;/a&gt;, mas resolvi ecoar por aqui, para conectar ainda mais este espaço e o Maná, reunindo os possíveis leitores exclusivos. Quem quiser e puder conferir a melodia, só entrar no My Space da &lt;a href="http://www.myspace.com/abracabralia"&gt;Abracabrália&lt;/a&gt;, mas acho que a letra em si já gera algumas discussões que me têm sido importantes ultimamente. Grande abraço a todos e muita arte, sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;COISA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Guto Leite &amp; Daniel Coelho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe um dia ela não vira alguma coisa?&lt;br /&gt;Alguma coisa, coisa minha, ela não vira.&lt;br /&gt;Uma coisinha, que ninguém sabe das coisas,&lt;br /&gt;Que seja aquela, seja essa coisa minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não viu, se não amava aquela coisa,&lt;br /&gt;Aquela coisa bem cuidada, aquelazinha,&lt;br /&gt;E vinha toda bonitinha, toda coisa,&lt;br /&gt;A pele justa protegida na blusinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai minha boca passeando pela coisa,&lt;br /&gt;E pela coisa não passeia, se desliza,&lt;br /&gt;Pra não pisar, não desmanchar, ferir a coisa,&lt;br /&gt;E ter de novo, quando a coisa oficializa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que é sempre tão confusa toda a coisa,&lt;br /&gt;É tão confusa, que essa coisa se complica.&lt;br /&gt;Mas quem irá cobrar de alguém que viu a coisa&lt;br /&gt;Que vá viver sem essa coisa todo dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que nós dois já planejamos tanta coisa,&lt;br /&gt;É tanta coisa planejada, que não vira.&lt;br /&gt;Nossas viagens, nossos filhos, nossas coisas&lt;br /&gt;Vão misturando numa coisa indefinida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que enfim nós dividimos nossas coisas,&lt;br /&gt;E toda coisa não é dela, nem é minha.&lt;br /&gt;E falta força, falta água, falta coisa,&lt;br /&gt;Que nós brigamos hoje por qualquer coisinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos passam sobre a gente, sobre as coisas,&lt;br /&gt;A gente acha que qualquer coisa é bem-vinda.&lt;br /&gt;Então tratamos sentimentos como coisa&lt;br /&gt;Guardando em nós alguma coisa, à revelia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem perceber estamos velhos, quanta coisa,&lt;br /&gt;Daí, corremos pra botar a coisa em dia.&lt;br /&gt;Mas nos alcança a coisa que termina a vida,&lt;br /&gt;E finalmente somos coisa, a coisa fria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-7354030221144832303?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/7354030221144832303/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=7354030221144832303' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7354030221144832303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7354030221144832303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/coisa-abracabralia.html' title='Coisa - Abracabrália'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2256143354152332697</id><published>2009-04-10T10:14:00.001-07:00</published><updated>2009-04-13T03:50:16.324-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>O Trombone I</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sd-GROdLKsI/AAAAAAAAAW4/W-UpzDvfOnE/s1600-h/Trombone+02.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 307px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sd-GROdLKsI/AAAAAAAAAW4/W-UpzDvfOnE/s400/Trombone+02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323120915071576770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava já há algum tempo em começar a me aventurar por terrenos críticos de maneira sistemática e até tenho algumas resenhas iniciadas sobre livros, peças etc., mas só hoje, vendo o último filme de Woody Allen, "Vicky Cristina Barcelona" (2008), resolvi de fato partir para o trabalho e chamar os interessados para uma reflexão sobre um pequeno ponto dessa boa obra cinematográfica. O projeto se chama, provisoriamente (como se houvesse algo não provisório no mundo), &lt;strong&gt;O TROMBONE&lt;/strong&gt;. Explico em ocasião mais oportuna sua configuração e seus interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como leio muita crítica ou tentativa de crítica por conta do mestrado, tendo a preferir começar minha reflexão por um único ponto que por si só elege Woody Allen como um bom escritor e diretor contemporâneo (o que nos dias de hoje é um imenso elogio!), além de dar indícios visíveis de seu estilo e de como a obra se organiza estruturalmente. Refiro-me à cena do jantar em que Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são abordadas por Gonzalo (Javier Barden). Além do constantemente notado caráter inusitado da abordagem, o convite para um final de semana amoroso em Oviedo - que já traz algum mérito por ser bastante original em relação à cena já gasta de abordagens em restaurantes, presentes em milhares de filmes anteriores - a forma como o diretor/roteirista realiza o desenlace desta cena mostra claramente seu requinte e seu domínio da narrativa. Após a retirada de Gonzalo, que aguarda pela resposta fora de foco, as duas amigas discutem, já que Cristina quer aceitar o convite e Vicky (&lt;em&gt;engaged&lt;/em&gt;) não. O expectador crítico já se pergunta como o autor resolverá este impasse sem perder tempo excessivo numa discussão das duas e sem perder a coerência essencial às personagens envolvidas. Pronto: a cena é cortada em meio à contenda e vemos, na cena seguinte, Cristina, que havia aceito previamente o convite, num pequeno avião, numa noite chuvosa, ao lado de Gonzalo. Os ingênuos certamente pensaram "ela foi sozinha e deixou Vicky em Barcelona", mas o mesmo expectador de linhas atrás, curioso, pensa "ela conseguiu levar a amiga para o passeio", e logo em seguida a tomada mostra Vicky, muda, com medo, na parte de trás do avião, sendo saculejada pela tempestade, metáfora materializada daquilo que iria ocorrer a ela a partir de então no filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos autores conseguem verbalmente resolver problemas similares, mas poucos são capazes de delegar ao silêncio e a uma seqüência feliz de cortes a narrativa sutil de que precisava. Além de uma inteligência fora do comum, Woody Allen demonstra aprendizado com sua extensa filmografia prévia, onde, em algumas vezes, se agarrou aos diálogos para percorrer este mesmo trajeto. Não digo que o filme seja perfeito, até por haver certo momento enfadonho entre a colocação dos primeiros conflitos e o surgimento de Maria Elena (Penélope Cruz), que reanima &lt;em&gt;la película&lt;/em&gt;, mas grito que eis aí um autor que merece a atenção do público contemporâneo que busca o cinema como arte (que inclui entretenimento) e não como um meio puramente de entretenimento. Em vez de perder uma hora e meia com algum filme trivial (ou com outras trivialidades), ganhe uma hora e meia com esta excelente obra do neurótico novaiorquino. Sensual, leve, divertida, sutil, profunda e atual! Eis o desafio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cornetem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.: &lt;em&gt;en passant&lt;/em&gt;, como nota, o maior problema que Pessoa e Chico delegaram para os que sucedem são suas completudes! Quanto aos demais poetas e compositores, é possível passar por cima de suas obras sem meio-termos. Em relação aos dois, é preciso quebrar a cabeça para dar a volta, na maioria das vezes, sem sucesso... Pessoa e Chico, em suas respectivas artes, são inalienáveis!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2256143354152332697?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2256143354152332697/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2256143354152332697' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2256143354152332697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2256143354152332697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/trombone-i.html' title='O Trombone I'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sd-GROdLKsI/AAAAAAAAAW4/W-UpzDvfOnE/s72-c/Trombone+02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8951748510717849128</id><published>2009-04-09T16:45:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T03:50:47.993-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Parábola</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sd6J0dkl-1I/AAAAAAAAAWw/Ki_b3jm8CMU/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 113px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sd6J0dkl-1I/AAAAAAAAAWw/Ki_b3jm8CMU/s400/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322843343982820178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto aos versos, filho com medo! Por que renegá-los? Eles que tão cedo me esconderam em sua saia de verbo. Que há muito me ensinaram a distância segura para o resto. Volto apressado e envergonhado como o filho pródigo. Volto pros versos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o índio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um índio imenso&lt;br /&gt;de cocar sem pena&lt;br /&gt;se move em silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;corre quem pensa&lt;br /&gt;foge no tempo&lt;br /&gt;que lhe atravessa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;senão nos chocalhos&lt;br /&gt;ao canto dos berços&lt;br /&gt;onde é sua crença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;exceto nas tábuas&lt;br /&gt;que vendem o ócio&lt;br /&gt;quando é sua arte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o índio que parte&lt;br /&gt;que some nas eras&lt;br /&gt;que vai para ontem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não deixa na terra&lt;br /&gt;sequer sua morte&lt;br /&gt;não tem piedade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;daqueles que ficam&lt;br /&gt;que serão índios&lt;br /&gt;de outras cidades&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8951748510717849128?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8951748510717849128/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8951748510717849128' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8951748510717849128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8951748510717849128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/volto-aos-versos-filho-com-medo-por-que.html' title='Parábola'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/Sd6J0dkl-1I/AAAAAAAAAWw/Ki_b3jm8CMU/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-17987008118021381</id><published>2009-04-06T14:53:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T03:51:09.827-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Um conto impostor</title><content type='html'>Sigo na oficina de contos e cada vez mais tomo gosto pelo gênero (ainda labiríntico para mim). No entanto, ao menos, já me incomoda pouco expor-me aqui com alguma história que me tenha passado pela cabeça. Não que não seja mais um impostor, obviamente, mas ser de araque também pode trazer certo charme.&lt;br /&gt;p.s.: posto também um chorinho dia 07 lá no Maná Zinabre. Aos que se animarem, é um espaço fabuloso e em muito me ultrapassa em qualidade e relevância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ecce homo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se por índole natural ou civilizada, os homens tendem a preferir verdades excludentes. É feito disto ou daquilo, é determinado ou casual, é preso ou livre o arbítrio, é abominável ou preferível, é culpado ou inocente. Visto nosso extenso percurso de enganos, está claro que esta não é a melhor forma de conhecermos bem qualquer coisa. Ao invés, proponho entendermos os corpos, físicos e abstratos, como uma relação dinâmica de forças opositoras, entrelaçadas a tal velocidade, diria Heisenberg, que apontar qualquer delas é perdê-las todas. Escolho e não escolho uma dessas relações para que entendamos melhor no que desperdiçamos agora o nosso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens não mudam, dizem os provérbios, a História e a sabedoria popular. As crianças sim, ainda bichos, moldáveis, aptas, têm escolas, preceptores, e normalmente são educadas pela sociedade vigente a tornarem-se homens (sendo isso bom e ruim). Os homens mudam, eis a moeda corrente dos religiosos, psicanalistas e metafísicos em geral. Basta que um ser superior (Jeová, Tarô ou o Ego) intervenha com sua força descomunal para que drasticamente se altere a natureza do ser. Tomemos, então, todos nós como um único homem. Não o de Platão, porque distante, nem mesmo o de Marx. Um homem máximo, que nasceu com as comunidades mesopotâmicas e que vem se arrastando desde então, reunindo seus fragmentos, até finalmente se achar pleno e orgânico no começo deste século. Olhando no rosto desse Homem, olhando-o nas mãos, vemos sem dificuldades que ele muda. Não mais amaldiçoamos as adúlteras a descair a perna e a inchar o ventre. Também não consideramos todas as mulheres, de antemão, predispostas ao sexo. De mesmo ângulo e visada, vemo-nos ser exatamente o mesmo homem de outras eras, nos movimentos agrários contra Licinae Sextiae e nos segundos socos das brigas de bar, que revidam no direito o manchar das honras e dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que nos serve vermos simultaneamente os homens por dois lados? – objetarão os pragmáticos. Com o Homme au chapeau debaixo do braço, respondo que não nos serve mesmo para muita coisa, senão para estarmos um pouco mais distantes do erro certo. Forçarmos a mudança está previsto e será evitado. Adiarmos a mudança é impossível. Dentro do Homem somos minúsculos, células epiteliais, a princípio, que quanto mais relevantes, porventura, mais nos constituímos organismo adentro, aumentando-nos em importância e permanência. As duas únicas medidas cabíveis (e não excludentes) são: dedicarmos nossas vidas a salvar todos os homens e investirmos nosso tempo numa forma de matá-los. Nisso Jesus e Hitler são idênticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, que além de falar sozinho não possuo qualquer outra mania de grandeza, não se configura ainda de forma clara como devo empregar meu pensamento. Deitado a alguns metros e um par de paredes do quarto de meus pais, perco-me microscopicamente na metáfora do corpo. Se externos, de que nos vale o fôlego? Qual a verdadeira importância de outros como eu, pequenos e substituíveis? Se sabê-lo me torna profundo, eu não teria ascensão sobre aqueles que servem somente para me proteger do que vai fora? Meus pais, que dormem, o que diriam a respeito? Certamente sorririam ou negariam sem entendimento algum, como já fizeram em outras vezes. Nossas diferenças têm se tornado evidentes há alguns anos e não vejo como reatar certa ligação perdida que sinto já ter experimentado quando era bicho. Devo salvá-los, matá-los ou ambos? Tem alguma relevância qualquer um dos meus atos? Qualquer ato, em geral, possui algum sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durmo pensando que o melhor mesmo é que eu não me case. Se sucumbir, entretanto, que jamais tenha filhos. Caso por descuido venham os rebentos, fingir-me constantemente submisso até enfim conseguir tê-los todos fora de casa. Cada qual que cuide de sua natureza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-17987008118021381?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/17987008118021381/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=17987008118021381' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/17987008118021381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/17987008118021381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/um-conto-impostor.html' title='Um conto impostor'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8033347893247659740</id><published>2009-04-03T12:33:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T03:51:36.224-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>De volta aos versos</title><content type='html'>Embora este não seja um poema unânime (mesmo em foro íntimo), gosto dele por uma porção de razões mínimas que acabaram me levando a postá-lo. Sinceramente, não espero clemência, pior dos sentimentos possíveis que um leitor pode ser dotado. Espero, outrossim, um desgosto dominante com uma porção diferenciada de ressalvas. Será que acerta meu faro de leitor? Mais uma vez lamento pela impossibilidade de reproduzir a forma exata do poema, responsável por alguns de seus efeitos, e espero toda as opiniões com o mesmo olhar atento para o diálogo. Muita arte a todos, se ainda for tempo de arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;meia-idade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                           que término antecipado&lt;br /&gt;                                      ou explosão incontida&lt;br /&gt;que lábio petrificado no ventre de outro lábio&lt;br /&gt;que grito&lt;br /&gt;que tempo em falta ou excesso&lt;br /&gt;sobre um amor delicado&lt;br /&gt;                           ou olhos desviados&lt;br /&gt;            fugindo de olhos fixos&lt;br /&gt;qual dos pares&lt;br /&gt;vaidosos&lt;br /&gt;revestido de sombras&lt;br /&gt;              de chamas&lt;br /&gt;que medo&lt;br /&gt;ou coragem súbita para tragar do momento&lt;br /&gt;                                                                                      o seu incenso&lt;br /&gt;que história foi ouvida&lt;br /&gt;que romance testemunha&lt;br /&gt;a mais genial perfídia contra o amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que deu ao amante&lt;br /&gt;seu infeliz veredicto&lt;br /&gt;ora expiado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que faz com que ande&lt;br /&gt;enfim&lt;br /&gt;neste ser condicional&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8033347893247659740?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8033347893247659740/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8033347893247659740' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8033347893247659740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8033347893247659740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/04/de-volta-aos-versos.html' title='De volta aos versos'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8402907473398905053</id><published>2009-03-22T17:15:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T03:51:58.726-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Postagem inédita</title><content type='html'>Originalmente, este é um blog de poesia... como as musas se arrediam, passou a ser de poemas e contos. Por compartilhar com o protagonista da obra-prima de Mário sua maior qualidade, virou poesia, conto e quadrinhos. Daí mudei-me para longe, demorando mais para ter novos quadrinhos, tornou-se poesia, conto, quadrinhos e roteiros. Ah, enfim, hoje deixo um trecho da minha única peça (com Gustavo Teixeira), que concorre ao Prêmio Nacional de Dramaturgia que sai agora dia 30. Rezemos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM (acariciando a MULHER, à revelia):&lt;br /&gt;Não. Eles não contam... presos, livres, alheios...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER:&lt;br /&gt;Tac.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM:&lt;br /&gt;Sabem do tempo porque nós os visitamos, às vezes, jogamos bananas, fazemos nossos filhos imitá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER:&lt;br /&gt;Nós temos filhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM:&lt;br /&gt;Não. Mas se tivéssemos, faríamos isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER:&lt;br /&gt;Tac.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM:&lt;br /&gt;Tic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER (cedendo ao carinho):&lt;br /&gt;Você é muito duro comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM:&lt;br /&gt;Sou, para não perdemos nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER:&lt;br /&gt;Mas pra isso precisa acabar com tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM:&lt;br /&gt;Tudo o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER:&lt;br /&gt;Tudo. Isso (apontando em volta)... tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM:&lt;br /&gt;Eu mantenho tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER (saindo dos carinhos, indo em direção à cama):&lt;br /&gt;E não precisa de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM:&lt;br /&gt;Claro que preciso, mas você não é imperativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER (começando a se exaltar):&lt;br /&gt;O que quer dizer com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM (se aproximando, cândido):&lt;br /&gt;Você é algo que eu quero...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER:&lt;br /&gt;Tac.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM:&lt;br /&gt;E os desejos provocam necessidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULHER:&lt;br /&gt;Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM (chegando à MULHER):&lt;br /&gt;Mas o tempo é imperativo, está além do desejo, e você não...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8402907473398905053?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8402907473398905053/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8402907473398905053' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8402907473398905053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8402907473398905053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/03/postagem-inedita.html' title='Postagem inédita'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8748265925477596424</id><published>2009-03-19T03:33:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T03:52:23.539-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Defeito de fábrica</title><content type='html'>Saudações, caríssimos. Comecei na semana passado um curso de conto para corrigir um grande defeito da minha formação literária... Sinceramente, nunca me dei bem com narrativas, histórias, peripécias, climax e desfechos. Estranho! Há boas teorias que defendem com vêemencia uma certa pulsão natural à narrativa. Isso corrobora uma de minhas maiores suspeitas. Vim, sem sombra de dúvida, com um grande e escandaloso defeito de fábrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o burocrata&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois de trabalhar mais de vinte anos no setor administrativo desta repartição pública, aprendi as muitas nuances do ofício. Naturalmente, hoje ocupo o melhor dos cargos do departamento: sou o responsável por acatar ou negar pedidos de licença e férias de todos os funcionários, milhares, que compõem nossas incontáveis alas e sucursais. Minha rotina é na verdade bastante simples. Na segunda pela manhã, recebo uma lista de solicitações pendentes. Acima, em vermelho, constam os nomes daqueles que imperativamente devem se licenciar na semana seguinte. Ao lado, após os nomes do prédio e do setor, figura o contingente mínimo de empregados necessários ao bom funcionamento da seção. Assim, de posse de dois carimbos comuns, DEFERIDO e INDEFERIDO, marco, até o final da semana, cada um dos nomes do rol, apelidado por mim de “a enorme lista do ócio”.&lt;br /&gt; Obviamente se espera do meu trabalho mais do que preencher tabelas idênticas de uma tinta azul inevitavelmente borrada. Devo, em tese, vislumbrar, medir, prever, ponderar, analisar, argüir e julgar, caso a caso, quais daqueles empregados merecem usufruir antes de seu direito de descanso. Não me envergonho em dizer que assim o fiz, a princípio. Contudo, seria pouco honesto da minha parte dispensar a regalia de preencher ao acaso minhas obrigações, respeitando, é claro, os ameaçadores nomes rubros ao alto da lista. Às terças-feiras, quartas, no máximo, já realizo passeios salutares por cada um dos setores, prática, aliás, prevista pela natureza do meu trabalho.&lt;br /&gt; Muitos acreditam no poder terapêutico e na potencialidade criativa do ócio. Eu, no entanto, e me considero o homem ideal para falar sobre isso, afirmo que o descanso foi feito para que os negócios que o sucedam sejam mais proveitosos. Complementam-se um ao outro e alienam o homem igualmente. Basta olhar para uma repartição pública em uma segunda de manhã ou para o tom renovado que amanhecem os domingos, dia seguinte ócio metafísico de Deus. Basta olhar para mim, neste renovador retorno das férias, degustando calmamente cada pequena engrenagem da máquina burocrática e valendo-me de novo da simpatia sinceramente interessada dos meus colegas. &lt;br /&gt;Recebo a lista costumeira das mãos do Gerente Geral e entro em minha sala. Recosto-me na cadeira acolchoada de quatro requerimentos, abro a pasta e verifico que meu substituto trabalhou como um novato, minucioso e ingênuo. Mesmo assim e, por isso, centenas de nomes esperam ali meu presto julgamento. Conheço pessoalmente muitos deles, infiro pelos apelidos outros tantos. Fecho a pasta por um tempo, tentando me lembrar o máximo possível dos rostos de nossa repartição, um hábito lúdico que ganhei com os anos. Abro novamente a pasta, deslizo meus dedos sobre cada rotina e acho por bem começar logo o trabalho.&lt;br /&gt;Prédio Um. Aarão, dos arquivos, seu irmão é escritor de cinco livros muito bem recebidos pela crítica especializada. INDEFERIDO. Abílio, gerente de atendimento, o vi saindo do carro esta manhã com cara de quem teve uma noite ótima. INDEFERIDO. Acácia, da recepção, educada, prestativa, cerimoniosa. INDEFERIDO. Adalto, grande sujeito esse Adalto, que setor? Vejamos. Setor de Aprimoramento e Capacitação, o SACA, mas como, se o esbarro freqüentemente nos corredores? Bem, quantas licenças para o prédio? Quarenta e duas. Alguém de férias ou licenciado? Não. DEFERIDO. Palmas para ele. Aline, magra, vegetariana, jeitinho superior, de quem está sempre um passo na sua frente. INDEFERIDO. Amanda. INDEFERIDO. Atanásio. Atanásio? Que pai batizou esta criança? Não me lembro dele... Funcionário desde 89 do Setor de Recursos Humanos. Daqui?&lt;br /&gt;Ergo a cabeça por detrás da pasta e fito além do vidro aqueles que trabalham. Impressionantemente, salvo o Gerente Geral, desconheço o nome de todos que consigo avistar neste momento. Para piorar, a maioria tem minha idade e minha postura na degustação de suas boas trajetórias no funcionalismo público, o que os torna, nos torna, muito parecidos. O homem de terno ao canto da sala, lembro-me bem, embora tenha esquecido seu nome. Houve um bolão no setor uma vez sobre quantos meses até que ele tentasse o suicídio. Todos perdemos, muito triste. Há o obeso das gravatas exóticas. Nos dias quentes, sua muito, encharca-se, tendo que limpar os dedos na camisa para tocar nos documentos, salpicando-as gradativamente de um tímido amarelo. Também poderia ser aquele alto e esguio – como é mesmo seu nome? – que passou o abaixo-assinado há alguns anos para continuarmos a usar os escaninhos em vez de computadores.&lt;br /&gt;Certamente é um desses párias, mas qual? Os tempos longe daqui me levaram o tino. Meus olhos agora se desprendem dos meus primeiros suspeitos e outros já cabem perfeitamente em Atanásio, levam o nome aos crachás. Quem me dera usássemos crachás! Quem me dera as pessoas fossem atreladas aos nomes como o trabalho ao ócio!&lt;br /&gt;Que se foda o Atanásio! Indeferido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8748265925477596424?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8748265925477596424/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8748265925477596424' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8748265925477596424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8748265925477596424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/03/defeito-de-fabrica.html' title='Defeito de fábrica'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1418054823411485540</id><published>2009-03-15T06:09:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T03:52:45.191-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='canção'/><title type='text'>Perdão pela demora</title><content type='html'>Salve, queridos! Há algum tempo postei neste espaço a letra de um samba feito nas últimas férias. A resposta foi muito boa e finalmente tenho como também veicular o &lt;a href="http://www.myspace.com/abracabralia"&gt;áudio&lt;/a&gt;, que é, afinal, parte indissociável da canção... Espero sinceramente que não se decepcionem com a faceta melódica da letra que leram. Agradeço como sempre os comentários, impressões e tudo o mais que quiserem postar neste espaço, compartilhado. Abraços e arte a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.: para ouvir a canção, só clicar na palavra "áudio" ou no link da Abracabrália, no lado superior direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perdão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Guto Leite &amp; Daniel Coelho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você me pediu perdão,&lt;br /&gt;Tudo pareceu não ter mais vida,&lt;br /&gt;Errei nos bares a ganhar identidades,&lt;br /&gt;Fui poeta, louco, suicida, fui bufão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo no meu pulso um suvenir,&lt;br /&gt;Uma cicatriz do teu legado.&lt;br /&gt;Uma lembrança que você comprou&lt;br /&gt;Na escadaria do Bonfim&lt;br /&gt;E disse: faz algum desejo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, o amor não é de brincadeira.&lt;br /&gt;É, o amor não é para o senhor&lt;br /&gt;Do Bonfim, me guarda, por favor,&lt;br /&gt;De mim, me guarda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que amor é raro de existir,&lt;br /&gt;Tudo que te peço é mais cuidado.&lt;br /&gt;Pra não haver mais entre&lt;br /&gt;Teus futuros namorados&lt;br /&gt;Um que ande assim perdido igual a mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1418054823411485540?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1418054823411485540/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1418054823411485540' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1418054823411485540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1418054823411485540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/03/perdao-pela-demora.html' title='Perdão pela demora'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6759167910315080413</id><published>2009-03-07T11:16:00.000-08:00</published><updated>2009-04-13T03:53:40.071-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Duas espécies?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SbLNSIDl26I/AAAAAAAAAVg/UeGXNYN6scs/s1600-h/08121217.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SbLNSIDl26I/AAAAAAAAAVg/UeGXNYN6scs/s320/08121217.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310532621907123106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao ler uma excelente edição levada a cabo pela Azouge, &lt;a href="http://www.azougue.com.br/produto/62/"&gt;"Maio 68"&lt;/a&gt;, que reúne entrevistas e conversas entre expoentes mundiais dos movimentos contestativos de 68, encontro a seguinte assertiva de Timothy Leary, um dos precursores da contracultura: "Assim como há muitos tipos de primata: babuínos e chimpanzés e por aí vai. Em alguns milhares de anos a gente vai olhar pra trás e ver isto que - daquilo que a gente chama homem - talvez haja duas ou mais espécies se desenvolvendo. Sem dúvida que uma espécie, que poderia e provavelmente vai se desenvolver, é um formigueiro, funciona como uma colméia, com rainhas - ou reis (risos) - e tudo vai ser televisão, e claro, nesta sociedade a sexualidade vai se tornar muito promíscua e quase impessoal. Porque, num formigueiro, a coisa sempre se apresenta dessa forma. Mas você vai ter outra espécie que inevitavelmente vai sobreviver, e este vai ser o povo tribal, que não vai ter que se preocupar com fazer, porque, quando você cai fora, então a brincadeira de verdade começa". (p.163)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvo as sombras nada irelevantes de eugenia e calvinismo que pairam sobre esta colocação, até que ponto não se pode notar certa verdade na fala de Leary? Não obviamente distinção de raça, e não, provavelmente (?), distinção prévia, espiritual, mas uma distinção formada pela educação cada vez mais primorosa de um escol cada vez menor de pessoas. Não compactuo com o preconceito invertido contra as pessoas que nasceram com mais condições do que outros - e por isso são educadas de maneira mais cuidadosa (embora frequentemente se imbecilizem ao longo do processo) -, mas precisamos pensar com urgência na constatação que determinado graus de abstração já estão simplesmente inacessíveis à maioria dos homens. É real que se tem agravado a diferença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje fica a bandeira, não Bandeira, nem mesmo Guto, menor, perdoem-me. Braços e abraços a todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6759167910315080413?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6759167910315080413/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6759167910315080413' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6759167910315080413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6759167910315080413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/03/duas-especies.html' title='Duas espécies?'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SbLNSIDl26I/AAAAAAAAAVg/UeGXNYN6scs/s72-c/08121217.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1807599281050702756</id><published>2009-03-03T16:02:00.000-08:00</published><updated>2009-04-13T03:54:00.535-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Muletas</title><content type='html'>Já postei antes estes dois poemas e - sem querer aqui me apoiar nas muletas necessárias a quem faz blog de poesia, os poemas elogiados - reapresento-os com as modificações recentes para um concurso de poemas que vou participar (Guemanisse, aos que se interessarem, só procurar no Google que é bem fácil de achar). Claro que são incontáveis as ressalvas contra a iniciativa, mas me pergunto se não é justamente de homens que sucumbiram a estas ressalvas a culpa por se erigirem hoje, os concursos de poema, em estruturas tão frágeis, de gosto duvidoso, percursos obscuros etc. Também já fui premiado, o que torna estranho abominá-los agora hipocritamente. Ademais, sempre me deparo em alguma colêtânea com um ou outro poema inspirado. Não é muito, mas até o menos matemático dos leitores concordaria comigo que melhor um bom poema do que nenhum! Versos de algibeira a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;quando as luzes se acendem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a noite traz a luz para fora das casas&lt;br /&gt;                            ascende-as&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os homens que à primeira luz&lt;br /&gt;saíram&lt;br /&gt;                  chegam apagados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as luzes que a noite acende&lt;br /&gt;                                                          fora das casas&lt;br /&gt;despedaçam-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pálpebras se contraem&lt;br /&gt;no espaço secreto que sonhem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quanto mais os cenhos apertados&lt;br /&gt;desfiguram-se&lt;br /&gt;da cilha natureza do trabalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais a noite segue retomando&lt;br /&gt;o espaço à corrente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de súbito e no máximo contrato&lt;br /&gt;os elos se rompem&lt;br /&gt;os braços dos abraços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e assim que não se reconhecem&lt;br /&gt;mais reconciliados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as luzes apagam de novo&lt;br /&gt;             a noite fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;os cortejos de outono&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às primeiras sombras de outono&lt;br /&gt;os pássaros são folhas confundidos&lt;br /&gt;que se afastem os homens&lt;br /&gt;que são grandes&lt;br /&gt;do baile nos paralelepípedos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só as aves mais frágeis folificam&lt;br /&gt;pelas asas inaptas para o altivo&lt;br /&gt;que se afastem mulheres&lt;br /&gt;seus vestidos&lt;br /&gt;cuja borda lhes fere e abafa o trino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelos dias que houver até o início&lt;br /&gt;do invisível movimento dos pistilos&lt;br /&gt;que se afastem os braços&lt;br /&gt;dos meninos&lt;br /&gt;da penugem eriçada do arre! pio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sol corre imóvel ao seu estio&lt;br /&gt;o corpo ao meio-fio a dor cipreste&lt;br /&gt;que se afastem as folhas&lt;br /&gt;pelos bicos&lt;br /&gt;e aos silvos do inverno se aquietem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1807599281050702756?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1807599281050702756/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1807599281050702756' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1807599281050702756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1807599281050702756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/03/muletas.html' title='Muletas'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-325489394563611281</id><published>2009-03-01T14:53:00.000-08:00</published><updated>2009-04-13T03:54:21.704-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='canção'/><title type='text'>Outra das férias</title><content type='html'>Aproveito este começo de semana para postar outra canção das férias... Não das férias, propriamente, porque a parceriei antes e só gravamos em fevereiro. Também não canção, como normalmente se dá, mas feita experimentando uma dicção própria para a letra, a saber um bom e velho papo de bêbado. Provavelmente falhei na tentativa de traduzir o melancólico e o cômico da situação, mas, sobretudo, adorei fazer a letra e gravá-la. Abaixo transcrevo a letra e quem quiser ouvir o som pode clicar no link "Guto Leite" (acima, do lado direito). Outras canções, já com o trabalho da banda, no link "Abracabrália".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É o coração&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lucas Bohn &amp; Guto Leite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom ver você por aqui,&lt;br /&gt;É que faz tanto tempo!&lt;br /&gt;Eu queria saber&lt;br /&gt;Como vai se virando?&lt;br /&gt;Como vai resistindo ao pó?&lt;br /&gt;Como vamos vivendo?&lt;br /&gt;Como vamos vivendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senta, to pronto pra ouvir&lt;br /&gt;Como os anos vieram...&lt;br /&gt;Que firmeza na voz!&lt;br /&gt;Que olhar decidido!&lt;br /&gt;Como vai resistindo ao pó?&lt;br /&gt;Como vamos vivendo?&lt;br /&gt;Como vai resistindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei&lt;br /&gt;A razão para continuar,&lt;br /&gt;Quem me deixa pedir nessa mesa de bar,&lt;br /&gt;É o coração.&lt;br /&gt;Quem me deixa pedir nessa mesa de bar,&lt;br /&gt;É o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei,&lt;br /&gt;Até quando podemos ficar,&lt;br /&gt;Quem me deixa sorrir nessa mesa de bar,&lt;br /&gt;É o coração.&lt;br /&gt;Quem me deixa sorrir nessa mesa de bar,&lt;br /&gt;É o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desce mais uma pra mim!&lt;br /&gt;Conta mais, to te ouvindo...&lt;br /&gt;Já casou? Vai casar?&lt;br /&gt;Tem amantes? Tem filhos?&lt;br /&gt;Como vai resistindo ao pó?&lt;br /&gt;Como vamos seguindo?&lt;br /&gt;Como vamos seguindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma, ainda é cedo pra ir...&lt;br /&gt;Pra amanhã, falta tempo!&lt;br /&gt;Mas depois nos falamos,&lt;br /&gt;Só depois nos ouvimos.&lt;br /&gt;Como vai resistindo ao pó?&lt;br /&gt;Até mais, meu amigo.&lt;br /&gt;Vai em paz, meu amigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei&lt;br /&gt;A razão para continuar,&lt;br /&gt;Quem me deixa sorrir nessa mesa de bar,&lt;br /&gt;É o coração.&lt;br /&gt;Quem me dera sorrir nessa mesa de bar,&lt;br /&gt;É o coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-325489394563611281?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/325489394563611281/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=325489394563611281' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/325489394563611281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/325489394563611281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/03/outra-das-ferias.html' title='Outra das férias'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-7869546270099011591</id><published>2009-02-26T03:22:00.000-08:00</published><updated>2009-04-13T03:54:43.546-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Cuidado de taxidermista</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SaZ8ldUCFkI/AAAAAAAAAUw/NfpfNtIJie0/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SaZ8ldUCFkI/AAAAAAAAAUw/NfpfNtIJie0/s320/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307066193868363330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ressalva da forma diferente da original (o seguno verso aqui é na verdade ainda primeiro verso), posto este poema das "férias". Muita arte, em versos e dias, a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o empalhador e a borboleta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são quatro semi-círculos coloridos em torno de uma pequena haste estreita e fria&lt;br /&gt;ambos empalhados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela&lt;br /&gt;            pela química&lt;br /&gt;naturalmente silenciosa&lt;br /&gt;vê-se na resina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele&lt;br /&gt;                     pela memória parti&lt;br /&gt;da que foge&lt;br /&gt;como se estivesse viva&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-7869546270099011591?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/7869546270099011591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=7869546270099011591' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7869546270099011591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7869546270099011591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/02/cuidado-de-taxidermista.html' title='Cuidado de taxidermista'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SaZ8ldUCFkI/AAAAAAAAAUw/NfpfNtIJie0/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-3911822830166708876</id><published>2009-02-25T06:00:00.000-08:00</published><updated>2009-04-13T03:55:15.027-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>A volta ao trabalho</title><content type='html'>Finalmente estou de volta a Porto Alegre, aos estudos diários e aos diálogos blogueiros! Pensei em postar de cara um dos poemas das "férias" ou novamente algumas das canções, mas cada coisa a seu tempo, eu acho. É possível que entre dois espaços haja necessariamente uma zona de intersecção que denominamos limite ou, se espraiada, limiar. Pode ser também que não haja tal intervalo e seja simplesmente nossa tendência simplificadora impondo um modelo cogniscivo confortável ao real. Pouco importa. Como tudo neste mundo, vale nos momentos em que nos é útil. Nesta postagem limite, ou limiar, deixo o link para um vídeo de um trecho festivo da última apresentação da Abra e um convite aos que puderem para compartilharem conosco a festa das próximas vezes. Abraço e arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=uWiILaVbCsA"&gt;LINK&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-3911822830166708876?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/3911822830166708876/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=3911822830166708876' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3911822830166708876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3911822830166708876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/02/volta-ao-trabalho.html' title='A volta ao trabalho'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-991551138298043736</id><published>2009-02-08T12:31:00.000-08:00</published><updated>2009-04-13T03:55:36.770-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='canção'/><title type='text'>Vazio</title><content type='html'>Vinte dias depois, aqui de novo. Após muitos ensaios e o show de estréia em Campinas, que foi extraordinário, consegui um tempinho pra postar novamente alguma coisa. Seguirá dúbio este texto, então, até o fim. Dúbio porque dormi sob elogios quanto à minha voz, à performance da banda, à presença de palco, às composições (e nesta casa realmente mora minha insegurança). Dúbio porque segue um vazio estranho de não ter âncora que me amarre o casco. É claro que seria bom ser realmente compositor, mas qual o valor disso nos tempos funerários da canção? Desenvolver uma pesquisa acadêmica relevante também é bonito, mas a academia, no frigir dos ovos, não seria, salvo preciosas exceções, âmbito do circunlóquio? Existe alguma razão de ser fora da arte que não sou? Deixo então a letra de um samba, que diz pouco, baixo, lento, como uma tarde de domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Perdão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você me pediu perdão,&lt;br /&gt;Tudo pareceu não ter mais vida.&lt;br /&gt;Errei nos bares a ganhar identidades,&lt;br /&gt;fui poeta, louco, suicida,&lt;br /&gt;fui bufão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo no meu pulso um suvenir,&lt;br /&gt;uma cicatriz do teu legado,&lt;br /&gt;uma lembrança que você comprou&lt;br /&gt;na escadaria do Bonfim e disse:&lt;br /&gt;"faz algum desejo"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, o amor não é de brincadeira.&lt;br /&gt;É, o amor não é para o senhor&lt;br /&gt;do Bonfim. Me guarda, por favor,&lt;br /&gt;de mim. Me guarda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que amor é raro de existir.&lt;br /&gt;Tudo o que te peço é mais cuidado,&lt;br /&gt;pra não haver mais entre&lt;br /&gt;os teus futuros namorados&lt;br /&gt;um que ande assim perdido&lt;br /&gt;igual a mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-991551138298043736?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/991551138298043736/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=991551138298043736' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/991551138298043736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/991551138298043736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/02/vazio.html' title='Vazio'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-8355048172042239520</id><published>2009-01-20T04:52:00.000-08:00</published><updated>2009-04-13T03:56:35.923-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Uma brincadeirinha vergonhosa</title><content type='html'>De vez em quando, como uma brincadeira, até então, própria, escrevo algumas coisas que se encaixam nos furos que o discurso deixa para nos desentendermos... Sim, nada mais, nada menos, do que uma espécie de onanismo lingüístico, destes que se põe o fim e ri-se sozinho (nada mais triste do que alguém à caça de divertimentos, não?). Embora esteja escorado em camaradas como Borges, Machado e Kafka, entre tantos e melhores outros, peço que me perdoem por compartilhar com vocês esta prática tão vergonhosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;trick question&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perguntado a respeito de qual é de fato o destino das gentes, o tolo respondeu, salvo as milhares de nuances, todas as almas do mundo se dividem em dois grupos bem delimitados, os imediatos e os profiláticos, os primeiros acreditam poder saciar sua incompletude atendendo prontamente a qualquer anseio que lhes dite o corpo ou o espírito, os últimos, diferentemente, acreditam que, negando estes mesmos anseios que lhes surgem à mente, ou à mente do corpo, favorecem a chance de um dia tornarem-se plenos, aqueles, após vidas sucessivas que consomem fazendo o mesmo, encontram, por fim, o inferno, estes, após, simétricos, consumirem também seu tempo entre nascimentos e óbitos, encontram o céu, assim se define o destino das gentes do antes ao depois, estupefatos com a revelação, absolutamente humanos, os inquisidores hesitaram, tolo, o senhor está certo do que dizes, é claro, respondeu, se não, tolo eu não seria,  é isso, exatamente isso, ou seu contrário&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-8355048172042239520?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/8355048172042239520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=8355048172042239520' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8355048172042239520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/8355048172042239520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/01/uma-brincadeirinha-vergonhosa.html' title='Uma brincadeirinha vergonhosa'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5354291676566021680</id><published>2009-01-18T04:31:00.000-08:00</published><updated>2009-04-13T03:57:01.582-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SXMitwQICYI/AAAAAAAAAUg/ZCLvWkt6GpI/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 111px; height: 114px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SXMitwQICYI/AAAAAAAAAUg/ZCLvWkt6GpI/s200/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5292612156532459906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz aniversário nesta semana e, em homenagem avessa, posto um poema do último livro em tom de elegia! Agradeço aos leitores de sempre pelo carinho e pelo tempo que "investem" em minha poesia. Trabalho beneditinamente para acreditar mais que sou um escritor necessári... Muita arte, sobretudos e Cartolas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando não há aniversário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em dias de tristeza&lt;br /&gt;não se faz aniversário&lt;br /&gt;as velas queimam cerejas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tempo áspero trapo&lt;br /&gt;arrasta no espaço buracos&lt;br /&gt;miasmas lábios do avesso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;destino enviesado&lt;br /&gt;range demora e se chega&lt;br /&gt;não há quem fomente o azo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;batendo palmas&lt;br /&gt;há o enfado do atraso&lt;br /&gt;que não é seqüência nem pausa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é calma nem pressa&lt;br /&gt;um sopro do desabafo&lt;br /&gt;que infesta se as velas vazam&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5354291676566021680?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5354291676566021680/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5354291676566021680' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5354291676566021680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5354291676566021680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/01/aniversrio.html' title='Aniversário'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SXMitwQICYI/AAAAAAAAAUg/ZCLvWkt6GpI/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1423797561710284204</id><published>2009-01-15T02:20:00.000-08:00</published><updated>2009-04-16T03:59:56.513-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Depois do pito</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SW8Q1i9_qBI/AAAAAAAAAUU/f-RKNaXtMdY/s1600-h/BMG-Carro_de_boi.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SW8Q1i9_qBI/AAAAAAAAAUU/f-RKNaXtMdY/s200/BMG-Carro_de_boi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291466599289563154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como na segunda, levei um pito da Béa - por ter perdido o faro -, posto hoje, enfim, versos de que realmente gosto, apesar da usual estranheza que causam nos outros. Escolhas, escolhas. Versão são acima de tudo escolhas, sua metonímia e seu microcosmo. Recentemente tirado do barro, fica o meu carro de boi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;carro de boi&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no princípio era o boi&lt;br /&gt;puxando a carroça&lt;br /&gt;viu o boi que era bom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois&lt;br /&gt;o homem do nada&lt;br /&gt;para subir-lhe às costas&lt;br /&gt;ainda bom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;séculos se multiplicando&lt;br /&gt;sobre a terra&lt;br /&gt;o boi&lt;br /&gt;o homem&lt;br /&gt;sobre a carroça&lt;br /&gt;cada um com sua costela&lt;br /&gt;(tecnicamente bisteca para o boi)&lt;br /&gt;povoaram todas as estradas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;visto que a piedade nasce&lt;br /&gt;assim que morre a esperança&lt;br /&gt;quis um bom homem trocar com a montaria&lt;br /&gt;e os outros bons o imitaram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje&lt;br /&gt;quando os bois que restavam no arreio&lt;br /&gt;subiram à carroça&lt;br /&gt;só os melhores homens passaram&lt;br /&gt;a arrastar o mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por que levá-los às costas&lt;br /&gt;se ruminam&lt;br /&gt;sem qualquer consciência do destino&lt;br /&gt;se perguntam&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1423797561710284204?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1423797561710284204/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1423797561710284204' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1423797561710284204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1423797561710284204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/01/depois-do-pito.html' title='Depois do pito'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SW8Q1i9_qBI/AAAAAAAAAUU/f-RKNaXtMdY/s72-c/BMG-Carro_de_boi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6476042067681198474</id><published>2009-01-14T02:07:00.000-08:00</published><updated>2009-04-16T04:00:46.402-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>A hipérbole do erro</title><content type='html'>Qualquer um que se preza deve tomar algum posicionamento diante dessa guerra, então o faço! Não o faço analisando os méritos, a história bíblica ou deste século das desavenças entre os dois povos. Nem mesmo aventarei quais as bases do conflito. Sou contra a morte de um homem por outro homem, quaisquer que sejam eles. As guerras são, na verdade, uma hipérbole do que eu não gosto! Fica meu poema-asco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;função&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para cada macho uma fêmea&lt;br /&gt;limpa e preparada&lt;br /&gt;para cada fêmea seu macho&lt;br /&gt;educado no esboço&lt;br /&gt;para cada soldado uma bala&lt;br /&gt;uma única bala&lt;br /&gt;para matar a saudade&lt;br /&gt;que todo corpo tem do nada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6476042067681198474?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6476042067681198474/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6476042067681198474' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6476042067681198474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6476042067681198474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/01/hiprbole-do-erro.html' title='A hipérbole do erro'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2298418172789035711</id><published>2009-01-12T07:29:00.000-08:00</published><updated>2009-04-16T04:01:22.924-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Feliz 2009!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SWtjoEWcfVI/AAAAAAAAAUM/WUv1fMwN8Yo/s1600-h/fogos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 166px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SWtjoEWcfVI/AAAAAAAAAUM/WUv1fMwN8Yo/s200/fogos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290431727290580306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte dias de férias e volto, finalmente (para mim), a postar neste espaço! Escolho algo polêmico para o retorno - nem mesmo gosto destes versos -, mas como as coisas normalmente são e mais nada (viva Caeiro!), fica este poema mesmo, com os votos de ótimo ano a todos e, sobretudo, muita poesia, canção e apaixonamentos pela vida! Logo logo, mais novidades...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o réveillon dos cães&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma vez por ano os cães&lt;br /&gt;a pagar pelos erros de seus pais&lt;br /&gt;compadecem no pêlo as maldições&lt;br /&gt;que embrutecem todos os mortais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o medo de não ser mais o que são&lt;br /&gt;de ir além do faro dos demais&lt;br /&gt;temem não mais guiar a atenção&lt;br /&gt;ao que acorda seus olhos animais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queimam no ar as cores como tais&lt;br /&gt;riscam o lembrar dos sonhos&lt;br /&gt;de brilho escondem e emudecem os ais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;debaixo da mesa o pavor consome&lt;br /&gt;num apito longo de altos decibéis&lt;br /&gt;os cães agonizam sua dor dos homens&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2298418172789035711?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2298418172789035711/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2298418172789035711' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2298418172789035711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2298418172789035711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2009/01/feliz-2009.html' title='Feliz 2009!'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SWtjoEWcfVI/AAAAAAAAAUM/WUv1fMwN8Yo/s72-c/fogos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5779652486086947728</id><published>2008-12-21T03:33:00.000-08:00</published><updated>2009-04-16T04:01:41.310-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Espaço a quem merece espaço</title><content type='html'>Como indicado por meu amigo e companheiro das letras, Heyk Pimenta, reproduzo aqui um texto do parceiro para que um maior número de pessoas se informe sobre o assunto, reflita, opine e reaja. Coisas graves devem ser tratada com gravidade! Muita arte a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto publicado no blog de Heyk Pimenta: &lt;a href="http://heykpimenta.blogspot.com"&gt;http://heykpimenta.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entender do que se trata a história leiam antes: &lt;a href="www.oglobo.com/especiais/chatosporoficio/"&gt;www.oglobo.com/especiais/chatosporoficio/&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto será lido por amigos, colunistas e jornalistas da grande mídia e alternativa, artistas, movimentadores. Alguns me conhecem um tanto. Meu nome é Heyk, sou poeta, editor assistente, universitário, casado, migrante. &lt;br /&gt;Ontem, quinta feira, dia 18 de dezembro de 2008, o jornal O Globo levou em caderno especial elaborado pelo programa de estágio do jornal a reportagem com o título: Chatos por ofício. Nela vendedores de cerveja na praia, agenciadores de empréstimo das praças, sambistas mambembes, chamadores de restaurante, artistas de rua, camelôs de ônibus foram postos homogeneizadamente como incômodo para a sociedade, os tais "chatos por ofício", como aponta o título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho particularmente me solidarizar com essas categorias profissionais (e que fique claro a legitimidade profissional de todas essas práticas) citadas ontem pelos estagiários d'O Globo. E venho principalmente colocar em questão e em xeque a finalidade e estrutura dessa reportagem, seus ideais de sociedade e seu teor descriminalizante, se não criminalizante, dos profissionais de que trataram. &lt;br /&gt;Apontando esses trabalhadores como tediantes, irritantes e por vezes mentirosos e quase sempre pedintes insistentes, o jornal se detém em tirar da sociedade o problema de um mercado de trabalho inflado e carniceiro para atribuir a esses trabalhadores (efeitos dessa lógica), a culpa por sua posição. A reportagem trata a questão como um problema moral (de índole), quando ele o é no mínimo econômico, e sim político, social, ideológico no caso a que irei me ater aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus primeiros poemas datam de 1995, e desde então me dedico mais ou menos à poesia, sempre tendo-a como estandarte e totem. E foi quando conheci um dos cidadãos de quem o caderno especial tratou que tive certeza e argumentos internos para ser também um poeta de rua. &lt;br /&gt;Falo de Léo Xisto, guitarrista e compositor da banda Na sala do sino, um dos que me mostraram que levar literatura de preço acessível a lugares públicos travava duas batalhas indispensáveis para nós: popularização da poesia e estar disposto a colocar em debate onde fosse a importância da arte, como militância e como sim motor de uma revolução lúdica - de uma mudança de paradigma através do prazer e jogo, da criação.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ao lado de Léo Xisto, estão outros, como Azulay (seu parceiro musical na banda e nos ônibus em que trabalham tocando músicas próprias e outras consagradas do repertório nacional), professor de bateria e percussionista do Cordão do bola preta; Guila Sarmento, exímio poeta de rua; Joannes Jesus, a cinco anos tocando violão pela cidade, compositor e músico - isso no contexto carioca e para ser muito breve, posto que só os poetas de rua na cidade passam dos vinte. Em São Paulo a poesia Maloqueirista - Caco Pontes, Berimba de Jesus, Pedro Tostes - dá o mesmo recado: literatura popular e debate aberto com quem passa por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses artistas, eu e muitos outros, para além de seu papel artístico-político cumpre suas demandas financeiras com essa atividade. Vendem seu trabalho e pagam suas contas. E esses mesmos artistas como representantes do gênero artista de rua, entraram na matéria de O Globo como inconvenientes, como pedintes, como desqualificados (a matéria refere-se ao repertório restrito dos músicos que citei, sendo que esses têm set list de duas horas de músicas autorais, como a própria repórter o viu num show da banda que acompanhou).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para além da visão de mundo que o jornal sustenta tão bem há tanto tempo (uma visão onde ou o pobre é um ser bom e desprovido de inteligência ou um criminoso), levanto ainda uma questão ética: a repórter que os entrevistou, entrevistou os músicos da banda Na sala do sino, os disse para fazer a reportagem que essa seria sobre movimento artístico, para alguns dias depois sem avisá-los do conteúdo que tomou o caderno especial, publicá-la com uma visão pejorativa da arte de rua, com uma defesa da lógica do conforto contra os que atrapalham a caminhada do cidadão pela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a reportagem termina bem e a isso dou os parabéns. No seu desfecho põe como oposição a esses profissionais e exemplo de conduta correta ninguém mais ninguém menos que Antonio Carlos Magalhães Neto, o respeitoso coronelzinho do DEM ou seria do Demo. Mostra o parlamentar como um homem que reclama quando se sente incomodado, mas não reclama em qualquer lugar, mas sim o faz no parlamento, que seria segundo o caderno o lugar certo para se esbravejar. Em suma: digo que o desfecho é bom e é mesmo ótimo, porque o fato de estarmos todos nós, os camelôs da arte ou da arte de se virar nessa terra de ninguém que é o Rio de Janeiro, em oposição a ACM Neto já é motivo para grande alegria.&lt;br /&gt;E novamente, O Globo deu show de conservadorismo, de ética duvidosa e acobertador dos verdadeiros problemas nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- &lt;br /&gt;Heyk Pimenta&lt;br /&gt;http://heykpimenta.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5779652486086947728?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5779652486086947728/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5779652486086947728' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5779652486086947728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5779652486086947728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/12/espao-quem-merece-espao.html' title='Espaço a quem merece espaço'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6338166456788650004</id><published>2008-12-18T12:35:00.000-08:00</published><updated>2009-04-16T04:02:07.532-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Versículos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SUq0QHIx8cI/AAAAAAAAAT0/PSdSkMZ5fUA/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 155px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SUq0QHIx8cI/AAAAAAAAAT0/PSdSkMZ5fUA/s200/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281231701932110274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a biblioteca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um livro termina onde começa&lt;br /&gt;outro&lt;br /&gt;todos&lt;br /&gt;onde começa a vida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6338166456788650004?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6338166456788650004/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6338166456788650004' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6338166456788650004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6338166456788650004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/12/versculos.html' title='Versículos'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SUq0QHIx8cI/AAAAAAAAAT0/PSdSkMZ5fUA/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-2987033094770098568</id><published>2008-12-15T15:34:00.001-08:00</published><updated>2009-04-18T10:42:45.796-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Inspirado nos outros</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SUbrK-NLOaI/AAAAAAAAATs/czJZKIlXN5A/s1600-h/doppelganger.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 179px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SUbrK-NLOaI/AAAAAAAAATs/czJZKIlXN5A/s200/doppelganger.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280166186867964322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Inspirado no blog dos amigos, abro a semana com um pequeno conto da época em que ainda os escrevia. Este é a tradução do sonho de uma amiga, confidenciado. Espero ter ressimbolizado a experiência e não simplesmente transposto a ambiência onírica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dopplegänger&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E tem aquela da atriz, revelação na época das novelas de rádio, hoje beldade balzaquiana, que de tempos em tempos sentava-se em frente ao espelho do último cômodo de sua casa de veraneio, retirava o cachecol e contava sua história à única testemunha que se dignava a ouvi-la. Após alguns dias de relato memorialista (a atriz ia se esquecendo ao longo da prosa), deixava-se atenuar lentamente e sucumbia para dar lugar à sua imagem. Esta, erguendo-se da cadeira, tomava o cachecol (&lt;em&gt;vanitas vanitatum et omnia vanita&lt;/em&gt;) e sentia-se renovada por um tempo, quanto tempo?, de posse da felicidade que há em ser a única vivente do universo, além de Deus, obviamente, a não ser criada &lt;em&gt;ex nihilo&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-2987033094770098568?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/2987033094770098568/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=2987033094770098568' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2987033094770098568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/2987033094770098568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/12/inspirado-no-blog-dos-amigos-abro.html' title='Inspirado nos outros'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SUbrK-NLOaI/AAAAAAAAATs/czJZKIlXN5A/s72-c/doppelganger.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1156824773352184073</id><published>2008-12-11T02:24:00.000-08:00</published><updated>2009-04-18T10:43:24.811-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>É ou não é meu?</title><content type='html'>O poema que segue nasceu de uma angústia que sempre tenho ao ver imagens antigas de pessoas. O ar de morte que as acompanha normalmente me deprime muito. Comecei a fazer o poema, a escolher as palavras, as imagens, então surgiu esse Cemitério da Glória para me tirar a paz. Realmente não me lembrava do lugar e tive que pesquisar na Internet para saber que é um grande cemitério no centro das terras da minha vida, perto do lugar onde morei por anos. Brinco: é meu ou não é meu este poema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o cemitério da glória&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o cinema são fotos piscadas&lt;br /&gt;rapidamente&lt;br /&gt;do toque da pálbebra&lt;br /&gt;na pálpebra adjacente&lt;br /&gt;ao desenlace&lt;br /&gt;há toda uma vida de escuro&lt;br /&gt;das fotos nunca tiradas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje é dia de memória no cineminha do centro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto os atores vivos ganham cores&lt;br /&gt;nas poltronas&lt;br /&gt;com imagens do passado&lt;br /&gt;bicolores&lt;br /&gt;choro a imensa fila&lt;br /&gt;de caixões metálicos&lt;br /&gt;que aos poucos encheu o cemitério da Glória&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1156824773352184073?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1156824773352184073/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1156824773352184073' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1156824773352184073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1156824773352184073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/12/ou-no-meu.html' title='É ou não é meu?'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-9148721229700598744</id><published>2008-12-07T12:15:00.000-08:00</published><updated>2009-04-18T10:44:04.369-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Boas Novas</title><content type='html'>Longe das Boas Novas bíblicas, as minhas são miúdas. Visto, contudo, que atuam num contexto mais particular, logo se ombreiam com aquelas. Meu primeiro filme (em parceria com um amigo) passou no Festival de Tiradentes, eu (com múltiplas parcerias) passei no mestrado em Literatura da UFRGS, também terminei (com outro amigo) minha primeira peça de teatro. Sou obviamente um dependente. Tudo sem estrelas temporãs ou visitas ilustres, mas como é bom para nos alimentar a alma por alguns dias! Segue um poema que, espero, sirva a todos de boas novas.&lt;br /&gt;p.s.: ainda lamento perder a forma original do poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;girassol&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é&lt;br /&gt;ontem foi dia da pior espécie&lt;br /&gt;começou lento&lt;br /&gt;                         como arrastar para longe&lt;br /&gt;o longo das horas de sol&lt;br /&gt;                     puxado pelo deus dos dias&lt;br /&gt;não se abriu para ser&lt;br /&gt;flor preguiçosa&lt;br /&gt;e a noite despertou suas mariposas&lt;br /&gt;                                                    já ao fim da tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas anti-horas do escuro&lt;br /&gt;tempo da memória&lt;br /&gt;a luz tímida aberta pelos olhos-pétalas&lt;br /&gt;                                               desdobrou o dia&lt;br /&gt;                 feito imenso&lt;br /&gt;sem cores vivas para sobrar adiante&lt;br /&gt;o sono natural deitou o amor no pêndulo&lt;br /&gt;por sorte&lt;br /&gt;depois amanhã será ontem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-9148721229700598744?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/9148721229700598744/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=9148721229700598744' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9148721229700598744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/9148721229700598744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/12/boas-novas.html' title='Boas Novas'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-4515424600953955302</id><published>2008-12-03T16:07:00.000-08:00</published><updated>2009-04-18T10:44:50.642-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Crise do Realismo?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/STchptC3JJI/AAAAAAAAAPQ/s7BQPzIVhKM/s1600-h/Self_espelho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 140px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/STchptC3JJI/AAAAAAAAAPQ/s7BQPzIVhKM/s200/Self_espelho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275722488837776530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma imagem bastante utilizada para estes tempos, sobre Literatura, fala de um espelho estilhaçado, só capaz de acessar o real - nunca em completude - pelo que refletem seus fragmentos. Não sei, sei pouco. Respondo num poema de algum tempo adiantes, a única maneira que me cabe responder. Cabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;mirar-se&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há um espelho colocado fora&lt;br /&gt;que anda comigo&lt;br /&gt;nele me vejo continuamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes reflete o desconhecido&lt;br /&gt;mínimo e profundo&lt;br /&gt;que reconheço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas normalmente em seu corpo&lt;br /&gt;deita aquilo que costumo&lt;br /&gt;ter por mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a aparência que nos dias&lt;br /&gt;aprendi a enganar-me&lt;br /&gt;os sonhos laminados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a inevitável grandeza&lt;br /&gt;que me espera&lt;br /&gt;e foge do acaso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o espelho por outro lado&lt;br /&gt;me vê com as mesmas ressalvas&lt;br /&gt;pergunta-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o quanto de mim&lt;br /&gt;ele pode dizer de si mesmo&lt;br /&gt;qual a parte da pele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em que ele não se reconhece&lt;br /&gt;a minha face o reflete&lt;br /&gt;escreve o mesmo poema&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-4515424600953955302?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/4515424600953955302/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=4515424600953955302' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4515424600953955302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4515424600953955302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/12/crise-do-realismo.html' title='Crise do Realismo?'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/STchptC3JJI/AAAAAAAAAPQ/s7BQPzIVhKM/s72-c/Self_espelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-7026354906732315520</id><published>2008-11-29T12:19:00.000-08:00</published><updated>2009-04-23T04:07:59.233-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Poema Dia</title><content type='html'>Nos últimos dias, estive às voltas com o fechamento da minha primeira peça e de mais um roteirinho de cinema. Posto, "infelizmente", por falta crônica, um poema das antigas. Ah, soneto!, me dirão com raiva os puristas ao contrário, os conservadores de vanguarda. Defendo-me com o fato de neles ter deitado alguns anos de prática de ritmo, rima, som e peso da palavras. Não recomendo aos pequenos nem publico (salvo por motivo de força menor), mas cá no espírito carrego um quarto a Camões, Shakespeare, Baudelaire, Bilac e outros destes.&lt;br /&gt;Preciso, antes do abraço, chamar a atenção para um novo projeto. O &lt;a href="http://poemadia.blogspot.com/"&gt;Poema Dia&lt;/a&gt; é um blog em que cada poeta adota um dia em que se responsabiliza por postar um poema. Há muita gente boa no projeto, poetas interessantíssimos! Por mim vale pouco, mas o talento dos demais justifica em muito a visita e as minhas falhas! Começa nesta segunda, queridos, se possível, acompanhem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Casamata&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nuvens de tinta sombreiam a noite,&lt;br /&gt;O vento operário me percorre a espinha,&lt;br /&gt;O mesmo que trouxe o apagar das cores,&lt;br /&gt;Dos temores metálicos me arrepia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ar carregado, é tensão e açoite,&lt;br /&gt;No corpo a batalha já tombou suas vítimas,&lt;br /&gt;O estrondo da alma debandou amores,&lt;br /&gt;Lá fora é o arauto do que se avizinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os raios, o cheiro de chuva e a ventania,&lt;br /&gt;Embora prisioneiros do espaço externo,&lt;br /&gt;Cativam, nos meus nervos, covardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os primeiros a sentir o inferno,&lt;br /&gt;O chão treme os pés da companhia&lt;br /&gt;E antes da explosão de cinzas, me consterno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-7026354906732315520?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/7026354906732315520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=7026354906732315520' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7026354906732315520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7026354906732315520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/11/poema-dia.html' title='Poema Dia'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-3836719689820257864</id><published>2008-11-25T14:45:00.000-08:00</published><updated>2009-04-23T04:09:12.265-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='canção'/><title type='text'>Como foi em Sampa</title><content type='html'>Salve, caro Victor. Em resposta à tua pergunta de como foi em São Paulo, posto a única coisa que consegui fazer por lá. Ajudei meu amigo na edição do filme de setembro, revi correndo outros amigos, passei pela Unicamp, fui esporadicamente magoado e esporadicamente magoei nesses trajetos. Ou seja, o costumeiro... Pra ouvir o som, basta clicar no nome, linkado à minha página no myspace. Crítica ferrenhas igualmente bem-vindas quanto às canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/gutoleite"&gt;Em nome do pai&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Guto Leite &amp; Thiago Lourenço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde será que está?&lt;br /&gt;Será que alguém viu?&lt;br /&gt;Quem pode me contar&lt;br /&gt;Saiu.&lt;br /&gt;Se foi sem me avisar,&lt;br /&gt;Não se despediu.&lt;br /&gt;Por que não quer voltar?&lt;br /&gt;Sumiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às seis da manhã,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Depois de brincar,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Correr, pedalar,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Eu vou para achar,&lt;br /&gt;Meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrir amanhã,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Se Deus me ajudar,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Chorar, abraçar,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Chorar pra abraçar meu pai.&lt;br /&gt;Chorar pra abraçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ver é aquele ali.&lt;br /&gt;Parece comigo.&lt;br /&gt;O mesmo ar, feliz&lt;br /&gt;Menino.&lt;br /&gt;E aí? Como é que vai?&lt;br /&gt;De onde que é?&lt;br /&gt;Pensei que era meu pai,&lt;br /&gt;Não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrir da manhã,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Se Deus me ajudar,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Chorar, pedalar,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Eu vou para achar meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às seis amanhã,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Brincar de depois,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Correr, abraçar,&lt;br /&gt;Eu vou.&lt;br /&gt;Correr pra abraçar meu pai.&lt;br /&gt;Correr pra abraçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-3836719689820257864?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/3836719689820257864/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=3836719689820257864' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3836719689820257864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/3836719689820257864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/11/como-foi-em-sampa.html' title='Como foi em Sampa'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6565226682508714915</id><published>2008-11-23T07:05:00.000-08:00</published><updated>2009-04-23T04:09:52.903-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>O filho apagado</title><content type='html'>Escrever como profissão. Tomar uma ou duas horas diariamente para a prática, mais o tempo em que inesperadamente se intui um poema, um verso, uma imagem, sempre fora de hora, ou na hora exata que lhes pertence. Enfim, é algo que ainda não consigo, mas já o faço, se não em viagem, em dois ou três dias na semana. Quando, e este é o ponto da postagem, o número de poesias se torna um pouco mais robusto, surge o fenômeno peculiar do poema mais ou menos. Trata-se de poemas que nem de longe trazem o poder sintético ou imagético de seus mais bem acabados comparsas, mas que mesmo assim carregam alguma coisa que seduz seu autor a ponto dele achar que deve publicá-lo (no sentido estrito do termo), mesmo sabendo que o considerarão pior por causa deles. Para deixar mais ácido, comparo o quadro aos pais de cinco filhos, dentre os quais um (ou dois, ou três, ou quatro) se mostra bem mais lento que os outros. Tá, vai lá, tem seus defeitos. Tudo bem, tudo bem, é apático e desinteressante, mas é deles, dos pais, no mais razoável dos amores. Alfinetando pro outro lado, costumo dizer isso dos poetas brasileiros. Todos? Talvez. Eu pelo menos. Defeituosos, mas nossos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;nota de falecimento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelo amor especulativo&lt;br /&gt;que os homens mantêm entre si&lt;br /&gt;pelo dinheiro&lt;br /&gt;matou-se esta manhã&lt;br /&gt;com um tiro no peito&lt;br /&gt;um operador da bolsa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixa viúva filhos&lt;br /&gt;uma mancha de seis gramas&lt;br /&gt;de chumbo&lt;br /&gt;na camisa do amigo&lt;br /&gt;além das onze prestações restantes&lt;br /&gt;de uma arma 38&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6565226682508714915?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6565226682508714915/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6565226682508714915' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6565226682508714915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6565226682508714915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/11/o-filho-apagado.html' title='O filho apagado'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-1026396868357320784</id><published>2008-11-12T04:06:00.000-08:00</published><updated>2009-04-23T04:11:00.942-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>A alegria de um poema</title><content type='html'>O que significa realmente a existência de um poema na língua de seu povo? Adorno, do lado de lá do muro teórico, aposta na ruptura do Eu, que se põe antitético à realidade, embora se universalize ao soar linguisticamente. Levando um passo adiante o seu raciocínio - trepando no muro -, o poeta seria aquele que vê o que qualquer um poderia ter visto, mas não viu, por isso é individual e social ao mesmo tempo. Elliot, do lado de cá, brada o dever do poeta com sua língua e com a sensibilidade de seu povo. Assim, a poesia carregaria este estandarte do prazer responsável, alargando e requintando a tessitura semântica da nação. Eu, do lugar nenhum, creio na alegria do poema, na sua capacidade oasística de abrir um largo sorriso no discurso, de olhar o bom senso com o chapéu de palha abaixado sobre os olhos, de ser um tapa ou um sopro surpreendente no sentido inerte, que, por estar inerte há muito tempo, já não espera mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;cinamomos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas árvores longilíneas&lt;br /&gt;− uma tia morta de câncer −&lt;br /&gt;há a vida da poesia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não nos mangues nos pântanos&lt;br /&gt;nas árvores frutíferas&lt;br /&gt;nas bocas dos meninos cheias de ovos de moscas&lt;br /&gt;não nas cidades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parangolando as folhas da impossibilidade&lt;br /&gt;pende o viço que salta&lt;br /&gt;por saber que morre logo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os pássaros mais bonitos se aninham é no espinhaço&lt;br /&gt;os pássaros vivos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-1026396868357320784?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/1026396868357320784/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=1026396868357320784' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1026396868357320784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/1026396868357320784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/11/alegria-de-um-poema.html' title='A alegria de um poema'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-4004621211068856912</id><published>2008-11-09T13:26:00.000-08:00</published><updated>2009-04-23T04:12:13.627-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>O isso</title><content type='html'>Interpelado uma vez pela Flam, "não venha me dizer que é prosa... é poema, é poema", senti um déja vu, que salvo o sonho de Brás, está entre as retrospectivas mais imagéticas que se tem notícia. Há muito me falam, todos com razão, que meus contos são mais poemas do que contos. Respondo, sem discordar, que depende em quem se escora. Se a epígrafe é Baudelaire, poema, se Trevisan, prosa. A síntese vem talvez de algo que me disse o Alfredo Aquino sobre a pluralidade de sua arte: a matéria é a mesma, não há dificuldade. Bom, está dito, segue o isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o homem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Parecia uma velha comum. Era uma velha comum, no ponto em que todas as velhas são comuns e únicas. Do primeiro, supomos sua saia de pano à boca das canelas, sua blusa de flores esfolheadas, suas mãos indecisas entre ficar e ir. Ver é a forma mais tênue de supor. A maneira com que se movimenta toda noite em frente a uma casa célebre do centro da cidade e um poodle amarronzado que traz nos braços eram traços que ela não compartilhava. Como nunca se mexe, supomos que a cadela se chama Inês. Gerações têm contado aos jovens, mesmo se não a viram realmente, suas aparições e seus perigos. Há quanto tempo caminha como se a ninar a morte? Por que não a afugentam ou recolhem ou entendem? Ela, sabiamente alheia ao material do mundo, segue sua existência perfeita de ser a imagem do conto à imagem do conto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-4004621211068856912?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/4004621211068856912/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=4004621211068856912' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4004621211068856912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4004621211068856912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/11/o-isso.html' title='O isso'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-4185940532668905397</id><published>2008-11-06T03:34:00.000-08:00</published><updated>2009-04-30T17:24:11.938-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Poemas bêbados</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SRLscFVg7NI/AAAAAAAAAOg/U8doGe4mhJI/s1600-h/Adilia_Lopes.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 325px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SRLscFVg7NI/AAAAAAAAAOg/U8doGe4mhJI/s400/Adilia_Lopes.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265530881562438866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi comum no começo do último século, na poesia, a existência de poemas curtos, visando densidade, muito subjetivos e que buscavam um corte agudo no real. A esses poemas chamaram "impressionistas". Isso eu soube há pouco, no meu conflituoso e duradouro namoro com a teoria. Já conhecia Leminsky, claro, mas daí fui atrás de gente viva e achei Adília Lopes, uma poetisa portuguesa que ainda pratica esse tipo de verso e com uma qualidade primorosa. Ano passado, ainda ignorante das camisas-de-força teóricas, apresentei alguns exemplos meus destes poemas a alguns amigos, também poetas, que surpreendentemente precisaram ser convencidos de que se tratava de poema e não de trocadilhos, ou "nadas", ou um dos meus tão vergonhosa e frequentemente comuns sarcamos com amor. Estamos neste caso levando nossas práticas um passo adiante ou, mais do que atrasados, revivemos uma poética coadjuvante do século passado? Apesar das minhas atuais preocupações hepáticas - resultado de certo sarcasmo divino comigo -,comparo estes poemas, e por que não dizer os poetas que os fazem? ou todos, a bêbados que avançam, retrocedem, andam de lado, absolutamente bêbados daquilo que são obrigados a sorver diariamente de real.&lt;br /&gt;(os poemas que seguem figuram no meu próximo livro, ainda em construção)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;modernidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sá-carneiro suicidou-se&lt;br /&gt;por não-se-opor&lt;br /&gt;pessoa também teria se matado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;tic tac&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um calmante por favor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;negócio da China&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os manuais masculinos estão em chinês&lt;br /&gt;as chinesas não têm manuais chineses&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;trava-língua&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os matos pastam as vacas&lt;br /&gt;no inevitável das carcaças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o que é natural a um corpo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as horas são fundas&lt;br /&gt;o tempo raso&lt;br /&gt;a vida é um corpo que emerge&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-4185940532668905397?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/4185940532668905397/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=4185940532668905397' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4185940532668905397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4185940532668905397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/11/poemas-bbados.html' title='Poemas bêbados'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SRLscFVg7NI/AAAAAAAAAOg/U8doGe4mhJI/s72-c/Adilia_Lopes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6423873634172465944</id><published>2008-11-02T12:28:00.000-08:00</published><updated>2009-04-30T17:24:39.969-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='canção'/><title type='text'>Agrado?</title><content type='html'>Há uns tempos, eu havia postado a letra dessa mesma canção aqui, à época com outro nome, e rolaram várias boas críticas, sugestões e afins, que me ajudaram muito a refinar, aparar etc. Recentemente, algumas das gratas presenças deste espaço me emocionaram muito ao falarem sobre minhas canções, que certamente é arte que mais me consome, no sentido de eu ter muita facilidade pra fazer e grande, mas restritissimamente pessoal, reconhecimento. Por tudo isso, mais uma vez, corro o risco de gravar à capela e com um microfone bem ruim, pra trazer a melodia &lt;a href="http://www.myspace.com/gutoleite"&gt;dessa canção&lt;/a&gt;. Em março, gravo com a &lt;a href="http://www.myspace.com/abracabralia"&gt;Abracabrália&lt;/a&gt; com mais cuidados e salamaleques necessários. Obrigado Tággidi, Valéria, Issac e Ique pela co-autoria destes versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aves &amp; Insetos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvidos pirilampos quando&lt;br /&gt;Ouvem, piscam; quando&lt;br /&gt;Voam, saltam; quando&lt;br /&gt;Brincam, riscam os céus.&lt;br /&gt;Nos úmidos desertos sonham&lt;br /&gt;Luzir seu brilho esparso como&lt;br /&gt;Um meio de voar mais alto&lt;br /&gt;Fugindo dos insetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ave, andorinha, linda linha&lt;br /&gt;Branca no ar azul,&lt;br /&gt;Bem acima dos pântanos,&lt;br /&gt;Além dos obstáculos.&lt;br /&gt;De vez em quando baixam e, por descuido,&lt;br /&gt;Mudam seu habitat,&lt;br /&gt;Engolem um pirilampo&lt;br /&gt;E piscam-piscam por dentro.&lt;br /&gt;Engolem um pirilampo&lt;br /&gt;E piscam-piscam por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.: e continuo achando que estou falando sobre arte nesta canção, rs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6423873634172465944?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6423873634172465944/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6423873634172465944' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6423873634172465944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6423873634172465944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/11/agrado.html' title='Agrado?'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-4528680516624066115</id><published>2008-10-29T16:53:00.000-07:00</published><updated>2009-04-30T17:25:18.888-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Da capo to coda</title><content type='html'>Notícia boa para os escritores, mas não notícia nova! A Petrobrás mantém um generoso programa de incentivo em que uma das categorias prevê o financiamento da escrita de um livro em prosa ou poesia, além de uma generosa ajuda à editora que se propor a publicá-lo. Poderia parecer algo suspeito, mas uma fonte inatacável me disse que é um trabalho muito sério e justíssimo em relação às escolhas. Portanto, aqueles que se animarem, e tiverem bons livros e projetos na gaveta, eis uma grande oportunidade para publicação (dentre os leitores habituais, sei que o Heyk e, talvez, a Béa já se prontifiquem). O prazo é dezembro, sigamos! Por hora, e por conta de uma semana de Seminário sobre o imortal Machado (ainda mais imortal nas celebrações infindáveis do centenário de sua morte), deixo o poema que abre e o poema que fecha minha próxima tentativa de multiplicar relevâncias. Conto com a crítica impecável que encontro sempre por aqui e que me anima e incentiva imensamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;primeiro as nuances depois a voz&lt;br /&gt;− uma chuva branda – divide os guarda-chuvas&lt;br /&gt;o corpo&lt;br /&gt;debruado&lt;br /&gt;perpetua em sua cesta a desembocar no futuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se há algo imutável&lt;br /&gt;no fim de todas as coisas&lt;br /&gt;este é o silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a morte dentro do lago&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um barco letárgico flutua no lago da noite&lt;br /&gt;nele foi plantado&lt;br /&gt;um corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo diz ser suicídio não assassinato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o número exagerado das pequenas tábuas suspensas&lt;br /&gt;a indiferença constante dos peixes e dos insetos&lt;br /&gt;o pó superficial que deita a casa de máquinas&lt;br /&gt;o verde conspurcado o mexerico das algas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nada é indício&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o vento amarelo traz sensações de incômodo&lt;br /&gt;quando dobra&lt;br /&gt;há um movimento suspeito no corpo&lt;br /&gt;do barco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-4528680516624066115?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/4528680516624066115/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=4528680516624066115' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4528680516624066115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/4528680516624066115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/10/da-capo-to-coda.html' title='Da capo to coda'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-5709517952184978506</id><published>2008-10-22T14:39:00.001-07:00</published><updated>2009-04-30T17:26:33.468-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Traduzir</title><content type='html'>Como alguns sabem, há oito meses mudei-me para Porto Alegre, para dar uma ajuda pra minha mãe num momento complicado. A pior parte deste processo, certamente, foi perder a chance de um amor e a companhia dos meus amigos. Se pensarmos bem, artistas de alma são meio atemporais, acidentalmente vivos e despertos, criando incessantemente à espera de que faça o máximo possível de sua arte antes de morrer ou se tornar célebre. Exageros à parte, a chance do amor, como todo amor entre homem e mulher (e variações), foi esfriando com o tempo e zut!, &lt;a href="http://b.radio.musica.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&amp;ref=Musica&amp;busca=acontece&amp;param1=homebusca&amp;q=acontece&amp;check=musica&amp;x=15&amp;y=12"&gt;acontece&lt;/a&gt;, como dizia o mestre Cartola. Dos meus amigos, entretanto, a falta se transformou numa pedra de praia, cercada pela areia, e da qual só sabemos ser antiga e irremovível. Passei meses com este tema rondando os meus versos, escapando com graça da minha poesia, ou melhor, comigo o rondando, escorando-me, dele desenhando com as pálbebras a linha azul distina do que vai haver. Semana passada, assim que me deitei, vieram exatamente estes versos que se seguem, única tradução que posso dar para amizade, ou pelo menos para a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a flor de gelo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;féretro é uma palavra com um cheiro frio&lt;br /&gt;nenhum dos meus amigos está morto&lt;br /&gt;quando os vejo sofro de saudades&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-5709517952184978506?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/5709517952184978506/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=5709517952184978506' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5709517952184978506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/5709517952184978506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/10/traduzir.html' title='Traduzir'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-7453253239202741411</id><published>2008-10-20T11:53:00.000-07:00</published><updated>2009-04-30T17:29:49.153-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Dedicatória</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SPzcZeBH3HI/AAAAAAAAANw/l0WJkyH8Okg/s1600-h/159409428_6759edf29b.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SPzcZeBH3HI/AAAAAAAAANw/l0WJkyH8Okg/s400/159409428_6759edf29b.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259320794974510194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dedico nossa arte aos geniais compositores mortos - Cartola, Noel, Tom, Chico, Gil e Caetano - que por testamento lembraram de nós em seus espólios. Dedico aos menos talentosos que hoje dizem o que é bom, que importam de suas viagens aquilo que a maior parte dos outros está gostando e impõem como modelo. Dedico ao nosso cinema, Spartacus das favelas, que erige suas imperfeições na ressalva de que o bem mais valioso do artista há de ser sua licença poética. Dedico ao nosso teatro, antecipadamente, que surgirá assim que julgarmos que basta o tempo de velarmos as décadas precedentes. Dedico à nossa dança, que dança? Dedico aos nossos poetas, todos pela cartilha de uma prosa bem feitinha que vem do interior de Minas e que, por esmero de senhor, arranjou-se linha a linha. Dedico nossa arte à ditadura, não àquela, horrenda, das mortes explícitas, mas a esta que ainda estica sua sombra de silêncios, permitindo que algumas opiniões sejam interditas, que aloja bastiões das guerrilhas nas presidências eméritas de clube e que deseducou tanto nosso povo - do berço esplêndido, artístico, de bom ouvido, pernas, intrépido e obstinado - que só faz arte popular hoje quem compõe rap ou novela. Dedico nossa arte àqueles que se enganam. Quando por fim e novamente tomarmos as passeatas como o grande entretenimento sabatino e juntos protestarmos Contra a Mediocridade da Nação - sem saber que tal cartaz é logicamente impossível -, embora, claro, os pobres levem as bandeiras e tudo o que for pesado, dedico nossa arte aos bem retaliados. Dedico também aos que se eximirem no ócio de suas casas, afinal é mesmo o tempo próprio para o sono. De tudo o que fizemos e que somos, e do qual sou culpado na carne por vinte e três pares, dedico nossa arte ao fim que se aproxima, que há de chegar logo, dedico para isso, e não haver mais no mundo a ilusão do artista!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-7453253239202741411?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/7453253239202741411/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=7453253239202741411' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7453253239202741411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/7453253239202741411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/10/dedicatria.html' title='Dedicatória'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eoilOT73w-k/SPzcZeBH3HI/AAAAAAAAANw/l0WJkyH8Okg/s72-c/159409428_6759edf29b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-476969363087836970.post-6747403586440516748</id><published>2008-10-18T15:50:00.000-07:00</published><updated>2009-05-01T13:45:44.117-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='canção'/><title type='text'>Boas novas</title><content type='html'>Este é um post especial de boas novas que me ocorreram nestes tempos! A minha amiga e diretora Paula Sabbaga topou a canção &lt;a href="http://www.myspace.com/gutoleite"&gt;"Em nome do pai"&lt;/a&gt; para seu filme e a &lt;a href="http://www.myspace.com/abracabralia"&gt;Abracabrália&lt;/a&gt; vai gravar o samba no fim de novembro. Estou em força máxima com meu amigo e parceiro Guilherme Orosco para conseguirmos logo logo editar o Júlio César (personagem de charges deste blog)! Finalmente achei o tom do próximo livro de poemas que, até onde entendo - e não é muito - vai com jeito à altura da página 50!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre me disseram que não se contam as boas novas, visto que o primeiro impulso das gentes é ruim, atrelo às conquistas um semi-piripaque que tive nesta semana. Na quinta-feira, depois de umas mil páginas desde segunda, dentre outros afazeres, não consegui mais ler ou fazer nada que custasse esforço mental. Também surgiu uma dorzinha no centro da cabeça que só hoje veio dar lugar a Graciliano Ramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cimo da balança repousa um poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;soneto do próximo instante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;a g. m.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no fim da manhã quando tudo está ermo&lt;br /&gt;e as janelas e portas são laços de enfeite&lt;br /&gt;permaneço imóvel num passado enfermo&lt;br /&gt;com olhares prestes a inventar deleites&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sol que passeia feito um cão soberbo&lt;br /&gt;surge no vão das tábuas nos batentes&lt;br /&gt;no esforço extremo sobre o tempo ileso&lt;br /&gt;põe tudo a mover-se em sua sombra quente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apesar dos corpos, luzes decadentes&lt;br /&gt;ainda ignorarem a força que há em torno&lt;br /&gt;todo o estático irá quebrar-se e urgente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entra na pressa e no furor de um forno&lt;br /&gt;no ar que arremessa soam alguns pingentes&lt;br /&gt;e a casa em festa perde os seus contornos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/476969363087836970-6747403586440516748?l=gutoleite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gutoleite.blogspot.com/feeds/6747403586440516748/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=476969363087836970&amp;postID=6747403586440516748' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6747403586440516748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/476969363087836970/posts/default/6747403586440516748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gutoleite.blogspot.com/2008/10/boas-novas.html' title='Boas novas'/><author><name>Guto Leite</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05805644155900051617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
